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Dicas de turismo no Vale do Reno

Dicas de turismo no Vale do Reno

02/10/2018 Carlos Albuquerque

A Rota dos Castelos tem a maior densidade mundial de palácios e fortificações ao longo do rio que atrai turistas de todo o mundo.

Dicas de turismo no Vale do Reno

O rio Reno, com seus mais de 1,2 mil quilômetros de extensão, atravessa uma paisagem cultural única no centro da Europa. E já na origem celta de seu nome ("água corrente"), ele carrega consigo o seu destino: é a principal via de navegação fluvial do continente.

Da nascente à foz, o Reno atravessa a Suíça, Áustria, Alemanha e Holanda, separando ainda Liechtenstein do território suíço e a França do território alemão. Mas é na Alemanha onde o Reno deixa a sua marca mais indelével: por volta de 75% de sua extensão se encontram em terras alemãs, sendo a maior parte navegável.

Já na Antiguidade, os romanos dominaram a margem esquerda do Reno. Foram eles que construíram as primeiras pontes e fundaram as primeiras cidades, nascidas a partir de assentamentos militares ao longo do rio.

E foram também os romanos que introduziram a viticultura, trazendo prosperidade para a região do Médio Reno, uma das mais quentes e secas da Europa Central, com condições ideais para o plantio de parreiras.

Os romanos dominaram a região até o início do século 5°, depois vieram os alamanos, francos e carolíngios. Assim, desde a Antiguidade, o curso do Reno é uma das mais importantes rotas comerciais e de tráfego da Europa Central, interligando o sul ao norte do continente, trazendo viajantes, comerciantes, soldados e mercadorias desde os Alpes até o Mar do Norte.

Por mais variada e atraente que seja a inserção do Reno na paisagem, nenhum trecho é mais fascinante que o Vale do Alto Médio Reno, marcado por falésias altas e escarpadas. Na Idade Média, esse estreito vale entre as cidades de Koblenz e Bingen foi ferozmente disputado – no cabo de guerra pelos lucrativos rendimentos gerados pelas taxas que os navios que eram obrigados a pagar.

Os inúmeros castelos e ruínas ainda são testemunhos dos grandes confrontos no Reno e marcam com seu charme romântico a imagem dessa paisagem natural e cultural única. Não foi à toa que o Vale do Alto Médio Reno foi elevado a Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 2002.

Nos 65 quilômetros de extensão desse Patrimônio Mundial, espalham-se 16 castelos na margem esquerda do Reno, entre Bingen e Koblenz, e 14 na margem direita, entre Rüdesheim e Lahnstein, no total são cerca de 40 castelos, palácios e fortalezas – a maior densidade do mundo.

Essa alta densidade se deve à profunda incisão do Reno nas montanhas de ardósia da região. O trecho facilmente controlável da hidrovia renana teve enorme importância estratégica a partir da lucrativa receita alfandegária. A situação ficou ainda mais complicada pelas disputas entre as diferentes dinastias (as arquidioceses de Colônia, Mainz e Trier e os condados palatinos e landgraves hessianos).

Dependendo da situação topográfica, as instalações foram diferenciadas em castelos de montanha (Höhenburgen), castelos de colina (Hangburgen), castelos de planície (Niederungsburgen) e castelos com fosso (Wasserburgen).As fortalezas à prova de balas surgiram após o uso de pólvora em canhões a partir do fim da Idade Média.

Com o passar do tempo, os castelos sucumbiram ou foram transformados em fortalezas. Houve várias ondas de destruição, como a ordenada pelo rei francês Luís 14 no final do século 17 e a explosão das fortalezas sob a ordem de Napoleão no início do século 19. Somente duas instalações sobreviveram, o resto ficou em ruínas.

Com suas lendas e mitos, o romantismo que hoje atrai dezenas de milhões de turistas anualmente ao Vale do Reno não surgiu na Idade Média, mas no século 19. Nesse período, foram abolidas as taxas alfandegárias, enquanto cenários naturais selvagens e inalterados atraíram pintores, poetas e músicos – numa época em que a industrialização mudava paisagens inteiras e destruía habitats.

Com o fim das Guerras Napoleônicas, vieram os ingleses – milhares de turistas inspirados por romances de cavalaria e por uma onda romântica que, de certa forma, perdura até hoje. Além do romantismo, as correntes nacionalistas germânicas do século 19 fizeram com que muitos cidadãos abastados adquirissem e reformassem os castelos a seu gosto. Com os ingleses começou o turismo no Vale do Reno.

Em 1827, foi estabelecida a primeira linha de navio a vapor sobre o Reno, diminuindo o tempo de viagem entre Colônia e Mainz de 14 para um dia. Em 1828, foi publicado em Koblenz, pelo livreiro August Baedeker, o primeiro manual para viajantes – Rheinreise von Mainz bis Cöln (Viagem pelo Reno de Mainz a Colônia). O Baedeker tornou-se ao longo do tempo uma referência em guias de viagem.

Em meados do século 19, foram construídas as primeiras linhas ferroviárias. Hoje, mais de 400 trens atravessam diariamente os 180 quilômetros do trecho entre Colônia e Mainz, sem dúvida um dos trechos ferroviários mais belos da Europa.

Rodovias e ferrovias margeiam o rio, assim, o Vale do Reno pode ser explorado de navio, de carro, de trem, de bicicleta ou até mesmo a pé. Se você tem pouco tempo e pretende somente "dar uma olhadinha", fique atento que a linha férrea dos trens-bala (ICE) não margeia o Reno.

Ao longo do Reno trafegam trens regionais e os IC (Intercity). A viagem de Colônia a Mainz com o IC leva, por exemplo, pouco menos de duas horas. É bom lembrar que o trecho de Koblenz a Bonn, ao sul de Colônia, é chamado de Vale do Baixo Médio Reno e também guardas várias atrações dignas de uma visita, como as ruínas do Castelo Drachenfels e o Palácio Drachenburg, situados num vilarejo na margem direita do Reno, chamado Königswinter, ao sul de Bonn.

O Drachenfels (rochedo do dragão) é um dos cenários dos muitos mitos do Vale do Reno. Consta que ali Siegfried venceu o dragão que vigiava a princesa aprisionada. Mas talvez a mais conhecida das lendas seja a da Loreley, uma sereia de beleza incomparável e longos cabelos dourados que morava num penhasco entre as cidades de St. Goarshausen e Kaub. Nas noites de lua cheia, ela entoava um irresistível canto que fazia os navegantes esquecerem o leme, conduzindo seus barcos contra as rochas naquele perigoso trecho do rio.

Para quem não pretende explorar todo o Vale do Médio Reno, no entanto, a melhor opção é mesmo se restringir às cidades, vilarejos e castelos entre Mainz e Koblenz, trecho onde se encontra a maior parte das atrações – inclusive o rochedo da Loreley – e conhecido como Rota dos Castelos.

Como a maioria dos brasileiros entra na Alemanha a partir do Aeroporto de Frankfurt, é aconselhável um primeiro pernoite em Mainz, que fica a cerca de meia hora de trem do aeroporto. Ou, se preferir, pode pernoitar em Rüdesheim, onde se inicia a viagem de conto de fadas pelo Vale do Reno.

Movimentar-se entre as cidades é muito fácil. Para os ciclistas, é bom lembrar que devem circular pelo lado esquerdo do Reno, entre Bingen e Koblenz, pois há interrupções na ciclovia do lado direito. É possível conhecer a região de carro ou de trem, mas a forma mais charmosa ainda é de navio, de onde se pode ter uma vista única dos castelos e pequenos vilarejos românticos ao longo do rio.

Há várias empresas de barco que operam no Vale do Médio Reno. A mais conhecida é a Köln-Düsseldorf (K-D), que inicia o trajeto já a partir de Düsseldorf, cobrindo também Colônia, Bonn, Vale do Mosela e Frankfurt. Os barcos da KD oferecem vários tipos de tours e também funcionam no sistema "hop on, hop off", ou seja, você compra um tíquete para um dia e pode descer na cidade ou vilarejo que desejar.

Há ainda linhas de barcos locais que cobrem distâncias mais curtas no Vale do Alto Médio Reno, como as empresas Loreley-Linie Weinand, Bingen-Rüdesheimer Fahrgastschifffahrt e Rössler-Linie. É possível também uma combinação intermodal, escolhendo três ou quatro cidades de base e, a partir delas, visitar as demais de trem ou ônibus. As paradas de barco são geralmente próximas das estações de trem.

Para os amantes de caminhadas, entre Bonn e Wiesbaden, a trilha Rheinsteig oferece, em oito etapas, 320 quilômetros de vias íngremes e estreitas ao longo de vinhedos, florestas e paisagens exuberantes na margem direita do Reno. A etapa mais interessante passa pela parte mais estreita do Reno, entre Kaub e St. Goarshausen, com 22 quilômetros de trilhas íngremes e pontos de observação com vistas panorâmicas incríveis.

Melhor época para visitar

Dependendo da preferência pessoal, o Reno pode ser visitado durante todo o ano, pois cada estação tem o seu charme, mas, para os que querem atravessar o rio por navio, a melhor época é entre março e novembro.

Se você for entre maio e setembro, fique atento para as datas do evento Rhein in Flammen (Reno em chamas), quando acontece a famosa queima de fogo de artifícios, acompanhado de um desfile de navios sobre o Reno.

Muitos preferem, no entanto, o final do verão europeu ou outono (fins de setembro a início de novembro). Além do colorido das folhagens nas margens do Reno, as temperaturas ainda estão relativamente amenas e essa é a época da colheita das uvas e das festas dos vinho em muitas cidadezinhas da região.

Mas também não faltam aqueles que preferem viajar no Carnaval, outra especialidade renana, ou durante a época natalina, com as cidadezinhas se transformando numa grande feirinha de Natal.

Onde se hospedar

Com tantas cidades e vilarejos ao longo do caminho, a grande pergunta continua a ser onde se hospedar. Cidades maiores, como Mainz ou Koblenz, oferecem mais opções noturnas e gastronômicas. As cidades menores são mais pitorescas e mais relaxantes. Rüdesheim, por exemplo,é uma das mais conhecidas da rota, mas alguns preferem pernoitar no vilarejo vizinho Assmannhausen. Já Boppard, mais ao norte, é uma das cidadezinhas mais visitadas por turistas de todo o mundo.

E também não se esqueça de provar o vinho branco da região, principalmente da casta Riesling. Embora a importância da viticultura tenha diminuído drasticamente desde o século 19, há ainda dezenas de viticultores no Vale do Médio Reno entre Bingen e Bonn, alguns deles oferecem visitação pública, prova de vinhos e mesmo hospedagem. Aqui você encontra uma lista de vinícolas.



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