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O trabalho com bonecos no ambiente hospitalar

O trabalho com bonecos no ambiente hospitalar

03/03/2011 Kelly Jardim

Bonecos no hospital: ponte saudável entre o estresse e o poder aliviador do lúdico.

O ambiente hospitalar, pela seriedade do trabalho que realiza e por lidar com a doença e a morte muitas vezes é carregado de tensão e pressão, o que geralmente gera estresse para os profissionais da saúde, pacientes e acompanhantes que o frequentam. Assim, muitas são as ações desenvolvidas dentro deste cenário para, a partir do trabalho de humanização por meio da arte e cultura, contribuir com a melhora da qualidade destes ambientes.

Entre eles, destaco um dos métodos de ação e interação que é a manipulação de boneco. O brinquedo, de quase todas as pessoas em sua infância, meninas e também meninos - que brincam com seus cowboys, astronautas e xerifes - feitos muitas vezes de sabugo de milho, de pano, de pau e do material que a criatividade conceber, carrega em si uma capacidade lúdica maravilhosa.

Os bonecos conectam pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde com as suas memórias de infância. Conectam com um outro tempo e com uma outra realidade, além da doença, dos problemas e da dor. Como diz a canção popular: “além do horizonte existe um lugar, alegre e contente, pra gente se amar”.

Os bonecos transportam para estes “outros lugares” além do horizonte da doença, trazendo à memória o que é saudável. Conectam com a lembrança de outros capítulos vividos com a recordação de quando se era herói.

Para a criança o tempo é uma eternidade. Quando criança somos donos do tempo, portadores das infinitas possibilidades de vida. Cheios de expectativas, de aventuras por viver, de projetos para realizar. Quando somos crianças todos os sonhos estão ali, palpitantes em nossa imaginação, esperando para serem vividos.

Os bonecos, seres inanimados por princípio, ao serem manipulados, adquirem “vida própria” e transformam o momento em magia, o que muitas vezes nos faz sair da realidade por meio do seu grande poder lúdico, além de nos remeter a infância. O boneco pode expressar outras dimensões, extrapolando a realidade: voar contrariando as leis da física ou assumir posturas mais extravagantes. Mas eles não perdem o caráter de familiaridade. Isto é, nos identificamos com eles.

O teatro de bonecos é, por excelência, simbólico. A manipulação dá ao boneco propriedades que ele não possui. Ele passa a representar algo por meio da manipulação e dos movimentos, que representam a vida ativa.

Mas por que utilizar o símbolo? Por que representar simbolicamente? Pelo simples fato de que o símbolo é capaz de expressar grandezas que não podem ser expressas de outra forma.

É pelo seu poder de representar o simbólico que o boneco torna possível expressar outros tempos vividos, outras dimensões, inclusive o poder de criação dentro do ambiente hospitalar, extrapolando a realidade e transportando os pacientes, acompanhantes e a profissionais da saúde para uma espécie de tempo mágico.

E neste momento agora transformado, é possível de novo brincar, sonhar. Guimarães Rosa dizia que “recordar-se é retornar-se”, o prefixo re significa novo, então retornar-se é tornar se de novo livre, de quaisquer preocupações, angústias, estresses e dor.

Este método, por seu grande poder simbólico e potencial criativo, melhora a qualidade do ambiente e das relações entre os presentes oferecendo por um momento uma outra realidade. Torna-se, assim, uma espécie de ponte saudável entre o estresse do cotidiano hospitalar e o poder aliviador do lúdico.

* Kelly Jardim é arte-educadora e contadora de história da Associação Arte Despertar, associação que desde 1997 adota a arte, a educação e a cultura como pilares para as suas ações de humanização com foco em saúde.

Fonte: Oficina da Comunicação

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