Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Política não evoluiu no período pós-redemocratização

Política não evoluiu no período pós-redemocratização

02/03/2024 Luiz Carlos Borges da Silveira

O que preocupa é a impressão de que no Brasil não mais existem pessoas dedicadas, honestas e com boas intenções dispostas a entrar na política.

É profundamente lamentável e extremamente preocupante que uma simples e isenta análise chegue à conclusão de que nas últimas quatro décadas a política e os políticos brasileiros não apresentam nenhuma evolução, seguindo viés contrário a todo o processo de avanços e modernizações fantásticas nos mais importantes segmentos da vida no país e no mundo.

Não é nenhum exagero afirmar, diante do que se vê ao longo dos anos, que no Brasil a prática política retrocedeu, ao gosto e interesses de seus protagonistas que esquecem, ou fazem questão de não lembrar, a verdadeira essência da política como arte e ciência da boa administração pública em prol do desenvolvimento do país e bem-estar de seus cidadãos.

Ao período ditatorial (1964-1985) se debitavam a estagnação do pensamento político, repressão às manifestações de novas ideias, obstáculos ao surgimento e formação de novas lideranças.

Então, pensava-se que ao final dessa era a política brasileira seria diferente, melhor e mais identificada com os novos tempos. Não foi o que aconteceu neste período chamado de Nova República.

Aos poucos os políticos de valor foram passando, outros foram ocupando espaço no cenário e tudo voltou aos tempos da velha política.

Em praticamente quarenta anos de retorno da democracia plena, dois presidentes foram cassados por corrupção e outros delitos administrativos; um ex-presidente foi denunciado, investigado, processado, julgado, condenado em primeira e segunda instâncias da Justiça Federal e finalmente preso.

Entre os delitos foram elencados corrupção ativa de congressistas (Mensalão) e o mais formidável esquema de corrupção (Petrolão) que quase quebrou a gigantesca estatal do petróleo.

Envolvendo o esquema criminoso estavam agentes do alto escalão do governo, gestores de empresas públicas, empresários da área privada além de dirigentes partidários, políticos e funcionários públicos de diversos calibres.

O principal acusado, ex-presidente de dois mandatos, acabou beneficiado em incrível chicana jurídica e teve as diversas condenações anuladas. Voltou à política e está em terceiro mandato.

Como efeito cascata, os demais condenados estão aos poucos voltando ao cenário por mercê da mesma graça judiciária.

Não há que se questionar se houve falhas nos processos e julgamentos na primeira instância, a verdade é que os crimes ocorreram e a corrupção foi um fato – tanto que muitos condenados devolveram judicialmente parte do dinheiro desviado.

Outro ex-presidente, de mais recente passagem pelo Planalto, foi declarado pela Justiça Eleitoral inelegível até o ano de 2030 e ainda responde a outros processos e investigações em curso decorrentes de delitos políticos e administrativos que vão desde falsificação de atestado de vacina até subtração de bens públicos, caso das joias doadas ao país por delegações estrangeiras, e envolvimento em movimento supostamente golpista.

Embora não se tenha conhecimento de corrupção, as circunstâncias indicam possibilidade de condenações pesadas. Mas, o problema não é circunscrito apenas à esfera federal. As malfeitorias descem até ao mais singelo município.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Municípios, dos 5.563 prefeitos eleitos há quatro anos, 383 não mais estão no exercício do mandato. Destes, 210 foram cassados por variados motivos.

Um portal nacional de notícias, com base em pesquisa junto ao TSE, afirmou que no Brasil a cada 8 dias um prefeito é retirado do cargo pela Justiça Eleitoral.

Para que não se deduza que corrupção é mal que acomete apenas políticos, o judiciário também não é imune e coleciona casos de punição a magistrados de todos os graus.

Ano passado o STJ confirmou afastamento de quatro desembargadores do TRT da 1ª. Região, denunciados pelo MPF por corrupção, peculato lavagem de dinheiro e organização criminosa. Este é apenas um exemplo. O TCU e alguns TCEs também têm casos semelhantes.

Voltando ao tema específico da política, o que preocupa é a impressão de que no Brasil não mais existem pessoas dedicadas, honestas e com boas intenções dispostas a entrar na política.

A cada eleição há renovação, ainda que não expressiva, mas caras novas são eleitas para o Congresso, para as Assembleias estaduais e Câmaras municipais.

Todavia, no comportamento dos parlamentos não se observa mudanças para melhor. Ou os bons eleitos são tão poucos que acabam sufocados enquanto vozes dissonantes, ou acabam aderindo aos esquemas viciados para mais tarde obterem vantagens. Ou, ainda pior, talvez já venham contaminados de origem.

O Congresso Nacional segue na perniciosa prática de criar problemas para vender soluções. O Executivo se vê compelido a negociar individualmente com parlamentares e grupos de pequena representatividade porque os partidos não são suficientemente fortes para impor a liderança nas bancadas.

Preocupante é saber que o futuro do país e as esperanças da grande maioria dos brasileiros estarão sempre dependentes de políticos e governantes com esse currículo nada confiável. Até quando?

* Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor.

Para mais informações sobre política clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Fonte: P+G Comunicação Integrada



A medicina é para os humanos

O grande médico e pintor português Abel Salazar, que viveu entre 1889 e 1946, dizia que “o médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe”.

Autor: Felipe Villaça


Dia de Ogum, sincretismo religioso e a resistência da umbanda no Brasil

Os Orixás ocupam um lugar central na espiritualidade umbandista, reverenciados e cultuados de forma a manter viva a conexão com as divindades africanas, além de representar forças da natureza e aspectos da vida humana.

Autor: Marlidia Teixeira e Alan Kardec Marques


O legado de Mário Covas ainda vive entre nós

Neste domingo, dia 21 de abril, Mário Covas completaria 94 anos de vida. Relembrar sua vida é resgatar uma parte importante de nossa história.

Autor: Wilson Pedroso


Elon Musk, liberdade de expressão x TSE e STF

Recentemente, o ministro Gilmar Mendes, renomado constitucionalista e decano do Supremo Tribunal Federal, ao se manifestar sobre os 10 anos da operação Lava-jato, consignou “Acho que a Lava Jato fez um enorme mal às instituições.”

Autor: Bady Curi Neto


Senado e STF colidem sobre descriminalizar a maconha

O Senado aprovou, em dois turnos, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) das Drogas, que classifica como crime a compra, guarda ou porte de entorpecentes.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


As histórias que o padre conta

“Até a metade vai parecer que irá dar errado, mas depois dá certo!”

Autor: Dimas Künsch


Vulnerabilidades masculinas: o tema proibido

É desafiador para mim escrever sobre este tema, já que sou um gênero feminino ainda que com certa energia masculina dentro de mim, aliás como todos os seres, que tem ambas as energias dentro de si, feminina e masculina.

Autor: Viviane Gago


Entre o barril de petróleo e o de pólvora

O mundo começou a semana preocupado com o Oriente Médio.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Nome comum pode ser bom, mas às vezes complica!

O nosso nome, primeira terceirização que fazemos na vida, é uma escolha que pode trazer as consequências mais diversas.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


A Cilada do Narcisista

Nelson Rodrigues descrevia em suas crônicas as pessoas enamoradas de si mesmas com o termo: “Ele está em furioso enamoramento de si mesmo”.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Brasil, amado pelo povo e dividido pelos governantes

As autoridades vivem bem protegidas, enquanto o restante da população sofre os efeitos da insegurança urbana.

Autor: Samuel Hanan


Custos da saúde aumentam e não existe uma perspectiva que possa diminuir

Recente levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que os brasileiros estão gastando menos com serviços de saúde privada, como consultas e planos de saúde, mas desembolsando mais com medicamentos.

Autor: Mara Machado