Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Perdas e ganhos dos médicos “filhos” da pandemia

Perdas e ganhos dos médicos “filhos” da pandemia

21/10/2021 Juliano Gasparetto

A maioria das situações com as quais nos deparamos na vida tem dois lados. Ou, até, mais de dois.

Com a formação de futuros médicos em meio à pandemia, não é diferente. Não somente no Brasil, mas nos quatro cantos do mundo, a medicina e os hospitais tiveram que se desdobrar e se adaptar de inúmeras formas.

Embora a pandemia tenha trazido inúmeras tristezas, no quesito residência médica e ensino, é possível ressaltar peculiaridades do momento e enxergar o “copo meio cheio”.

Voltando à história, a última crise sanitária que se assemelha à qual vivemos hoje foi a da gripe espanhola, mais de 100 anos atrás.

Mesmo com a alta demanda e a sobrecarga no sistema de saúde, a covid-19 trouxe a oportunidade de os alunos de medicina aprenderem, fora das salas de aulas, a lidar com uma emergência sanitária de grandes proporções e com situações de estresse.

Foi possível realizar treinamento de calamidade e aprofundar o entendimento, na prática, de protocolos de catástrofes epidemiológicas.

O ganho foi ainda mais especial para a formação de médicos residentes, que participaram e seguem participando de atividades práticas dentro de nossos hospitais.

A pandemia também acelerou o processo de transformação digital do ensino, com aulas à distância, acontecendo em qualquer lugar, chegando mais longe e com trocas antes impensáveis.

Além disso, nos hospitais, aliada à tecnologia, surgiram novas oportunidades de exercer a assistência com o teleatendimento e a telemedicina.

Outro fator positivo a ser destacado é a valorização da área de saúde. Dados como os trazidos pelo estudo "Demografia Médica no Brasil 2020" reforçam esse pensamento: o país tem hoje mais do que o dobro de médicos que tinha no início do século.

Em 2000, eram 230.110 médicos. Em 2020, 502.475 profissionais. Nesse período, a relação de médico por mil habitantes também cresceu de forma significativa, passando de 1,41 para 2,4.

Cresceu também o interesse por cursos de graduação na área da saúde, como Medicina, Enfermagem, Biomedicina, Farmácia e Nutrição.

Segundo uma pesquisa global feita pela Pearson, dos 2 mil pais de adolescentes e jovens ouvidos, 64% disseram ter percebido maior preferência dos filhos por assuntos relacionados à ciência depois do surgimento da pandemia.

Mas é claro que, observando o cenário como um todo, também identificamos pontos negativos e dificuldades enfrentadas na formação dos futuros médicos.

A verdade é que todos os hospitais estão sobrecarregados e com o atendimento focado nos casos de covid-19. Os hospitais universitários, que são as unidades voltadas para a aprendizagem, também enfrentam complicações.

Ou seja, os residentes, quando se preparam para “colocar a mão na massa”, se deparam com pouca variedade de doenças para o aprendizado, o que proporciona uma formação “menos variada”.

E isso ocorre mesmo nos hospitais que não atendem casos de covid-19, pois o tratamento de doenças comuns na pandemia ficou prejudicado.

Mesmo os que se tornaram referência em traumas ou outras urgências e emergências se viram sobrecarregados, precisaram suspender cirurgias, acompanhamentos e pesquisas nas mais variadas áreas.

As mudanças no atendimento eletivo forçadas pela covid-19, criaram um problema enorme ao agravar filas de espera por atendimento no sistema de saúde, seja ele público ou particular.

Nesse momento, já enfrentamos uma demanda reprimida criada pela pandemia e bastante particular: por falta de intervenção precoce ou até mesmo de prevenção eficiente, o paciente acaba acessando o hospital pela porta do pronto-socorro por algo que poderia ter sido resolvido no ambulatório.

Além disso, a necessidade de isolamento e de novos protocolos de atendimento, distanciaram residentes de pacientes – e esse é um ponto de alerta.

É preciso investir em formatos diferentes que possibilitem o desenvolvimento de habilidades como o cuidado humanizado e a relação empática entre quem cuida e quem é cuidado, fundamentais a esses profissionais.

De maneira geral, é possível, sim, conseguir visualizar o famoso "copo meio cheio”. Por mais que tenhamos oportunidades de reconhecermos lições a serem tiradas do momento em que estamos vivendo, a verdade é que os “filhos” da pandemia se tornarão médicos diferenciados.

Como já dizia Hipócrates, “a cura está ligada ao tempo e às vezes também às circunstâncias”, ou seja, tenhamos paciência e sabedoria no futuro para lidar com os resquícios da pandemia.

Ao lado do tempo, com as duas faces da mesma moeda, teremos que trabalhar para buscar o equilíbrio entre ganhos e perdas - o que não é impossível.

* Juliano Gasparetto é médico intensivista e diretor-geral do Hospital Universitário Cajuru.

Para mais informações sobre medicina clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Fonte: Central Press



Dia Bissexto

A cada quatro anos, a humanidade recebe um presente – um presente especial que não pode ser forjado, comprado, fabricado ou devolvido – o presente do tempo.

Autor: Júlia Roscoe


O casamento e a política relacional

Uma amiga querida vem relatando nas mesas de boteco a saga de seu filho, que vem tendo anos de relação estável com uma moça, um pouco mais velha, que tem uma espécie de agenda relacional bastante diferente do rapaz.

Autor: Marco Antonio Spinelli


O que esperar do mercado imobiliálio em 2024

Após uma forte queda em 2022, o mercado imobiliário brasileiro vem se recuperando e o ano de 2023 mostrou este avanço de forma consistente.

Autor: Claudia Frazão


Brasileiros unidos por um sentimento: a descrença nacional

Um sentimento – que já perdura algum tempo, a propósito - toma conta de muitos brasileiros: a descrença com o seu próprio país.

Autor: Samuel Hanan


Procurando o infinito

Vocês conhecem a história do dragãozinho que procurava sem parar o infinito? Não? Então vou te contar. Era uma vez….

Autor: Eduardo Carvalhaes Nobre


A reforma tributária é mesmo Robin Hood?

O texto da reforma tributária aprovado no Congresso Nacional no fim de dezembro encerrou uma novela iniciada há mais de 40 anos.

Autor: Igor Montalvão


Administrar as cheias, obrigação de Governo

A revolução climática que vemos enfrentando é assustadora e mundial. Incêndios de grandes proporções, secas devastadoras, tempestades não vistas durante décadas e uma série de desarranjos que fazem a população sofrer.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Escravidão Voluntária

Nossa única revolução possível é a da Consciência. Comer com consciência. Respirar com consciência. Consumir com consciência.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Viver desequilibrado

Na Criação, somos todos peregrinos com a oportunidade de evoluir. Os homens criaram o dinheiro e a civilização do dinheiro, sem ele nada se faz.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Mar Vermelho: o cenário atual do frete marítimo e seus reflexos globais

Como bem sabemos, a crise bélica no Mar Vermelho trouxe consigo uma onda de mudanças significativas no mercado de frete marítimo nesse início de 2024.

Autor: Larry Carvalho


O suposto golpe. É preciso provas…

Somos contrários a toda e qualquer solução de força, especialmente ao rompimento da ordem constitucional e dos parâmetros da democracia.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Oportunidade de marketing ou marketing oportunista?

No carnaval de 2024, foi postada a notícia sobre o "Brahma Phone" onde serão distribuídas 800 unidades de celulares antigos para os participantes das festas de carnaval.

Autor: Patricia Punder