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Todas as religiões são amor?

Todas as religiões são amor?

03/11/2015 Paulo Figueiredo Filho

“Buda não era Budista, Jesus não era Cristão, Krishna não era Vaishnava, Maomé não era Islamita, Eles eram professores que ensinavam AMOR. AMOR era a religião de cada UM.”

Imagens como essas são cada vez mais frequentes no ocidente. Sua mensagem é o eco do que se tornou o lema de toda uma geração moderninha e cuti-cuti: todas as religiões pregam o amor.

A síntese da tese é a seguinte: nós deturpamos os ensinamentos dos principais nomes das religiões mundiais. Todos estes grandes professores ensinaram uma mensagem única de amor.

A diferença entre as religiões é uma criação humana e é a grande causa do ódio no mundo. Portanto, vamos esquecer todos aqueles dogmas e nos unir na religião do amor.

Seria belo, se fosse verdade. Vejamos: Sidarta Gautama, o Buda, pregava a iluminação e liberação do Dukkha através do desprendimento das coisas (e pessoas) deste mundo.

Embora os conceitos de Kuruna e Metta (em sânscrito, algo como compaixão e benevolência) sejam centrais no budismo, o amor e sua forma de apego a alguém são, na verdade, uma grande dor de cabeça egoísta e um imenso obstáculo à iluminação, segundo o monge-celebridade tibetano Kelsang Gyatso.

Não por coincidência, no ensinamento consolidado mais importante do budismo, As 4 Nobres Verdades, a palavra “amor” não aparece uma vez sequer. O hinduísmo não possui um fundador identificável, mas seus principais fundamentos estão refletidos nos Quatro Objetivos da Vida (Puru??rthas): retidão, sustento/riqueza, prazer sexual e “liberação” da reencarnação.

Amor, como podem ver, não está na lista. Já o princípio fundamental do Islã está traduzido no próprio nome da religião: a submissão a Allah. Segundo o teólogo muçulmano Shabir Akhtar, homens são servos de deus e não há nenhum grau de intimidade entre as partes.

Talvez por isso o Corão substitua o primeiro mandamento por uma versão semelhante, mas omitindo o amor a deus. A diferença entre a relação de amor e a de submissão fica muito clara Nos Cinco Pilares do Islã: o Credo, a Oração, o Zakat (uma espécie de imposto), o Jejum e a Peregrinação à Meca.

De novo, nenhuma menção a amor. Já na Bíblia Sagrada, a palavra “amor“ aparece mais de 500 vezes nas suas diversas formas – mais do que as palavras “Fé” ou “Pecado”. Frases prediletas dos religiosos cuti-cuti como “Deus é Amor”, “Ame seus inimigos”, “O Amor Nunca Falha” são, na verdade, extraídas integralmente dos evangelhos de São João, São Mateus e das cartas de São Paulo na Bíblia.

Não há nada similar em nenhum outro escrito das principais religiões do mundo. Não estou com isso tentando dizer que cristãos tem o monopólio do amor. O que estou dizendo é que os pluralistas religiosos podem espernear o quanto quiserem, mas o amor, em três direções, é o centro em apenas duas religiões: o Cristianismo e o Judaísmo.

O amor de Deus pelos homens, dos homens por Deus e dos homens pelos homens é tão importante que abre os 10 Mandamentos e, segundo Jesus Cristo, resumem e contém toda a Lei. Sim, ao menos de acordo com um dos supostos “professores” mencionados nos letreiros modernos, o amor resume tudo.

Os tais “professores” das diversas religiões, portanto, parecem ensinar, na verdade, matérias bem diferentes. Com mais um porém muito importante: Cristo nunca se posicionou apenas como um professor. Disse com todas as letras que era o Filho de Deus encarnado e o próprio Deus.

Você pode acreditar nisso, considerá-lo um louco ou um charlatão. Considerá-lo apenas um professor não é uma opção e ele fez questão de deixar isso bem claro, como bem diz o autor best seller cristão Philip Yancey.

Mas apesar do fato de qualquer pessoa que se interesse minimamente pelo assunto perceber que essa unidade de crenças é uma grande conversa para boi dormir, a postura conhecida como “Pluralismo Religioso” tem sido empurrada goela abaixo da sociedade por praticamente toda a mídia, universidades e políticos de esquerda.

É a política oficial de Barack Obama e do Partido Democrata. É a política oficial de todos os partidos de esquerda do Brasil (ou seja, todos os partidos do Brasil). É também a política da grande mídia, com direito a campanha publicitária na Rede Globo.

É a política politicamente correta que não pode mais ser contestada. Na guerra ideológica de Karl Marx contra as religiões, vale tudo. Até mesmo pasteuriza-las até o ponto onde não tenham mais significado algum e o homem se veja forçado a buscar alguma coisa para substituí-la.

Com sorte, o Estado. Já em 1958, o livro best seller The Naked Communist apontava a infiltração das igrejas e a substituição da “religião revelada” pela “religião social” como a 27a meta do comunismo para o ocidente. Como disse o próprio Marx, o comunismo começa onde a religião termina.

Como quase todos as bandeiras da esquerda, o Pluralismo Religioso é a deturpação de um princípio verdadeiro, justo e indiscutível: o da Tolerância Religiosa. Mas, enquanto a Tolerância Religiosa diz que todos devem respeitar o direito alheio às crenças diferentes, o Pluralismo Religioso diz que todas as religiões são igualmente válidas, boas e amorosas.

E caso você não concorde com isto, será acusado de “intolerante”. O truque retórico de name-calling é o mesmo de sempre. É o que faz com que pessoas que acreditam em igualdade racial, mas não no sistema de cotas sejam acusadas de “racistas”.

Ou que aceitam a liberdade sexual de adultos, mas não concordam com distribuição de cartilha-gays para crianças em escolas sejam acusados de “homofóbicos”. Ou mesmo, aos que acreditam em Justiça, mas não em justiça social, sejam chamados de “opressores” e “fascistas”.

Para afirmar um princípio falso, se escondem covardemente atrás de um princípio verdadeiro, em um expediente repetido ad nauseam. Quem discorda é atacado pessoalmente, eliminando a necessidade de discussão do assunto. Afinal, ninguém discute com um “intolerante”.

A Tolerância Religiosa é uma característica predominante nas sociedades cristãs ocidentais há pelo menos 200 anos. Seu direito está garantido logo na Primeira Emenda da Constituição Americana (desde 1791) e reproduzida de uma maneira ou de outra em quase todas as constituições das democracias cristãs ocidentais.

No Brasil, a liberdade de culto privado está prevista desde a primeira Constituição do Império de 1824 e, sem restrições, desde 1891. O caso, é claro, é bastante diferente em todos os países comunistas, incluindo a China, onde cristãos missionários trabalham de forma clandestina e sob risco de morte.

Na Índia, é crescente a perseguição a cristãos por extremistas hindus, com apedrejamentos, mortes, expulsões e destruição de igrejas, principalmente nas localidades governadas pelo partido BJP. Há leis anti-conversão em várias localidades e não são permitidas novas construções ou mesmo reformas de igrejas existentes.

Mas nada supera a chacina de cristãos nos países de maioria religiosa muçulmana. Em grande parte destas nações, o cristianismo é punido com a morte, prisão ou até a perda da guarda dos filhos. Em quase todos, converter um muçulmano, é crime.

O número de cristãos mortos por sua fé superam anualmente os cem mil – incluindo, mulheres, crianças e bebês, com direito à filmagens e vídeos no Youtube. São cerca 150 milhões de cristãos perseguidos de alguma forma, somando 80% do total das perseguições religiosas no mundo e fazendo do cristianismo a minoria mais oprimida de todo o planeta.

Seja como for, você pode ter a religião que quiser ou nenhuma religião, mas não pode deixar de reconhecer que o cristianismo é diferente de tudo. Os valores cristãos criaram a sociedade mais próspera, mais livre, mais justa e mais caridosa que já pisou na terra em qualquer tempo.

A mesma sociedade que criou os hospitais, as universidades, a imprensa, revolução industrial, a revolução científica, a revolução tecnológica e tanto mais. Os mesmos cristãos que praticam mais caridade do que todos os outros povos do mundo combinados, todos os anos.

Sendo ainda mais claro: assim como o amor ao próximo, o valor do indivíduo, os direitos às liberdades fundamentais, as igualdades de direitos entre todos são valores cristãos. Como diz o comentarista político indiano-americano, Dinesh D’Souza, você pode discordar e dizer que existem em todos os povos, mas depois de fazer alguma pesquisa, terá de se render ao inevitável.

Caso seja um pouco preguiçoso, basta procurar qualquer destes princípios nas sociedades não-cristãs. Será muito divertido ouvir sobre a igualdade no sistema de castas hindu, a noção de indivíduo entre budistas, sobre os Direitos Naturais em países ateus ou, é claro, sobre o amor ao pecador em países muçulmanos.

* Paulo Figueiredo Filho cursou Comunicac?a?o Social e Economia na PUC-Rio, é bacharel em Filosofia e diretor do Instituto Liberal.



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