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Petulância sem Limite

Petulância sem Limite

16/09/2009 Fábio P. Doyle

"Quem decide sou eu" decreta o presidente arrogante. E ninguém protesta, só a imprensa, timidamente. Sarkozy faz até trenzinho com Lula para vender seus aviõezinhos.

É, NÃO temos jeito. A petulância de Lula da Silva não chegou ao limite, pois já tinha lá chegado há muito tempo. Agora, com a sua postura arrogante, no caso da compra dos jatos franceses, ele não chegou, mas ultrapassou todos os limites suportáveis e insuportáveis.

AFINAL, o que o barbudo boquirroto de Garanhuns pensa que ele é? Imperador, rei, ditador, manda-chuva, mestre-escola? Quem viu a cena, espantou-se. Com evidência de irritação, de ter perdido a paciência com os que o interpelavam, com razão, sobre a definição do governo quanto à compra dos jatos que Nicolas Sarkozy, presidente da França travestido de comerciante, nos ofereceu. Gesticulando e suando muito, Lula afirmou que ele, somente ele, decidirá se o Brasil, que não é dele, salvo engano, mas de todos nós, comprará aviões franceses ou norte-americanos. Mencionou, sem destaque, a atuação técnica da Aeronáutica nas negociações, mas repetiu que a palavra final será dele, apenas dele. E fim de papo.

É EVIDENTE que uma transação comercial de tamanho vulto, são bilhões de euros em jogo, deve ser realizada com estrita obediência às normas legais, e somente serão concretizadas depois de cumprida uma longa tramitação pelos órgãos técnicos. Afinal, estamos comprando aviões altamente sofisticados para uso de nossas Forças Armadas. Aviões que devem preencher todos os requisitos julgados necessários, inclusive devem ser testados. Como a Aeronáutica vai usá-los, é ela que deve analisar tudo sobre os jatos, e dar o parecer final apontando aquele que será mais útil ao país, e mais conveniente, no preço logicamente, não importa se fabricado na França, nos Estados Unidos, na Suécia, na Rússia, na China, afinal, em qualquer país. Somente depois do laudo técnico final, conclusivo, o processo é encaminhado ao ministro da Defesa, no caso Nelson Jobim, e por este, com seu parecer, ao presidente da República. Que só então, decidirá, aprovando a conclusão das análises técnicas, ou delas discordando. Ou seja, autorizando, ou não, a compra.

SIMPLES, didático, não é mesmo? Mas não é assim que Lula, o todo-poderoso, pensa. Ele decidiu comprar os jatos franceses depois de um almoço com Sarkozy, o sorridente e bom de conversa presidente francês. Eles se deram tão bem, como se amigos fossem desde crianças, que Lula, as fotos comprovam, chegou por trás de Sarkozi e o agarrou pelos braços, numa brincadeira, imprópria para dois chefes de estado. Brincadeira que um chargista de talento, Chico Caruso, eternizou na capa de seu jornal, chamando-a de "trenzinho"…

O MAIS lamentável é que depois da declaração arrogante e estarrecedora, a do "eu decido, e somente eu", não se ouviu um pio de protesto dos que deveriam protestar, os homens da FAB, os brigadeiros da Aeronáutica. Apenas a imprensa registrou o fato e a foto. Os companheiros de Lula tentaram amenizar, buscando interpretações duvidosas para a demonstração caudilhesca do amigo e admirador do também arrogante Chávez venezuelano. Mas a cena foi filmada, gravada, mostrada pela televisão, transcrita nos jornais. E a decisão absolutista do presidente brasileiro foi confirmada em Paris pelo seu amigo de infância e de trenzinho. Sarkozy, feliz pelo bom negócio que intermediou para a indústria de seu país, declarou à imprensa francesa que o Brasil, por decisão do presidente Lula da Silva, optou pela compra dos jatos franceses.

POIS é, como sempre digo. Não adianta, mas é necessário, criticar, tentar corrigir os erros e abusos que vêm sendo cometidos pelos governantes de Brasília. O homem, o cara, decide tudo da forma que bem entende. Em volta, o silêncio dos que poderiam protestar e evitar tantos espetáculos de extremo ridículo que tantos danos causam à imagem do país.

AINDA em tempo: nossa política internacional continua a agir contra toda a tradição de equilíbrio e de bom senso do Itamaraty. No dia 14, segunda-feira, o Brasil, cumprindo ordens do sr. Marco Aurélio, ministro de fato das Relações Exteriores (o diplomata Celso Amorim é o ministro de direito…), aliou-se a Cuba e à Argentina, belas companhias, para exigir a expulsão do embaixador José Delmer Urbizo, representante de Honduras, da sala de reuniões do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Justificativa: Urbizo representava um governo hondurenho não reconhecido pelos três países latino-americanos, que insistem na volta do boiadeiro Manuel Zelaya ao poder do qual foi afastado por desobedecer decisão da Suprema Corte do país. Urbizo foi retirado, a pedido dos embaixadores Brasil, de Cuba e da Argentina, pelos guardas da ONU. Um vexame, mais um, de nossa diplomacia chavista e capenga. Imaginem se nos idos de 64, nossos representantes na ONU fossem expulsos por não mais representarem o presidente João Goulart, deposto como Zelaya…

Fábio P. Doyle é Jornalista e Membro da Academia Mineira de Letras. Visite o Blog



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