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Pessoas

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05/02/2014 Marco Aurélio Marinho de Melo

Num dia comum, a personagem dessa crônica, assim como qualquer um, tem um sobressalto de consciência que a faz repensar no porquê das pessoas aparecerem e sumirem das nossas vidas.

As mãos foram lançadas ao bolso da calça rapidamente. As balas, que ele acabara de comprar, não estavam mais lá. Ele não conseguia lembrar se as havia chupado. Fechou os olhos e tentou apurar o paladar, mas não sentiu resquícios do gosto da bala, e teimoso, passou o dedo disfarçadamente entre as gengivas. Nada. Olhou desconfiado com o canto do olho para o senhor sentado no ponto de ônibus. Também lembrou de passar os olhos no chão. Nem um papel de bala. Nada além de nada. Mas enfim, chupadas ou não, elas não estavam mais com ele.

"Eram apenas algumas balas, mas e se fosse o dinheiro da minha passagem, como eu voltaria para casa? E se fosse a mochila, como eu encontraria todas as minhas coisas?" Ele se perguntava.

Do nada, melhor, do tudo, ele se viu pensativo, confuso, e de certa forma, meio cabisbaixo. Não era porque ele havia perdido as balas, menos ainda por não se lembrar se as chupou. Surpreendentemente, não foi por essas perguntas materialistas também. O buraco era mais fundo, e quando mais ele cavava, mais ele caía. Porém, inconscientemente, ele previa: de tanto cavar, em algum lugar irei chegar.

"Será que também é desta forma que perdemos pessoas? O dinheiro está no meu bolso, e mesmo que por pouco tempo, ele é considerado meu. Mas, e as pessoas?" Assim, começou a pensar.

"As pessoas andam, falam e pensam. Será que realmente as queremos deixar ou simplesmente as perdemos?"

Ele pensou em tudo que viveu e as pessoas que teve por perto e, na maioria dos casos, não viu muita razão por ter deixado certas pessoas para trás.

Mas, por fim, entendeu que como o dinheiro, pessoas circulam e acabam, ora ou outra, fazendo parte de vidas alheias. Também notou que o dinheiro possui valores diferentes, e que deveria preservar aquele que mais o agradava. Já no fio da meada, pensou: "Às vezes, tudo o que preciso é de dois reais para fazer um lanche, mais em outras ocasiões, posso precisar de muito dinheiro para comprar uma casa e me abrigar".

Ele não tinha a intenção de comparar um pedaço de papel com algo tão complexo e magnífico como os seres humanos. Foi apenas uma metáfora que o fez entender. "Agora sei muito bem que pessoas vêm e pessoas vão."

E, felizmente, com um pouquinho de Pequeno Príncipe que havia dentro de si, respirou fundo e sussurrou:

- Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

A fumaça do ônibus o fez tossir, e desta vez, pelo menos desta vez, ele o deixou passar.



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