Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Para queimar o filme

Para queimar o filme

01/07/2014 Bruno Peron

Somos espectadores do desentendimento que há entre educadores e educandos no Brasil. Gestores e legisladores, alguns dos quais sugeriram “revoluções” na maneira de educar, propuseram medidas improcedentes e polêmicas para a educação.

Entretanto eles poucas vezes desceram da frente do púlpito para sentir a necessidade de quem está atrás de uma escrivaninha. Estou preocupado com a aprovação de mais uma lei que reproduz a educação, mas não a transforma. A lei 13.006 prevê que, a partir de 26 de junho de 2014, as escolas tupinicas devem exibir pelo menos duas horas mensais de filmes tupinicas a estudantes no ensino básico.

É um artigo acrescido à lei de dezembro de 1996 que determina as bases da educação nacional, e que aponta que a exibição de filmes nacionais constituirá “componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola”. Mas esta lei não muda nem revoluciona os conteúdos educativos. Muito melhor seria se esta proposta de obrigatoriedade de horas mensais de exibição de filmes tupinicas tivesse efeito nas salas de cinema em todo o Brasil.

Refiro-me à norte-americanização dos espectadores com produtos culturais de Hollywood. Não deveria ser nas escolas. Alguns problemas ficam pendentes com a aprovação da lei 13.006. O principal é que o Maquinário tupinica incha sem que seus gestores e legisladores saibam bem o que fazer para conquistar o desenvolvimento tão esperado. Além disso, o cinema tupinica teria mais uma forma de financiamento público (e de promoção, diga-se de passagem), juntamente com os incentivos da Lei do Audiovisual e os projetos da Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Igualmente, é preciso alertar que nem toda escola tupinica tem estrutura para exibição de filmes.

Em muitas delas, haverá um televisor pequeno encima da mesa do professor, enquanto a turma do fundo evade de uma vez qualquer possibilidade de cultivar gosto pela arte. Ainda, há dúvida sobre qual será o critério de seleção dos filmes e sobre quem os escolherá: um longa-metragem que mostre a malandragem nas cidades e um curta-metragem sobre o sucesso da Copa para completar duas horas de exibição obrigatória. Tudo sob medida para cumprir rigores da lei.

Em nenhum momento, questionou-se a dificuldade de representar a arte apenas através do cinema, já que ela envolve um leque muito mais amplo de beleza e criatividade. Logo, não estou certo de que o cinema obrigatório seja auspicioso para estimular o gosto pela arte em termos de desenho, pintura, cerâmica, dança, música, teatro, e outras de suas formas. É oportuno colocar aqui que o gosto pela arte e pela cultura estimula-se com invenção e não com imposição. Acrescento a meu raciocínio que a educação básica se oferece num momento fundamental de formação do caráter e do cidadão.

A flexibilidade de jovens é maior durante esta fase. Contudo, a educação continua irradiando-se de cima (o que o professor e, pior ainda, o Maquinário acham que o estudante deve aprender) em vez de estimular a aprendizagem que emana de baixo (de que o estudante precisa para desenvolver seu gosto por arte, cultura e ciência). É surpreendente que a lei que institui tamanha obrigatoriedade seja de autoria do senador Cristóvam Buarque, para quem a arte é basilar no processo educativo.

Se este for um dos projetos para a “revolução” na educação que ele tanto defendeu durante suas campanhas eleitorais e seus discursos no Senado, queimaremos o filme. É importante que as crianças e os adolescentes se deslumbrem com as “coisas belas”, como bem apregoou o senador Buarque. Mas quem somos nós para determinar o que é belo e o que é feio, o que é útil e o que é descartável? Deixemos que os jovens descubram o mundo sem imposição. Assim esperamos que eles reescrevam o Brasil com invenção.

* Bruno Peron



Dia Bissexto

A cada quatro anos, a humanidade recebe um presente – um presente especial que não pode ser forjado, comprado, fabricado ou devolvido – o presente do tempo.

Autor: Júlia Roscoe


O casamento e a política relacional

Uma amiga querida vem relatando nas mesas de boteco a saga de seu filho, que vem tendo anos de relação estável com uma moça, um pouco mais velha, que tem uma espécie de agenda relacional bastante diferente do rapaz.

Autor: Marco Antonio Spinelli


O que esperar do mercado imobiliálio em 2024

Após uma forte queda em 2022, o mercado imobiliário brasileiro vem se recuperando e o ano de 2023 mostrou este avanço de forma consistente.

Autor: Claudia Frazão


Brasileiros unidos por um sentimento: a descrença nacional

Um sentimento – que já perdura algum tempo, a propósito - toma conta de muitos brasileiros: a descrença com o seu próprio país.

Autor: Samuel Hanan


Procurando o infinito

Vocês conhecem a história do dragãozinho que procurava sem parar o infinito? Não? Então vou te contar. Era uma vez….

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


A reforma tributária é mesmo Robin Hood?

O texto da reforma tributária aprovado no Congresso Nacional no fim de dezembro encerrou uma novela iniciada há mais de 40 anos.

Autor: Igor Montalvão


Administrar as cheias, obrigação de Governo

A revolução climática que vemos enfrentando é assustadora e mundial. Incêndios de grandes proporções, secas devastadoras, tempestades não vistas durante décadas e uma série de desarranjos que fazem a população sofrer.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Escravidão Voluntária

Nossa única revolução possível é a da Consciência. Comer com consciência. Respirar com consciência. Consumir com consciência.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Viver desequilibrado

Na Criação, somos todos peregrinos com a oportunidade de evoluir. Os homens criaram o dinheiro e a civilização do dinheiro, sem ele nada se faz.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Mar Vermelho: o cenário atual do frete marítimo e seus reflexos globais

Como bem sabemos, a crise bélica no Mar Vermelho trouxe consigo uma onda de mudanças significativas no mercado de frete marítimo nesse início de 2024.

Autor: Larry Carvalho


O suposto golpe. É preciso provas…

Somos contrários a toda e qualquer solução de força, especialmente ao rompimento da ordem constitucional e dos parâmetros da democracia.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Oportunidade de marketing ou marketing oportunista?

No carnaval de 2024, foi postada a notícia sobre o "Brahma Phone" onde serão distribuídas 800 unidades de celulares antigos para os participantes das festas de carnaval.

Autor: Patricia Punder