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A educação e o incentivo à leitura

A educação e o incentivo à leitura

13/07/2022 Luiz Carlos Amorim

Fui convidado a escrever sobre o que os governos devem fazer para incentivar o hábito da leitura no Brasil há um tempo atrás, por um grande jornal do Nordeste.

E este é um assunto que dá pano pra manga, pois nosso governo tem prometido repetidas vezes zerar o número de escolas e de cidades sem bibliotecas, em nosso país, mas isso ainda não aconteceu.

Outros programas oficiais tem sido implantados, mas o que funciona mesmo são as iniciativas privadas de pessoas e grupos abnegados e dedicados que colocam em prática suas ideias inovadoras e realmente colaboram para que um número maior de pessoas sejam incentivadas a ler mais.

Tenho falado desses casos por anos a fio e isso rendeu inúmeros artigos, porque esses casos bem sucedidos devem ser conhecidos e copiados.

Como exemplo desse tipo de iniciativa, temos o projeto “Ler é viajar sem sair do lugar”, da professora Marisa, de Joinville, que angaria livros para distribuí-los em hospitais, escolas, consultórios, etc., e um outro similar da professora Edna Matos, de Divinópolis, Minas Gerais, fazendo a diferença.

O Brasil precisa parar de destinar dinheiro público - muito dinheiro - para os partidos políticos, por exemplo, como se fez recentemente, diminuindo a verba dedicada à cultura e à educação.

Isso é descaso, desrespeito, para não dizer crime, pois o aumento da violência e da criminalidade em nosso país deve-se à baixa qualidade de nossa educação, deve-se à falência de nossa educação e à desvalorização da cultura pelos detentores do poder.

Num dia 23 de abril de um ano não muito distante, quando se comemora o Dia Mundial do Livro, o Congresso Brasileiro instalou a Frente Parlamentar Mista em defesa do livro, da leitura e da biblioteca.

Duzentos parlamentares assinaram requerimento para a criação da força tarefa legislativa em prol do incentivo ao hábito da leitura e, quem sabe, da melhora do acesso ao livro.

Esperávamos que realmente fosse implantado, mas não foi o que se viu: o tempo passou e tudo continua igual.  Esperávamos muito que funcionasse, mas não funcionou.

A verdade é que muito pouco se faz no Brasil para que o hábito da leitura seja assimilado pelos leitores em formação, para que se possa dizer, mais adiante, que o brasileiro está lendo mais.

Na contramão disso, o resultado da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil denunciou, há algum tempo, que o índice de leitura dos brasileiros caiu de 4,7 livros por pessoa para quatro títulos e o número de leitores caiu de 95 milhões e meio para 88 milhões.

E olhe que a população tem crescido muito. A principal causa disso é a falência da educação brasileira, relegada ao esquecimento pelos detentores do poder.

E a medida para melhorar esse estado de coisas é justamente melhorar o ensino público, estruturá-lo, dar a atenção e a importância que ele realmente tem, capacitar os professores e pagá-los dignamente.

O Estado precisa priorizar a educação e não desconstruí-la, como vem fazendo. Resgatar e valorizar a educação é uma coisa que precisa ser feita imediatamente. Pois já é muito tarde.

Além do descaso dos “governantes” para com a educação, tivemos a pandemia, que paralisou o ensino por dois anos. Uma educação já combalida não aguenta ainda mais isso.

Nossos alunos estão passando de ano sem base alguma, sem ter aprendido quase nada, e isso vai do primeiro grau até a universidade.

Que profissionais sairão das faculdades? Já não eram os melhores antes da pandemia, o que serão daqui pra diante? Muito preocupante.

* Luiz Carlos Amorim é escritor, editor e revisor.

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