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Os impactos proporcionados pelos resíduos da construção civil

Os impactos proporcionados pelos resíduos da construção civil

13/08/2021 Edízio Filho

Segundo a Semad, os detritos gerados pela construção civil podem estar próximos de 70% da massa total de resíduos gerados nos municípios.

Os impactos proporcionados pelos resíduos da construção civil

Parece mentira que em pleno século XXI com tantas informações sobre os impactos do desgaste ambiental para o planeta e consequentemente os seus habitantes, pesquisas ainda apontam o alto índice de descartes irregulares por parte de setores industriais. Um exemplo bem atual são os descartes irregulares de entulhos em áreas urbanizadas. Nos grandes centros, especialmente, o problema pode revelar proporções catastróficas, causando pragas urbanas, enchentes e muitos problemas de saúde pública.

Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), os detritos gerados pela construção civil podem estar próximos de 70% da massa total de resíduos gerados nos municípios. Essa informação serve de alerta e requer atenção das empresas e profissionais deste segmento para repensarem os seus posicionamentos e das entidades e órgãos públicos para intensificarem as regulamentações relacionadas ao direcionamento dos resíduos gerados pelo setor.

Os resíduos da construção civil impactam negativamente os setores da economia, saúde e ambiente, ou seja, todos nós somos diretos ou indiretamente prejudicados com esse problema. E o mesmo acontece quando esse problema é solucionado de forma positiva, afetando toda a população com mudanças inteligentes e necessárias na gestão consciente da construção civil.  O controle da superprodução é um dos primeiros fatores, isso quer dizer que o desperdício precisa ser controlado. Se os custos da obra são diminuídos, também são reduzidos todos os impactos relacionados à produção desses resíduos. Os gastos com desperdício de materiais e o descarte de resíduos interferem tanto na empresa quanto para a sociedade num todo. Esse material que foi desperdiçado gera um custo para a empresa que, de forma inerente, transfere parte desse prejuízo para o consumidor final. E além disso, esses entulhos abandonados precisam ser recolhidos, sendo responsabilidade do poder público. E se o poder público tem gastos para recolher, logo a sociedade também tem.

O lado bom é que esses danos ao meio ambiente e à população não ficam impunes. O descumprimento da Lei Federal nº12.305, que estabelece as práticas (políticas) nacionais de resíduos sólidos, pode acarretar em multa ou embargo para os envolvidos.

Quero destacar um projeto divulgado pelo ministro Marcos Pontes, que merece aplausos e serve de exemplo. "No processo produtivo do mármore Bege Bahia, tipo específico encontrado na região de Ourolândia, no interior baiano, há uma grande geração de resíduos, pois somente cerca de 30% dos blocos extraídos das jazidas tem aproveitamento. Com o passar dos anos, o acúmulo deste material tem gerado problemas econômicos e ambientais para a região.

Diante desta demanda, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, organização social supervisionada pelo MCTI, em parceria com o Sebrae, investiu no desenvolvimento de cinco projetos de inovação, em parceria com o consórcio Assobege (Associação dos Empreendedores de Mármore Bege Bahia), para dar novas destinações a este material que seria descartado".

A melhor parte dessa notícia é que o desafio contou com 63 micro e pequenas empresas, que tinham o mesmo problema, ou seja, a perda significativa do pó de mármore e do cascalho. Como estavam fora do padrão, os empresários seguiram as recomendações dos projetos apresentados e adotaram o caminho correto que é o de atender a demanda social, econômica e ambiental.  

Hoje em dia, muitas empresas já atuam de forma a poupar os recursos naturais e contribuir para o equilíbrio ambiental. Práticas como a fabricação de produtos a partir do beneficiamento de resíduos de granito e mármore que seriam descartados no meio ambiente, além de não praticar a exploração de recursos finitos, proporciona o redirecionamento de resíduos que contribuiriam significativamente para uma sobrecarga na natureza.
Cabe a nós também, como sociedade, conhecer melhor sobre as origens dos produtos que consumimos para que as empresas repensem, mesmo que por pressão, os seus valores.

* Edízio Filho, Engenheiro Civil e Gerente Executivo da empresa de revestimentos sustentáveis Ecogranito.

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Fonte: Naves Coelho Comunicação



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