Portal O Debate
Grupo WhatsApp


O papel dos jovens frente a escalada da destruição da natureza

O papel dos jovens frente a escalada da destruição da natureza

07/06/2019 Clóvis Borges

Estimular os jovens ao exercício da cidadania não teria momento mais oportuno do que o atual.

Ao mesmo tempo em que observamos o incremento sem precedentes das pressões que ameaçam a agenda de proteção do meio ambiente, jovens em todo o mundo despertam para uma percepção de que, sem veementes protestos e cobranças que promovam ações concretas para frear o desatino dos tomadores de decisão, o mundo que estão recebendo tem poucas chances de lhes garantir uma boa qualidade de vida ou mesmo a própria sobrevivência.

Apesar das muitas evidências que demonstram a necessidade de mudanças, seguimos a toada da economia tradicional, norteadora irredutível do que e de quanto precisamos demandar do planeta; como fonte inesgotável de insumos para atender um mercado que precisa estar sempre em crescimento.

A busca efetiva por soluções que permitam equilibrar essa equação insustentável, posicionando a economia dentro de uma capacidade limitada de expansão – conforme o que a biosfera possa suportar –, ainda não está no centro das prioridades.

Ao contrário, temos proporcionado um protagonismo exploratório que gera impactos ambientais crescentes a despeito do surgimento de novas tecnologias, capazes de minimizar os efeitos negativos de nossas atividades no planeta.

É evidente que se continuamos a crescer e consumir cada vez mais, reduzimos os efeitos alardeados a partir dessas melhorias tão virtuosas.

Ao fundamentar a busca pelo bem-estar numa espiral infinita de agregação de bens e no aumento do consumo, sem responsabilizar-se pelas consequências absurdas dessas atitudes, uma fração significativa dos mais de 7 bilhões de seres humanos que habitam o planeta Terra demonstra uma impressionante e perigosa desconexão com a realidade.

Em vez de reagirmos às ameaças prementes que decorrem das mudanças no meio ambiente, nossa postura corrente é de assimilá-las com ceticismo e normalidade, gerando o menor alarde possível.

Na realidade, eventos climáticos extremos vêm sendo cada vem mais intensos e frequentes. E requerem processos de adaptação cada vez mais custosos.

Os enormes prejuízos sociais e econômicos decorrentes desses fenômenos são considerados uma "contingência natural" – uma fatalidade.

Por outro lado, pouco desse esforço de enfrentamento é destinado a minimizar, por exemplo, a continuada destruição de áreas naturais ou as emissões de gases pela queima de combustíveis fósseis. Esses, os principais fatores que ocasionam o aquecimento global e seus efeitos desastrosos.

Também damos muito pouca atenção à perda dos serviços ecossistêmicos, gerados a partir da existência de uma porcentagem significativa e suficiente de áreas naturais bem conservadas. A água é certamente o bem de valor mais reconhecido nesse aspecto.

Países como o Brasil carregam toda sua história de colonização a partir de atos de barbárie contra o patrimônio natural. Tão intensos, sem controle e que nunca cessam, tamanha a força econômica e política que impõe o desatino do continuado processo de degradação ambiental.

Mesmo assim, reconhecidos avanços das últimas décadas proporcionaram em nosso País a construção de legislações robustas para regrar o uso e proteção do meio ambiente.

A luta exemplar de poucos brasileiros gerou um arcabouço legal invejável e proporcionou a criação mais recente do Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

Criamos, nas últimas décadas, milhares de áreas naturais protegidas, públicas e privadas, visando garantir a conservação da biodiversidade, que neste momento vêm sendo ameaçadas.

Estimular os jovens ao exercício da cidadania não teria momento mais oportuno do que o atual: com um cenário caótico recentemente implantado, que incrementa os riscos dos problemas ambientais crescentes que vivemos.

Tal fato deve ser recebido como uma séria agressão. Mas também pode ser o estopim para refletir sobre o que representa o bem comum e a busca por respostas a um amplo conjunto de problemas criados pela nossa falta de atenção com a proteção ao meio ambiente.

Como admitir o envenenamento criminoso por dezenas de tipos de agrotóxicos proibidos na maioria dos países, contaminando os solos, os rios e nossa alimentação? Como aceitar atividades minerárias que geram passivos que trazem o terror e destruição previsível a centenas de comunidades? Como permitir a continuidade da destruição de áreas naturais para a expansão especulativa e desnecessária da exploração madeireira, da agricultura e da pecuária?

Como é possível ameaçar e desvalorizar as Unidades de Conservação do Brasil, um patrimônio natural que representa a essência de nossas raízes, capaz de gerar renda e empregos por meio de atividades de turismo de natureza? Por que discriminar e contestar os direitos de comunidades indígenas e tradicionais? É aceitável assimilar a aprovação de leis que liberam a caça em nosso País? E assim por diante…

Está com todos nós – em especial a partir de uma postura de maior contestação dos jovens – a demanda urgente de lutar por mudanças que são muito óbvias, mas ainda distantes de uma agenda de prioridades; tamanha a transgressão de gestões públicas cronicamente entregues às premissas do desenvolvimento a qualquer custo.

Não podemos ser um País tão medíocre que se vende barato com slogans como "Agro é Tudo". Um lugar sem respeito às leis, sem respeito aos limites éticos, sem respeito ao próximo, onde a coerência e o bom-senso são qualidades desmerecidas.

Não podemos continuar vivendo de resultados imediatos e falseados, que geram inacreditáveis passivos impostos a toda a sociedade e os contabiliza amargamente.

Esperamos que os jovens de todas as idades reflitam e abram espaço de contestação e resistência nesta triste e sombria Semana do Meio Ambiente, “comemorada” entre 1º e 5 de junho.

Que usem como inspiração o exemplo de dois ambientalistas ativos, com um rico currículo de conquistas e de excepcional perseverança: dona Íris Bigarella, de 96 anos, e o professor Alceo Magnanini, de 93, que diariamente mantêm-se na luta para tornar este País um lugar melhor a todos os seus filhos e para a Mãe Natureza.

São um exemplo de vida, de dignidade e de amor pelo Brasil e pelo planeta. E, por suas atitudes, mantêm-se mais jovens do que muitos de nós.

* Clóvis Borges é diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), integrante do Observatório Justiça e Conservação e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Fonte: Central Press



Ciclone bomba – entenda como se forma

É relativamente comum que ocorra na região sul brasileira nos meses de primavera e outono.

Ciclone bomba – entenda como se forma

AGU bloqueia R$ 570 milhões em bens de desmatadores da Amazônia

Objetivo é garantir recursos para a recuperação dos danos ambientais causados.

AGU bloqueia R$ 570 milhões em bens de desmatadores da Amazônia

Programa promove a coleta de mais de 450 toneladas de tampas de plástico

O Tampinha Legal já encaminhou mais de 250 milhões de tampinhas plásticas para a reciclagem.

Programa promove a coleta de mais de 450 toneladas de tampas de plástico

2020 – Seis meses de conquistas e desafios para setor orgânico

A primeira metade de 2020 foi atípica e, em muitos aspectos, assustadora para a maior parte do mercado, mas serviu como um bom teste de resistência para os orgânicos brasileiros e, consequentemente, para a Organis.


Você sabe como as tartarugas se comunicam? Ouça o som

Projeto divulga as primeiras gravações dos sons emitidos pelas tartarugas-da-amazônia – uma das espécies ameaçadas do Brasil.

Você sabe como as tartarugas se comunicam? Ouça o som

E a ciência?

Para falarmos do papel da OMS neste momento, precisamos entender qual é o papel da ciência.

E a ciência?

Empresas se unem para ampliar apoio aos catadores de materiais recicláveis

Tetra Pak e Klabin formam uma Corrente do Bem para manter auxílio por meio de causa disponível no aplicativo de impacto social Ribon.

Empresas se unem para ampliar apoio aos catadores de materiais recicláveis

Monitoramento indica que nuvem de gafanhotos não entrou no Brasil

Mapa continua em alerta e divulga manual com orientações para eventual controle da praga.

Monitoramento indica que nuvem de gafanhotos não entrou no Brasil

Minas passa a ser o terceiro estado a fazer reuso de água não potável no Brasil

Medida proporciona redução do aporte de poluentes nas bacias hidrográficas mineiras.

Minas passa a ser o terceiro estado a fazer reuso de água não potável no Brasil

Saiba mais sobre o contexto das questões ambientais no Brasil

O período de isolamento social, medida adotada para combate da COVID-19, trouxe à tona um tema frequentemente presente na agenda global: a preservação ambiental.


Compra e venda de usados evitou emissão de gases de efeito estufa em 2019

Impacto representa parar o trânsito de veículos na capital do Rio de Janeiro por 14 meses, aponta estudo.

Compra e venda de usados evitou emissão de gases de efeito estufa em 2019

Conheça as aves “românticas” do Brasil

Rico em biodiversidade, país abriga exemplos de demonstração afetiva em espécies-símbolo.

Conheça as aves “românticas” do Brasil