Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Sobre o Futuro

Sobre o Futuro

18/02/2021 Daniel Medeiros

Leio em algum lugar que o futuro depende de nós. Rio da pretensão da mensagem. Ou da sua ingenuidade.

No século XVI, Maquiavel já lembrava o quanto a Fortuna tem de responsabilidade sobre nosso destino e que não há o que fazer em relação a isso.

Agora multiplique o campo de ação do Acaso por muitas vezes muitas vezes e teremos o quadro atual. E, diante de nós, o imponderável amanhã.

É fato que o próprio Maquiavel lembrava que temos algum controle sobre, pelo menos, 50% das nossas ações. E depois dizem que o pensador florentino não era otimista. Mas que vá.

De cada duas coisas que pensamos poder fazer, uma delas é possível com nossos esforços. Lembrando que “possível” não é garantia de nada, somente traça uma linha de chegada na areia.

Se não chover ou se as calotas polares não derreterem ou se a osteoporose não for muito agressiva, um dia poderemos ultrapassá-la.

Mas há a outra metade das coisas que desejamos e que, bom, ficarão no campo das quimeras. Ou das frustrações inúteis.

De qualquer forma, se conseguirmos fazer apenas uma coisa memorável na vida, já não terá valido a jornada? Esses dias, falava com um amigo músico sobre a fase exuberante de Belchior nos anos 70.

E, juntos, concordávamos: “mas depois disso, não fez mais nada que prestasse!”. E logo emendamos: “e também o Zé Ramalho!”.

“Ora, mesmo o Chico, o que tem feito nesses últimos 20 anos?” - dissemos isso e sorrimos satisfeitos sabe-se lá com o quê.

Ulisses lutou dez anos em Tróia, mais dez pra voltar pra casa e encontrar sua Penélope. Do que ele teve mais orgulho de fazer? No leito de morte, do que lembrava com mais carinho?

Talvez de algo que não sabemos, talvez de um gesto que não ficou registrado. Talvez de um sonho não realizado ou de um “não” dito no lugar de um “sim”, ou vice-versa.

Guardo muitas vergonhas de pequenos atos que pratiquei e que tiveram grandes consequências. Sempre sonho com a chance de voltar no tempo e alterar esses pequenos atos.

Creio que, se somar no tempo, tenho uns oito ou dez minutos de vida que não gostaria de ter vivido ou de ter vivido de maneira diferente, do jeito que vejo hoje o mundo e creio que é o melhor jeito.

Mas no passado não pensei que teria esse futuro de arrependimento e vergonha. Naquele presente, aquele eu que eu era, não pensava em perspectiva, não pesava as consequências, pois possivelmente acreditava que o futuro não lhe pesaria.

As circunstâncias fazem o homem. Mudam as circunstâncias, ficam apenas as memórias doces ou amargas. Essa é a vida, senhores!

Volto à reflexão inicial da minha leitura fortuita: o futuro depende de nós. Mas como isso é possível, se esse “nós” é um mutante cujo código genético nunca conseguimos decifrar a tempo?

Se o agora é fruto do acaso e dos hormônios, a história que narraremos em dez, vinte anos, o que poderá dizer desse “nós” que conta ou sobre quem se conta?

A História é mestre da vida, lembrava Maquiavel. Não que ele acreditasse que o passado se repetisse ou coisa que o valha.

Maquiavel era inteligente, lembram? Sua convicção se voltava para os atos fundadores das coisas novas. Sempre é possível inaugurar um novo tempo na nossa vida, rompendo com a cadeia de lembranças e amarguras.

É isso que o passado nos ensina: como romper com ele e deixar que o acaso e nossos esforços trilhem outros caminhos sem a necessidade de carregarmos junto os sacos de ossos de nossos arrependimentos.

Quanto ao futuro, bom, quando ele se tornar um presente para nós, que saibamos usufruir da dádiva de possuí-lo.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.

Para adquirir LIVROS clique aqui…

Fonte: Central Press




Por que falar de empreendedorismo na periferia?

No mundo contemporâneo, o empreendedorismo tem se destacado como uma possibilidade relevante de superação das condições de trabalho, especialmente em momentos de agravamento das condições sociais.


Esquema Ponzi e a centenária sofisticação dos golpes financeiros

Os golpes financeiros estão crescendo em todo mundo. As chamadas pirâmides financeira e o Esquema Ponzi são os esquemas mais comuns e populares.


O Brasil, os poderes e os incendiários

“Impeachment” é o processo que se monta no Congresso Nacional para afastamento do presidente da República, ministros do Supremo Tribunal Federal ou outros altos servidores acusados de cometer grave delito ou má conduta no exercício de suas funções.


Os critérios ESG e a administração pública municipal

Os desastres ambientais de Mariana e de Brumadinho revelaram para o mundo a negligência de empresas brasileiras quanto a gestão socioambiental, e, além das perdas irreparáveis para o meio ambiente e para a sociedade impactada, outra consequência foi a crescente perda de investimentos externos.


Quando quero saber novidades leio S. Paulo

D. Francisco Manuel e Melo, além de expendido escritor e sensato conselheiro, foi igualmente, excelente observador da sociedade do seu tempo.


Movimento “Responsabilidade de Peso”

Transportar cargas acima dos limites estabelecidos pode causar vários prejuízos não só aos motoristas envolvidos neste tipo de prática, mas também para as empresas que os empregam e ao Estado.


O antagonismo da tecnologia no mercado financeiro

A tecnologia não é mais o privilégio de alguns, mas a necessidade de todos.


Filhos ansiosos e o mundo real

Não importa se o seu filho tem quatro anos, sete, dez ou 15, as crianças são uma fonte inesgotável de pedidos e exigências.


Como investir em ações europeias

A bolsa de valores brasileira possui várias opções de fundos passivos negociados em bolsa, os chamados ETFs/fundos internacionais, entre eles o mais famoso é o IVVB1, que replica o S&P 500, o índice que mede as 500 maiores empresas da bolsa americana.


TJMG – O exemplo vem de cima

Não é novidade para nenhum jurisdicionado e operadores do direito a sobrecarga de processos no Poder Judiciário.


Inadimplência: um problema contornável em condomínios?

Inadimplência é sempre um assunto delicado e recorrente. Na maioria das vezes, o atraso das taxas condominiais acontece devido a um problema financeiro inesperado, como a perda do emprego.


A Covid-19 e a falácia do ônibus lotado

Em 1969, o economista Harold Demsetz escreveu um artigo denominado “Informação e eficiência: um outro ponto de vista” (tradução livre), no qual acusava seu colega Kenneth Arrow de adotar, em outro estudo, o que chamou de a “abordagem do Nirvana”.