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Taxa Selic a 3% e os indícios de novos cortes

Taxa Selic a 3% e os indícios de novos cortes

22/05/2020 Rodrigo Alcântara

O que isso significa?

A taxa básica da economia, a Selic, aparece recorrentemente nos noticiários e sabemos que ela afeta de alguma forma a economia e os investimentos.

No dia 6 desse mês, o Banco Central definiu a redução dessa taxa meta em 0,75%, assim, ela deixou de ser 3,75 ao ano e agora é 3%.

Mas como funciona esse dinamismo de alteração da taxa de juros Selic e qual é, de fato, o impacto e significado destas alterações em nossas vidas?

O Sistema Especial de Liquidação de Custódia (Selic), não é nada mais que um sistema do Banco Central, que é responsável por registrar praticamente todas as transações de títulos do Tesouro Nacional, e desta maneira, gerencia o fluxo de compra e venda destes títulos pelos bancos.

O Banco Central também obriga os bancos a deixarem um caixa da instituição, uma espécie de reserva, diariamente em uma conta na própria instituição financeira.

Ou seja, os bancos precisam deixar suas contas equilibradas todos os dias com o Banco Central e a Selic registra todas as transações de títulos realizadas pelos mesmos.

O objetivo desse controle de caixa dos bancos e registro de negociações de títulos é simples, não deixar com que a economia real fique com excesso de dinheiro em circulação, o que consequentemente, tende a aumentar o consumo e, logo em seguida, os níveis de preços dos produtos, ou seja, a inflação.

Como os bancos precisam “prestar contas” ao Banco Central diariamente, pode acontecer de um deles precisar de recursos para equilibrar as suas contas. Para isso, o governo remunera o segundo banco, que empresta o recurso ao banco solicitante.

Esse “empréstimo” é baseado e garantido por títulos do Tesouro Nacional, e por isso, essa média ponderada, ajustada e anualizada das negociações é chamada de Taxa Selic.

Não confundam com o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que tem o mesmo objetivo de empréstimo de recursos entre bancos, mas não leva a garantia dos títulos e sim o próprio recurso financeiro dos bancos. Normalmente, a Selic e o CDI oscilam juntos, sendo o CDI um pouco menor que a Selic.

O que normalmente escutamos nos noticiários é que “o Banco Central, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), cortou a taxa de juros Selic” e acaba deixando um questionamento: por que o Banco Central intervém com cortes ou incremento da Selic?

Como eu disse, ele precisa controlar os níveis de preços, a inflação, e com isso utiliza a meta da taxa Selic – que é votada na reunião do Copom – como ferramenta de política monetária.

Ou seja, o governo, por meio do Banco Central, consegue decidir por alterar essa taxa para controlar a inflação, reduzindo ou aumentando o fluxo de dinheiro na economia.

Quando a Selic está alta, normalmente as pessoas são influenciadas a comprar títulos do governo e títulos de renda fixa – que possuem baixo risco – e deixam de consumir no presente, o que acaba reduzindo o fluxo de dinheiro na economia.

Quando a taxa de juros está baixa, a tendência é que as pessoas troquem o consumo futuro pelo consumo presente, estimulando assim o comércio e aumentando a liquidez – quantidade de dinheiro que está livre para consumo e investimento – no mercado.

Essa taxa também é importante para outros fatores. A Selic, além de ser usada como referência para remunerar investimentos, também é aplicada em empréstimos de bancos às famílias e empresas, por exemplo.

Quando a taxa de juros está em patamares baixos, as pessoas tendem a empreender mais, arriscar em investimentos de bolsa de valores e até mesmo aumentar o consumo da família.

Mas quando a taxa está em patamares elevados, a população tende a ficar desestimulada a consumir e empreender.

Dados retirados dos indicadores econômicos do Serasa Experian e do Banco Central, apontam que em anos de taxas de juros alta, como em 2016, que chegou ao patamar de 14,25% ao ano, aproximadamente 1,9 milhão de empresas foram criadas.

Já em 2019, ano passado, que finalizamos com a menor taxa de juros já vista no Brasil, no patamar de 4,5% ao ano, tivemos o nascimento de aproximadamente 3,1 milhões de empresas, ou seja, houve um aumento de 63%.

Para que arriscar ganhar uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 13% ao ano criando uma empresa, se eu posso simplesmente comprar um título do governo que rende isso, não é verdade?

No cenário atual, com a pandemia de Covid-19, não é diferente. O governo chegou a reduzir drasticamente a taxa de juros Selic, com o intuito de animar a economia e fazer com que as pessoas voltassem a consumir.

Isso desestimulou o investimento de baixo risco – que foi uma das causas que levaram os estrangeiros a pararem de comprar estes títulos –, e o mais importante, impulsionou o crédito e o empréstimo.

O crédito com baixo custo se torna essencial nesse momento, pois pode contribuir para que as empresas mantenham os empregos de seus funcionários, continuem funcionando, gerem oferta e, com esperança, permaneçam saudáveis para fomentar a retomada do equilíbrio e ritmo econômico natural de oferta e demanda após a pandemia.

* Rodrigo Alcântara é economista e assessor de investimentos na Atrio Investimentos.

Fonte: Naves Coelho Comunicação



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