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Com a queda da Selic, haverá um aumento em investimentos de renda variável?

Com a queda da Selic, haverá um aumento em investimentos de renda variável?

16/07/2020 Gustavo Vaz

O mundo de investimentos é formado por tomadas de decisões. Um balanço entre a racionalidade e o sentimentalismo baseado nas necessidades de cada indivíduo.

Investir não é só um meio para a realização de sonhos, mas também uma obrigação, caso uma pessoa queira se proteger contra eventualidades da vida, como necessidades médicas, o conserto do carro ou uma mudança repentina de emprego.

Mas com tantos produtos financeiros existentes, dúvidas são criadas sobre qual seria a melhor maneira de alocar os seus recursos.

E para entender um pouco sobre isto é necessário conhecer os quatro pilares que formam a fundação dos investimentos.

Os pilares são: o primeiro montante, os valores de aportes – mensais, bimestrais ou esporádicos –, o tempo e o risco.

Eles não só compõem a tomada de decisão de qualquer alocação de recursos, como também são fundamentais para a liberdade financeira.

Os três primeiros pilares são de certa forma intuitivos, mas o risco já é um conceito mais subjetivo. Este último pilar é muitas vezes visto como apenas uma oscilação de bolsa, mas na verdade ele é muito mais do que isso.

Os riscos podem ser caracterizados pela incapacidade de resgate de um investimento e sua posterior transformação em caixa – o que podemos chamar de liquidez –, ou a imprevisibilidade de uma crise pandêmica como a de hoje, ou até mesmo, os custos de um investimento que não traz tanto retorno se comparado a uma outra oportunidade que lhe foi apresentada.

Mesmo entendendo estes conceitos, muitas vezes é difícil para o investidor perceber o risco. Em algumas situações, ele é totalmente imperceptível.

No entanto, uma coisa que sabemos intuitivamente é que se existe um risco, é necessário um retorno à altura para compensá-lo. A taxa de juros que conhecemos como Selic é uma das maneiras para se entender este retorno.

A taxa de juros Selic é em resumo, a remuneração mínima pelo risco corrido aqui no Brasil, e desta maneira pode ser usada como ponto de partida para a tomada de decisão em investimentos.

Em um passado não muito distante, essa taxa quase atingiu os 14% ao ano, e hoje ela se encontra em 2,25% ao ano.

Mas o que isso significa? Como o grau de complexidade para responder a essa pergunta é de uma dimensão bastante grande, podemos inferir de maneira simples, que a remuneração pelo risco corrido no Brasil diminuiu bastante, e que antes, quando um investidor buscava por um investimento, ele poderia ser bem remunerado tanto em renda variável na bolsa de valores quanto na renda fixa em investimentos mais seguros.

Mas como foi explicado no início deste artigo, a tomada de decisão possui um lado racional, que geralmente, faz com que as pessoas busquem por maiores rendimentos, que ofereçam níveis de riscos compatíveis com as suas realidades.

Dessa maneira, vivemos historicamente em um país de rentistas, pois não fazia muito sentido um investidor se aventurar na bolsa de valores, já que podia ser bem remunerado com um risco muito menor ao investir em renda fixa.

Entretanto, esta história agora mudou. As rendas fixas que seguem a taxa Selic como parâmetro de remuneração, não conseguem mais pagar altos juros para os seus compradores.

Isso acaba abrindo um enorme espaço para a diversificação de portfólios e adoção de ativos mais arriscados e com melhores rendimentos.

Hoje, mais de 50% da população dos Estados Unidos possui investimentos em renda variável – dados que podem ser encontrados em uma pesquisa realizada pela empresa de pesquisa de opinião, Gallup, nos meses de março e abril. No Brasil, cerca de apenas 2% da população, investe neste tipo de risco.

Isto demonstra o quanto este mercado ainda é subdesenvolvido por aqui, mas ao mesmo tempo, também evidencia o seu enorme potencial de crescimento, pois um incremento de mais 2% na participação da população, já seria um aumento de 100% do que já existe hoje.

Com todos estes fatores, considerando as possíveis reformas tributárias e administrativas, que ainda podem ocorrer durante o governo atual, não só é possível esperar pelo aumento de investidores em renda variável, mas é fato que essa elevação já está ocorrendo substancialmente em nosso país.

* Gustavo Vaz é assessor de renda variável na Atrio investimentos.

Fonte: Naves Coelho Comunicação



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