Portal O Debate
Grupo WhatsApp

É preciso se atentar aos cenários climáticos

É preciso se atentar aos cenários climáticos

04/02/2024 Alvaro Trilho

Os cenários climáticos constroem uma ampla gama de possibilidades e consequências, utilizando como base dados técnicos.

É preciso se atentar aos cenários climáticos

A Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP 28, realizada no final do ano passado, trouxe como principal ponto a transição energética, destacando o fim do uso dos combustíveis fósseis e o fortalecimento das energias renováveis.

Contudo, apesar dos importantes avanços desse encontro global, a Conferência terminou sem a definição clara de quando o uso dos combustíveis fósseis deverá se encerrar e quando podemos afirmar que completamos a transição energética.

Então, ao analisarmos esse quadro, percebemos que, infelizmente, estamos tomando decisões sem nos atentarmos aos cenários climáticos que estão sendo desenhados para o futuro e que já demonstraram claramente que não estamos conseguindo cumprir os objetivos do Acordo de Paris.

Os cenários climáticos, curiosamente, nasceram na década de 1970, em razão dos choques do preço do petróleo, desempenhando um papel importante de planejamento que manteve a estabilidade financeira a curto prazo e conseguiu gerir as transições do sistema energético a longo prazo. Inclusive, esta foi, também, uma das forças motrizes para a criação da Agência Internacional de Energia, cujos cenários são amplamente usados hoje para entender como o mundo pode descarbonizar.

De forma resumida, os cenários climáticos constroem uma ampla gama de possibilidades e consequências, utilizando como base dados técnicos, como tamanho das populações, consumos, emissões geradas, dentre outras. Graças ao crescimento do poder computacional, somos capazes de desenvolver cenários complexos, testar suposições e fazer análises de alta complexidade. Como resultado, temos cenários plausíveis, positivos e negativos, em margens definidas de tempo.

Ou seja, por meio dos cenários climáticos, conseguimos antever se as nossas decisões e ações terão os resultados esperados.

Por exemplo, o Acordo Climático de Paris, de 2015, estabeleceu planos rigorosos para limitar o aumento da temperatura média global em até 1,5°C acima da média pré-industrial até 2030.

Com base nos cenários climáticos, tendo como base 2022, conseguimos estimar que se até 2030 for emitido 320 Gigatoneladas de dióxido de carbono, temos 67% de possibilidade de conseguirmos manter a temperatura abaixo do 1,5ºC. Caso essa quantidade de emissões aumente para 420 Gt de CO2, a possibilidade cai para 50%.

Agora, de acordo com o renomado site de divulgações científicas IFLScience, em 2022 as emissões cresceram 0,9%, para um total de 36,8 gigatoneladas de dióxido de carbono. Em 2023, foi registrado um aumento de até 1,5% nas emissões de CO2.

Então, em uma matemática simples, se conseguirmos manter uma emissão anual de 37 Gt de CO2, que é aproximadamente o que foi emitido neste ano, até 2030, teremos emitidos cerca de 260 Gt na atmosfera. Ou seja, vamos ter uma probabilidade maior do que 67% para mantermos a temperatura na Terra estável.

Mas, como não destacamos um prazo para o fim do uso dos combustíveis fósseis fica impossível saber se isso será alcançado ou não.

Usando novamente a tecnologia dos cenários climáticos, tendo como base apenas o segmento de transportes e os contextos econômicos atuais, podemos prever que até 2030 teremos um aumento da emissão de dióxido de carbono. A emissão de CO2 vai crescer cerca de 27% na aviação; aproximadamente 7% na navegação; cerca de 15% nos veículos pesados; e quase 4% nos veículos leves.

Só que, com base nos cálculos, para alcançarmos as metas do Acordo de Paris, novamente tendo como base somente o segmento de transportes, até 2030 a aviação precisaria reduzir a emissão de CO2 em -0,51%, a navegação em 16,79%, os veículos pesados em 12,12% e os veículos leves em 11,64%.

Infelizmente, os números não mentem. O cenário climático precisa ser contemplado, não apenas no nível global, mas em todos os setores e segmentos, dos governamentais aos corporativos. Temos a tecnologia e o conhecimento a nosso favor. Precisamos usá-los. Caso contrário, teremos muitas conferências no futuro, que não trarão resultados.

* Álvaro Trilho é diretor de Risk & Analytics da WTW.

Para mais informações sobre energias renováveis clique aqui...

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Fonte: Grupo Virta



Quem cuida de quem cuida da gente? Uma reflexão sobre o meio ambiente

A educação ambiental vai muito além de apenas instruir a sociedade sobre práticas sustentáveis simples.

Autor: Francisco Carlo Oliver

Quem cuida de quem cuida da gente? Uma reflexão sobre o meio ambiente

Educação e cidadania: pilares para futuro sustentável

Investir nas pessoas no tempo presente é um princípio básico e pode ser uma das maneiras mais efetivas de garantir um futuro mais sustentável.

Autor: Antoninho Caron

Educação e cidadania: pilares para futuro sustentável

Reciclagem poderá pagar 27,5% em suas operações de venda à indústria

Apesar da importância para o meio ambiente e economia circular, o texto do novo regime fiscal deixou de fora tratamento diferenciado de tributação ao setor.

Autor: Divulgação

Reciclagem poderá pagar 27,5% em suas operações de venda à indústria

A importância da transparência na comunicação da sustentabilidade

É essencial que todas as informações e alegações sobre benefícios ambientais sejam apoiadas por evidências científicas confiáveis.

Autor: Daniela Santucci

A importância da transparência na comunicação da sustentabilidade

Reciclagem de lixo eletrônico cresce em 2023

Dados da cooperativa pioneira no tratamento de e-lixo mostram que a quantidade de materiais recebidos em 2023 cresceu quando comparado ao ano anterior.

Autor: Divulgação

Reciclagem de lixo eletrônico cresce em 2023

Degradação do planeta é pior do que imaginamos, alerta geólogo

Pesquisador em mudanças climáticas, explica como as ações humanas transformaram a Terra em um lugar imprevisível e perigoso.

Autor: Divulgação

Degradação do planeta é pior do que imaginamos, alerta geólogo

Mudanças climáticas e segurança hídrica

Detentor de uma das maiores bacias hídricas do planeta, com 10% da água doce de todo o mundo, o Brasil não está distante de enfrentar a falta de água.

Autor: Elzio Mistrelo

Mudanças climáticas e segurança hídrica

Projeto de conservação da Amazônia recebe investimento internacional

Iniciativa deve gerar créditos sustentáveis para compensar impactos ambientais com a preservação do meio ambiente e subsistência das comunidades locais.

Autor: Divulgação

Projeto de conservação da Amazônia recebe investimento internacional

Ansiedade climática – serve para alguma coisa?

Uma recente pesquisa da Google Trends indicou que as buscas sobre o tema “ansiedade climática”.

Autor: Alysson Diógenes

Ansiedade climática – serve para alguma coisa?

Medo de barata? Mitos e verdades sobre o inseto

Cosmopolitas, esses insetos habitam os mais diversos ambientes e são vetores de uma variedade de doenças, muitas delas associadas a bactérias.

Autor: Divulgação

Medo de barata? Mitos e verdades sobre o inseto

Mudanças climáticas: do medo às atitudes conscientes

A mudança climática é um tema que passou a fazer parte do dia a dia das pessoas.

Autor: Malu Nunes

Mudanças climáticas: do medo às atitudes conscientes

Neutralização de carbono só cresce no planeta

Em meio ao crescente desafio das mudanças climáticas, a neutralização de carbono emergiu como uma resposta crucial para mitigar os impactos ambientais.

Autor: Luiz Henrique Terhorst

Neutralização de carbono só cresce no planeta