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Os desafios econômicos do envelhecimento da população

Os desafios econômicos do envelhecimento da população

16/03/2016 Bob Stammers

Embora os desafios do envelhecimento da população sejam complexos, são também parte do senso comum.

Os desafios econômicos do envelhecimento da população

É comum encontrar pesquisas e relatórios que apontam para os diversos riscos financeiros aos quais os investidores estão expostos.

De questões econômicas às taxas de juros, o preço flutuante das commodities e alterações de fundamentos de uma classe específica de ativos, parece não faltar questões – sejam reais ou potenciais – com as quais se preocupar.

É raro, no entanto, encontrar relatórios que tentam destacar alguns riscos subestimados com potencial de ameaça aos mercados financeiros. O risco mais subestimado é o político, de acordo com mais de 5 mil profissionais de investimento do Brasil e todo o mundo, que participaram do último estudo anual CFA Institute Percepção do Mercado Financeiro Global (GMSS - Global Market Sentiment Survey).

A avaliação dos riscos políticos é, no entanto, inerentemente difícil, pois envolve variáveis imprevisíveis que causam impacto quer as ameaças ou problemas antecipados se materializem ou não - ou mesmo se outros surgirem para tomar seu lugar.

Por outro lado, o segundo risco mais subestimado em todo o mundo é claro como a luz do dia: o envelhecimento da população. Embora os desafios do envelhecimento da população sejam complexos, são também parte do senso comum.

O cerne do problema é que muitas pessoas apresentam uma certa incapacidade ou falta de motivação para economizar adequadamente para o longo prazo, tornando-se portanto despreparadas para compensar a diferença entre a aposentadoria do governo e o que é necessário para manter um determinado estilo de vida.

Isso coloca pressão sobre os governos, além de gerar um custo social. Por outro lado, os governos de alguns países estão igualmente mal equipados para enfrentar o aumento dos custos das aposentadorias e dos direitos dos cidadãos, o que também gera um custo social.

Juntos, esses dois fatores têm o potencial de desestabilizar economias locais, nacionais e até mesmo globais. A magnitude potencial deste risco preocupa os membros do CFA Institute, constituído por profissionais de investimento de todo o mundo, incluindo gestores de carteira, analistas e executivos C-level.

A percepção de risco se deve ao fato de que a população de países como Japão, China, França, Espanha e África do Sul está envelhecendo rapidamente ou apresenta enormes lacunas no financiamento das aposentadorias e direitos dos cidadãos.

Este também é o caso do Brasil, onde a população idosa irá mais do que triplicar nas próximas quatro décadas, passando de menos de 20 milhões em 2010, para aproximadamente 65 milhões em 2050. Em abril de 2012, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global, descreveu a natureza do problema e do impacto financeiro da incapacidade dos governos em encontrar soluções adequadas para o mesmo.

Embora o impacto do envelhecimento da população e da impossibilidade dos cidadãos mais velhos de cobrir os gastos com pensões e aposentadorias possa não ser tão intensa no curto prazo, a incapacidade de encontrar uma solução para o longo prazo pode inflar os já altos níveis de dívida pública, gerando instabilidade financeira a longo prazo.

Um agravante do problema é a suposição de que as taxas de mortalidade possam estar sendo subestimadas pelos governos e gestores de aposentadorias devido à velocidade dos avanços da medicina e da atual capacidade das pessoas de viverem mais tempo.

Em outras palavras, um governo meramente capaz de apoiar os cidadãos que vivem até os 75 ou 80 anos encontrará sérias dificuldades se essas pessoas acabarem por viver 80, 85 ou 90 anos. De acordo com o FMI: "... se os indivíduos viverem três anos a mais que o esperado - em linha com informações subestimadas no passado - os já elevados custos do envelhecimento poderiam aumentar o PIB de 2010 em mais de 50% nos mercados avançados e 25% do PIB de mercados emergentes".

Em uma escala global, esse aumento chega a dezenas de trilhões de dólares americanos, elevando substancialmente os custos já conhecidos do envelhecimento. Quatro anos após a publicação do relatório do FMI, pouco foi feito para resolver o problema.

A resistência dos países em ensinar gestão financeira e de investimentos em escolas cria uma situação onde o cidadão médio é incapaz de tomar boas decisões financeiras e economizar seu dinheiro de maneira eficaz.

Além disso, os atuais recursos destinados à educação financeira e de investimento para adultos, da maneira como está sendo feito, não parece corrigir o problema. É claro que o cidadão médio do mundo não dispõe de ferramentas nem da legislatura para se preparar para viver outros 30 anos, ou mais, em aposentadoria.

Este presságio não é nada bom para o futuro. Afinal de contas, é fácil para as pessoas e para os governos adiarem as prioridades do futuro em face aos desafios imediatos.

Porém, a solução para a crise do envelhecimento não será resolvida exclusivamente por meio de ações governamentais, o que nos deixa duas opções: exigir uma mudança na percepção do público com relação a quem tem a responsabilidade final de financiar sua aposentadoria - ou substancialmente rebaixar as nossas expectativas com relação a como será a vida na idade avançada.

* Bob Stammers é CFA - diretor de Capacitação para Investidores do CFA Institute.



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