Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Mudança climática gera incêndios mais frequentes e intensos

Mudança climática gera incêndios mais frequentes e intensos

27/08/2018 Ruby Russell, Charli Shield (av)

Em 2017, partes da Europa e da América foram devastadas por incêndios ao ar livre de grandes proporções.

O incêndio florestal que obrigou mais de 500 pessoas a deixarem suas casas em vilarejos próximos a Berlim na semana passada foi apenas mais um numa longa lista neste verão na Europa. Devido ao calor e à estiagem, países da região têm vivenciado temporadas de incêndios florestais mais longas e mais ferozes.

Na Europa Meridional, o intenso calor de verão cria campo fértil para o fogo. Mais de 80 pessoas morreram na Grécia em julho, quando o maior incêndio florestal numa década devastou a região turística de Mati, cerca de 28 quilômetros ao leste de Atenas. Milhares tiveram que ser evacuados, 1.500 casas foram danificadas, muitas destruídas.

Em Valência, Espanha, 2.500 moradores deixaram suas casas para escapar do fogo que atingiu quase 2.500 acres. Em Portugal, um incêndio irrompeu em Monchique, no Algarve, onde no princípio de agosto as temperaturas passaram de 45ºC.

Até mesmo os países escandinavos e bálticos como Noruega, Finlândia e Lituânia, tipicamente temperados, sofreram com as chamas. A Suécia registrou alguns dos maiores incêndios de sua história em julho último, o mais quente no país em 250 anos. O fogo não poupou nem mesmo partes do Ártico, onde as temperaturas do verão estiveram 10ºC acima da média.

Em 2017, mais de dez grandes incêndios atravessaram i o norte da Califórnia, matando 41 pessoas, destruindo 6 mil residências, devastando a famosa região vinícola local e gerando prejuízos de 2,7 bilhões de dólares. Até agora, essa foi a série de incêndios mais fatal e mais destrutiva na história do estado americano.

Em julho e agosto de 2018, quase 20 incêndios devastaram a Califórnia, e alguns ainda estão ativos. Seis bombeiros morreram no cumprimento de seu dever. Em 4 de agosto foi declarado estado de calamidade na Califórnia.

O maior desastre foi assim chamado "complexo Mendocino", uma junção de dois grandes focos no norte do estado, que queimou mais de 415 mil acres, 157 residências e 120 outros prédios. No que se refere ao futuro, não há um fim à vista para a onda de chamas varrendo o globo.

A província canadense da Colúmbia Britânica declarou estado de emergência em 15 de agosto, enquanto centenas de fogos descontrolados ardiam por seu território. Milhares de moradores foram evacuados, e 600 mil acres foram consumidos pelas chamas.

No ano anterior, essa região e a de Alberta já haviam tido a pior temporada de incêndios desde o início dos registros, com mais de 3,11 milhões de acres destruídos até meados de outubro.

Incêndios florestais são em geral deflagrados por relâmpagos ou por seres humanos, por descuido ou deliberadamente. Mas o fenômeno está se exacerbando devido às ondas de calor que, como advertem climatologistas, tendem a se tornar a norma.

"Conflagrações de fogo são uma característica natural dos verões, mas a alteração do clima está aumentando o risco", confirma Bob Ward, diretor de políticas e comunicação do Instituto Grantham de Pesquisa da Mudança Climática, em Londres.

A seca é um dos principais fatores intensificadores. Na Califórnia, no inverno anterior as chuvas foram poucas, secando a madeira e gerando combustível para os incêndios, explica Ward. Em relação à Grécia, "há indicações muito claras de que os países do norte do Mediterrâneo estão tendo secas mais frequentes e intensas, e isso se deve à mudança climática".

Segundo o especialista, pelas próximas três ou quatro décadas a humanidade não terá qualquer controle sobre a ocorrência das secas "porque elas estão “trancadas” pela concentração de gases-estufa que já se formou".

Em várias partes do mundo, os incêndios ao ar livre são parte do ciclo natural. As savanas, por exemplo, são mantidas pelo fogo: algumas árvores não só o sobrevivem como precisam dele para liberar suas sementes. A intervenção humana pode perturbar esses ciclos, como tem constatado a ciência da ecologia florestal.

O desmatamento de bosques antigos, por exemplo, eleva o risco de catástrofes. Uma vez que as árvores grandes e antigas mais provavelmente já sobreviveram a incêndios, elas tendem a ser mais resistentes do que plantas menores e mais jovens.

Apagar pequenos incêndios também permite que resíduos inflamáveis se acumulem, até que se deflagra um fogo colossal e incontrolável. Deixar os pequenos focos arderem e controlá-los é um meio efetivo de livrar-se da lenha seca. "Uma coisa que pode aumentar o risco de grandes incêndios, ironicamente, é a supressão do fogo", resume Bob Ward.

Para agravar, o aquecimento global gera condições mais quentes e secas, e ciclos de incêndio estão começando a se manifestar em áreas, como os trópicos, que não dispõem de uma ecologia natural do fogo.

Mas a mudança climática não é o único elemento de origem humana nessa equação. Incêndios também são iniciados por incautos que deixam cair cigarros acesos ou deixam fogueiras arder fora de controle, além de serem intensificados pela má gestão de terras.

Assim, segundo o especialista do Instituto Grantham, além da redução de emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa, os governos precisam esclarecer o público sobre os riscos de incêndios ao ar livre, e se deveria evitar construir em áreas sujeitas a incêndios.

"Para além disso, temos a opção – se reduzirmos as nossas emissões – de sustar essa tendência a secas mais fortes e mais frequentes. Mas isso depende de nós." 



Cada passo importa para um futuro sustentável

O ano de 2023 foi confirmado como o mais quente da história, de acordo com o observatório Copernicus Climate Change Service, da União Europeia.

Autor: Artur Grynbaum

Cada passo importa para um futuro sustentável

Como a análise do ciclo de vida reduz os impactos ambientais

A escolha de produtos sustentáveis ou produzidos de forma responsável, focando na redução de impactos ou geração de benefícios socioambientais, é cada vez mais importante para os consumidores. 

Autor: Mayara Zunckeller

Como a análise do ciclo de vida reduz os impactos ambientais

O mercado de carbono e suas perspectivas em 2024

Não dá pra falar sobre a importância das Soluções Baseadas na Natureza, como os projetos de carbono, sem avaliar as consequências das mudanças que o planeta vem sofrendo.

Autor: Diego Serrano

O mercado de carbono e suas perspectivas em 2024

Quem cuida de quem cuida da gente? Uma reflexão sobre o meio ambiente

A educação ambiental vai muito além de apenas instruir a sociedade sobre práticas sustentáveis simples.

Autor: Francisco Carlo Oliver

Quem cuida de quem cuida da gente? Uma reflexão sobre o meio ambiente

Educação e cidadania: pilares para futuro sustentável

Investir nas pessoas no tempo presente é um princípio básico e pode ser uma das maneiras mais efetivas de garantir um futuro mais sustentável.

Autor: Antoninho Caron

Educação e cidadania: pilares para futuro sustentável

Reciclagem poderá pagar 27,5% em suas operações de venda à indústria

Apesar da importância para o meio ambiente e economia circular, o texto do novo regime fiscal deixou de fora tratamento diferenciado de tributação ao setor.

Autor: Divulgação

Reciclagem poderá pagar 27,5% em suas operações de venda à indústria

A importância da transparência na comunicação da sustentabilidade

É essencial que todas as informações e alegações sobre benefícios ambientais sejam apoiadas por evidências científicas confiáveis.

Autor: Daniela Santucci

A importância da transparência na comunicação da sustentabilidade

Reciclagem de lixo eletrônico cresce em 2023

Dados da cooperativa pioneira no tratamento de e-lixo mostram que a quantidade de materiais recebidos em 2023 cresceu quando comparado ao ano anterior.

Autor: Divulgação

Reciclagem de lixo eletrônico cresce em 2023

Degradação do planeta é pior do que imaginamos, alerta geólogo

Pesquisador em mudanças climáticas, explica como as ações humanas transformaram a Terra em um lugar imprevisível e perigoso.

Autor: Divulgação

Degradação do planeta é pior do que imaginamos, alerta geólogo

Mudanças climáticas e segurança hídrica

Detentor de uma das maiores bacias hídricas do planeta, com 10% da água doce de todo o mundo, o Brasil não está distante de enfrentar a falta de água.

Autor: Elzio Mistrelo

Mudanças climáticas e segurança hídrica

Projeto de conservação da Amazônia recebe investimento internacional

Iniciativa deve gerar créditos sustentáveis para compensar impactos ambientais com a preservação do meio ambiente e subsistência das comunidades locais.

Autor: Divulgação

Projeto de conservação da Amazônia recebe investimento internacional

É preciso se atentar aos cenários climáticos

Os cenários climáticos constroem uma ampla gama de possibilidades e consequências, utilizando como base dados técnicos.

Autor: Alvaro Trilho

É preciso se atentar aos cenários climáticos