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Por que AGORA querem o impeachment?

Por que AGORA querem o impeachment?

31/08/2015 João César de Melo

O povo não foi às ruas pedir o impeachment de Fernando Collor por causa das denúncias da Veja, nem por causa do Fiat Elba ou da reforma na Casa da Dinda.

O povo foi às ruas por causa da crise econômica agravada por seu governo. Ao povo, o que importa é dinheiro no bolso.

Fernando Henrique Cardoso foi eleito e, a despeito dos escândalos de corrupção de seu governo denunciados pela mesma revista Veja, a maioria da população rejeitava seu afastamento porque apoiava seu plano de estabilização econômica − menos inflação, mais dinheiro no bolso.

FHC foi reeleito, novos escândalos foram denunciados, mas o povo não viu razão para ir à rua pedir seu impeachment. O governo Lula foi recheado de escândalos de corrupção e de aparelhamento do Estado nunca vistos até então, nem por isso a maioria da população viu motivo para ir à rua pedir sua queda.

Muito pelo contrário. Crendo no desenvolvimento econômico, Lula ganhou o apoio de muitos que não votaram nele, incluindo boa parte da classe média. Em seu segundo mandato, novos absurdos foram levados ao público e mais uma vez a quase totalidade da sociedade rejeitou a ideia de impeachment.

Dilma foi reeleita com a promessa de continuar o aparente desenvolvimento econômico e social promovido pelo governo Lula. Novos e maiores casos de corrupção e de aparelhamento do Estado foram denunciados pela mesma imprensa que denunciou os desvios dos governos Collor, FHC e Lula, enquanto a população começava a perceber que as coisas não iam tão bem como o governo dizia.

Mesmo assim, a maior parte da sociedade passou o primeiro mandato de Dilma rejeitando a ideia de seu afastamento.

Crendo nas promessas de Dilma, de que ela não adotaria políticas impopulares mesmo diante dos piores cenários, a maioria dos eleitores a reelegeu.

O que ela fez logo em seguida? Descumpriu todas as suas promessas, o que desmascarou a grave situação econômica criada e alimentada pelo PT ao longo dos últimos anos.

Três verdades:

1° – Escândalos de corrupção sempre preencheram o noticiário brasileiro sem causar revolta na sociedade; infelizmente, corrupção ainda é vista como um desvio moral e de segunda importância.

2° – O que revolta o povo é a falta de dinheiro gerada pela inflação e pelo desemprego.

3° – O movimento de impeachment de Dilma é resultado da percepção da maior parte da população de que ela mentiu e que por conta de suas mentiras e dos absurdos acumulados uma crise econômica sem precedente está prestes a explodir.

O absurdo não é o movimento de impeachment que tomou as ruas do último domingo. O absurdo é a defesa que fazem desse governo. Artistas que vivem de patrocínio estatal, professores universitários que gozam de bons salários e estabilidade de emprego, sindicalistas e militantes socialistas que vivem do dinheiro dos trabalhadores… Todos eles defendendo um governo totalmente corrompido, desmoralizado e que destruiu a economia. Portanto…

Absurdo é defender o atual governo por questões ideológicas, porque representa a esquerda etc.

Absurdo é justificar a permanência de Dilma para que não entre fulano ou ciclano ou por que… “não mudará nada se ela sair”.

Absurdo é taxar de “elite golpista” as pessoas que temem perder seus empregos.

Absurdo é taxar de elite golpista micro e pequenos empresários que não receberam bolsa BNDES, nem isenções fiscais, nem facilitações em contratos com o governo e que agora estão vendo seus negócios ruírem, obrigando-os a demitir funcionários e fechar as portas.

Absurdo é taxar de elite golpista o pobre que vota no PT há 12 anos, mas que agora percebe que a única coisa que fizeram por ele foi mantê-lo pobre.

Absurdo é insistir na ideia de que tudo é resultado de uma conspiração capitalista para destruir um governo democraticamente eleito; como se as grandes corporações capitalistas não fossem sócias desse governo, como se um processo de impeachment fosse algo inconstitucional.

Absurdo é um governo se manter de pé tendo apenas 8% de aprovação popular e 63% de apoio à abertura de um processo de impeachment contra a presidente.

Absurdo é o partido que cresceu incitando revoltas e sabotando reformas dizer que o Brasil precisa de um acordo político em nome do futuro da nação.

O Brasil sempre foi o país dos absurdos, mas nunca antes na história desse país, os absurdos foram tão absurdamente grandes. A saída de Dilma via impeachment ou renúncia não é um ato para salvar o Brasil, acabar com a corrupção e trazer um desenvolvimento econômico que nunca tivemos.

A saída de Dilma é, antes de tudo, uma punição que abre a porta para possibilidades que certamente são melhores do que a terrível certeza atual; e esta punição ecoará no ambiente político como um indicativo de que a tolerância da sociedade tem limites. Um indicativo dado no impeachment de Collor, mas que foi totalmente ignorado pelo PT.

Em tempo: As manifestações contra Dilma contam predominantemente com pessoas de classe média porque o pobre continua tão miserável que, para ele, perder um dia de folga para protestar se torna um luxo caro e desgastante.

* João Cesar de Melo é arquiteto, artista plástico, escritor e colunista do Instituto Liberal. É autor do livro "Natureza Capital".



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