Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Sociedade democrática e redução da desigualdade de gênero

Sociedade democrática e redução da desigualdade de gênero

05/03/2021 Maria Inês Vasconcelos

A questão da desigualdade de gênero no trabalho, ainda é um tema que se assenta em um terreno bastante fragmentado neste país que se intitula democrático e de direito.

O preconceito em face da mulher, muito embora tenha sido alvo de medidas democráticas que o reduziram, como por exemplo, a Lei Maria da Penha, importantíssima, evoluíram sim, com alguma independência.

Mas a bem da verdade, para conter toda a intensa origem antropológica desse preconceito seria necessário que realmente se reproduzisse, na sociedade o freio desejado pelo legislador, que quer realmente tentar igualar e impedir escalas ou graus para o exercício dos direitos pela mulher.

O legislador com grande otimismo, indica intenção de reduzir a questão da diferença drástica de tratamento entre homem e mulher em alguns ambientes.

O trabalho, infelizmente, ainda captura uma visão muito machista. Aquele mantra "Lugar de mulher é onde ela quiser ", encoraja, mas a dimensão real dessa possibilidade é uma interrogação.

O desnível salarial existente dentro das empresas, a locação ou segregação da mulher para posições menos privilegiadas e de menor destaque, a redução de direitos constitucionalmente consagrados, as exaustivas jornadas, nos fazem ver a ambivalência entre o comando da lei e da realidade.

A lei não modificou os hábitos e costumes, nem tampouco reduziu a pesada carga que recai sobre a mulher. Apenas dourou uma pílula e acendeu debates mais inflamados.

Alguns fetiches novos usados nas empresas revelam uma discriminação às escondidas. As evidencias são outras.

De forma dissimulada, como por exemplo quando se cria um sistema de meritocracia, por que impede a mulher de disputar certas metas.

Locais aonde mulheres ganham menos que homem exercitando a mesma função. Planos de cargos e salários que tem em sua estrutura discriminação velada. Promoções que são congeladas para mulheres.

Podemos citar ainda, as empresas que se dizem inclusivas, mas tem menos de 10% de seus cargos de gestão ocupados por mulheres. Há ainda, as exclusões que se fazem através de assédio e é claro, com conotação sexual.

A cultura machista não perde sua capacidade de nos surpreender. Por mais que conheçamos a verdade, e a nossa potencialidade intelectual e física, o homem ainda segue insistindo em desbotar o papel da mulher, mesmo diante das invenções tecnológicas e das políticas de combate a estes comportamentos.

A sociedade aprova a mulher em alguns papéis, mas em outros não. Ser mãe e dona de casa ou mulher, certamente vamos "poder".

Aí não há espaço de dúvidas para nosso ativismo. Mas no trabalho ainda enfrentamos, com tristeza, posição de inferioridade.

Por mais que sigamos nossas lutas de forma apaixonada e mantenhamos o foco em atitudes persistentes, quase exercendo uma resistência organizada ao machismo, ele ainda existe e impulsiona a diferença de tratamento. Diante disso, a mulher segue na busca de um espaço para seu reconhecimento profissional.

Ansiamos pela realidade encapsulada dentro da lei. Queremos e podemos ser tratadas com reciprocidade.

E assim, seguimos com esperança para que os compromissos e as mudanças profetizadas ocorram de fato na estratégia empresarial, com o respeito ao verdadeiro sentido etiquetado para o trabalho: digno, igual, sustentável e resistente às pressões descabidas do machismo.

Não estamos à deriva e sem rumo, sabemos que os conflitos sempre existirão, mas seguimos por um caminho que nos leva a redução dessa limitação endêmica.

Com certeza, as novas exigências impostas pela Covid-19 nos igualaram em todos os níveis sociais e mostrou o nosso poder de resistência a essa tensão universal. A mulher tem trabalhado mais que o homem. O trabalho em home office mostra isso.

Mas não queremos nada mais do que a reciprocidade. O discurso clichê e feminista da igualdade, foi superado pela agenda da parceria, da troca e da possibilidade.

Não estamos em cima de salto nenhum. Queremos apenas poder pisar no mesmo chão. Hoje, o lugar da mulher não é aonde ela quiser.

* Maria Inês Vasconcelos é advogada, pesquisadora e professora.

Para mais informações sobre mulher clique aqui…

Fonte: Naves Coelho Comunicação



O fim da reeleição de governantes

Está tramitando pelo Congresso Nacional mais um projeto que revoga a reeleição de Presidente da República, Governador de Estado e Prefeito Municipal.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


PEC das drogas

O que esperar com a sua aprovação?

Autor: Marcelo Aith


PEC do Quinquênio simboliza a metástase dos privilégios no Brasil

Aprovar a PEC significará premiar, sem justificativa plausível, uma determinada categoria.

Autor: Samuel Hanan


O jovem e o voto

Encerrou-se no dia 8 de maio o prazo para que jovens de 16 e 17 anos pudessem se habilitar como eleitores para as eleições municipais deste ano.

Autor: Daniel Medeiros


Um mundo fragmentado

Em fevereiro deste ano completaram-se dois anos desde a invasão russa à Ucrânia.

Autor: João Alfredo Lopes Nyegray


Leitores em extinção

Ontem, finalmente, tive um dia inteiro de atendimento on-line, na minha casa.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Solidariedade: a Luz de uma tragédia

Todos nós, ou melhor dizendo, a grande maioria de nós, está muito sensibilizado com o que está sendo vivido pela população do Rio Grande do Sul.

Autor: Renata Nascimento


Os fios da liberdade e o resistir da vida

A inferioridade do racismo é observada até nos comentários sobre os cabelos.

Autor: Livia Marques


Violência urbana no Brasil, uma guerra desprezada

Reportagem recente do jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 3 de março, revela que existem pelo menos 72 facções criminosas nas prisões brasileiras.

Autor: Samuel Hanan


Mundo de mentiras

O ser humano se afastou daquilo que devia ser e criou um mundo de mentiras. Em geral o viver passou a ser artificial.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Um País em busca de equilíbrio e paz

O ambiente político-institucional brasileiro não poderia passar por um tempo mais complicado do que o atual.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Nem Nem: retratos do Brasil

Um recente relatório da OCDE coloca o Brasil em segundo lugar entre os países com maior número de jovens que não trabalham e nem estudam.

Autor: Daniel Medeiros