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Quando a verdade incomoda

Quando a verdade incomoda

07/08/2014 Célio Pezza

Recentemente, o Banco Santander mandou aos seus clientes ‘Select’, uma análise da economia brasileira, onde relacionava a queda nas pesquisas da presidenta Dilma com uma melhoria nos índices econômicos.

O texto dizia que a economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, inflação alta e déficit em conta corrente. Também citava que a popularidade da Presidenta vem caindo nas últimas pesquisas e isso tem contribuído para a subida do índice Bovespa.

“Se a presidenta se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir. O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam uma alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes. Este último cenário estaria mais de acordo com a deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos”.

Na verdade, o Índice de Confiança do Empresário Industrial vem caindo e atingiu, em julho, a marca de 46,4%, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria. Abaixo de 50% significa falta de confiança. Já o presidente da IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Nacional), Pedro Passos, disse que a falta de direção na economia cria instabilidade e insegurança no meio empresarial. A taxa de investimento é muito baixa. “O clima de confiança do empresariado não existe, acabou.

Falta direção! Não está claro para onde estamos indo e isso cria instabilidade”. Voltando à análise do banco, ela foi feita para orientar seus clientes, e não deixa de ser uma obrigação explicar o que o mercado fala sobre as tendências futuras. Nesse caso, a nota causou um grande mal-estar no governo, a ponto do presidente do PT, Rui Falcão, chamar o texto de “terrorismo eleitoral”. O presidente do Santander disse que o informativo não expressa a opinião do banco e sim, a de um analista do banco.

Também deixou claro que o caso será apurado e os envolvidos serão demitidos. É uma lástima que o banco demita quem emitiu esse relatório e cumpriu com o dever de orientar seus clientes. Mostrou submissão ao governo e ausência de imparcialidade e democracia. Aliás, ao mesmo tempo em que isso aconteceu, a mídia divulgou que onze computadores instalados no planalto foram usados para alterar páginas da Wikipédia.

Aparecem os registros de IPs dos computadores da Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), que fizeram modificações em artigos relacionados com o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha e outros políticos ligados ao PT, retirando críticas e adicionando elogios. Um dos casos interessantes foi a retirada da suspeita de corrupção na Funasa (Fundação Nacional da Saúde) e a colocação de elogios ao programa Mais Médicos.


Isso mostra que o governo dá importância à Internet e que existe uma equipe trabalhando no planalto para monitorar a rede e criar informações a favor do partido. O Serpro se negou a informar onde os computadores estão instalados e todos se calaram sobre o assunto, diferentemente do caso com a análise do Banco Santander. Esses casos mostram que uma notícia pode ser divulgada, desde que não contrarie alguns interesses. Também não me parece que a prática de “cortar cabeças”, como neste caso, seja digna de uma democracia.

*Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço.



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