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Na liderança e nos negócios, não existe o “novo normal” após a Covid-19

Na liderança e nos negócios, não existe o “novo normal” após a Covid-19

23/07/2020 Marcelo Miranda

Não acredito que exista essa de “novo normal” após os impactos da Covid-19, tanto aqui na Espanha, onde vivo, quanto no Brasil e nos demais países.

O mundo e a sociedade sempre estiveram em constante mudança, com algumas sendo mais abruptas do que outras.

Então, mesmo depois do impacto da pandemia em nossas vidas, não podemos pensar que o normal será novo, fruto dos aprendizados e das transformações que estamos vivenciando.

Em outras palavras, quando ele chegar, o suposto “novo normal”, já não será novo e nem normal.

Para quem, assim como eu, gosta de gestão de pessoas, estuda e pratica liderança, a pandemia deixou claro o quanto somos frágeis como seres humanos, empresas e sociedades.

Os cenários que pensamos não são suficientes, pois tudo pode mudar. Sendo assim, na realidade dos líderes, não basta assumir uma mentalidade positiva, é preciso agir.

Na liderança, não há tempo de esperar por um “novo normal” ou por um “quando tudo isso passar”. Se não for a Covid-19, será outro desafio que baterá à porta.

Na Espanha, tudo foi muito forte e inesperado. O país foi um dos primeiros a serem atingidos pelo novo coronavírus. Agora, está em fase de abertura gradual, após um rigoroso lockdown imposto pelo governo.

Apesar do conjunto de medidas tomadas terem sido efetivas para reduzir o número de contaminados e mortos, houve relevantes consequências na economia, como as previsões de queda no PIB de mais de 15% para o ano – algo que não acontecia desde as Guerras Mundiais.

O momento da sobrevivência foi aquele no qual, apesar do choque inicial, as empresas reconheceram a necessidade de proteger seus funcionários, ainda que o caixa fosse uma enorme preocupação.

Por sermos uma empresa de produção industrial, enxergamos a necessidade imediata de implementar medidas de segurança para garantir a saúde dos trabalhadores.

EPI adequados para todos foi o mínimo entre as necessidades, sem falar do trabalho remoto como solução para determinadas áreas.

Um grupo interno ficou responsável por adequar as instalações, criando novos procedimentos para garantir a distância mínima entre as pessoas, novos vestiários, refeitórios, além da higienização diária de fábricas e escritórios.

Para manter o funcionamento foi preciso investir, mas não há sobrevivência sem agir. No entanto, a mudança nem sempre é bem-vinda. Nós, seres humanos, temos receio do desconhecido.

É por isso que transformar processos em uma empresa só é possível através de uma comunicação clara e constante. Liderança envolve humildade e honestidade para dizer que não sabemos todas as respostas.

Por outro lado, se mantemos a clareza sobre os esforços que estão sendo tomados para proteger a saúde e o emprego das pessoas, é possível alinhar combinados e expectativas, transformando a participação em um sentimento de pertencimento, baseado no instinto de luta que temos em situações de risco.

Nesse sentido, o que observei na Espanha, foi como as empresas precisaram correr atrás de reposicionamento em um novo cenário, adequando seus produtos e serviços.

Apesar das dúvidas, faz parte da sobrevivência buscar transformações. Para isso, a agilidade é um diferencial. Garantir as operações no curto prazo e a implementação das medidas de segurança são alguns dos exemplos.

Há certas coisas que não podem esperar quando o objetivo é continuar. Por isso, não espere qualquer autoridade determinar algo que você já sabe que é essencial para seu negócio durante uma crise.

Flexibilidade também faz parte dessa decisão rápida. Monitorar os benefícios disponíveis pelo governo (que em nosso caso não estavam presentes), ou buscar estratégias financeiras para melhorar o capital de giro, com bancos, clientes e fornecedores, são algumas das alternativas.

Mas não espere das autoridades soluções prontas de liquidez ou socorro. É imprescindível percorrer todas as alternativas de liquidez para proteger o fluxo de caixa da empresa.

Isso é gestão de crise na prática e, para isso, o alinhamento das pessoas a um propósito e uma organização ágil e horizontal ajudam bastante.

É a colaboração em toda a cadeia que garante parcerias, de clientes a fornecedores, mostrando que é possível seguir operando.

Portanto, é nesses momentos de intensa transformação que o líder tem o papel decisivo de manter o foco. É papel indelegável do líder direcionar com atitudes e exemplos.

Quanto antes o líder se posicionar, mais terá os colaboradores alinhados com suas atitudes, ainda que as decisões não sejam as que mais agradam a todos.

A busca demasiada pelo consenso em momentos como esses pode ser perigosa. É o nosso poder de ação que determina os resultados.

Nas incertezas, não é possível prever o que vai dar certo, mas existem caminhos e adaptações. Logo, é preciso apostar em cada pessoa, em suas habilidades e capacidades, pois as pessoas são a diferença.

* Marcelo Miranda é CEO da Consolis Tecnyconta.

Fonte: Hipertexto Comunicação Empresarial



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