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Vai uma galinhada aí?

Vai uma galinhada aí?

05/03/2024 Antônio Marcos Ferreira

Comer uma galinhada sempre foi muito saboroso e divertido. Ainda mais quando isso acontece numa roda de amigos, acompanhada de uma cerveja gelada e uma roda de conversa que invade a madrugada.

Lá em Manga, minha cidade natal, na época da juventude este era um programa que se repetia muito. A maioria das casas tinha um quintal, por menor que fosse, onde geralmente se criavam galinhas, ou também um pequeno chiqueiro.

De vez em quando os amigos se reuniam para comer uma galinhada que, entretanto, tinha uma característica muito peculiar.

Quase todos conheciam os quintais uns dos outros e principalmente aqueles onde haviam galinhas no ponto de serem sacrificadas.

Assim, identificado o quintal que seria visitado, escolhia-se também quem iria visitá-lo, geralmente na calada da noite, para roubar a galinha a ser saboreada pelos amigos.

Roubada a galinha, os amigos combinavam o local onde iriam comê-la. Às vezes iam para a casa de um deles ou então escolhiam um boteco cujo dono aceitasse fazer a galinhada.

E, logicamente, o dono da galinha sempre era um dos convidados para comer. Depois de elogiar o sabor da comida, tomar algumas cervejas, ouvia:

- E aí, meu amigo, gostou da galinhada?
- Claro. Uma delícia. Parabéns ao cozinheiro!
- Pois é. A gente queria te agradecer também pela galinha que você nos deu, viu?
- O quê? Eu?

A reação do dono da galinha era sempre de surpresa e espanto, pois fôra convidado para a galinhada sem imaginar que a galinha era sua. Isso gerou situações bem hilárias.

Como no caso do Sr. Possidônio, uma figura muito conhecida na cidade, comerciante, sujeito falante, gostava de fazer discursos, contador de casos e piadas. Sua esposa era conhecida como Dona Deu.

Certa vez ele foi convidado para comer uma perua. Depois de saborear aquela delícia, contar muitos casos, tomar cerveja, o pessoal o incentivou a falar se tinha gostado.

Ele elogiou muito e fez um longo discurso sobre a perua. Quando o pessoal informou a ele que aquela perua que ele tanto gostara era a sua, o cara virou uma arara de nervoso.

Ficou injuriado. Já tinha discutido várias vezes com sua esposa que nunca quis matar a perua. Saiu bufando e ao chegar em casa não deixou por menos:

- Deu, tá vendo? Quantas vezes eu te falei para matar a perua e você me dizia que não podia porque ela estava choca. Pois é. O pessoal roubou a perua, matou e ainda fui convidado pra comer com eles. Agora você vai comer perua lá na baixa da égua!

Noutra ocasião, dois amigos, o Requeijão e o Dim Onça resolveram roubar duas galinhas no quintal do Tiãozinho, também conhecido por Tião de Aninha.

Como sempre, ele também foi convidado para comer a galinhada. Muito satisfeito com o convite, foi e saboreou até que ficou sabendo que eram dele as galinhas. Quase chorando, reclamou:

- Ô meu Deus do céu, coitadinhas da Rupiadinha e Palhinha de Arroz. Morreram!

E os amigos somente riam. De vez em quando os casos mudavam de animal. Foi o que ocorreu com um comerciante, dono de um boteco, conhecido como Pedro Viola.

Certa vez ele comprou uma porca e chamou o Miguel de Bonifácio, seu compadre, que tinha uma fazenda próxima da cidade e lhe fez a proposta pra levar a porca para sua fazenda e criar na meia.

O Miguel levou a porca para sua fazenda, matou, e no dia seguinte trouxe a metade e entregou ao Pedro Viola, que, muito assustado, gritou:

- Uai, cê é maluco, Miguel?
- Uai, e eu sou algum vagabundo pra ficar criando porca, rapaz? Eu criei de ontem pra hoje e tô te trazendo a sua metade, conforme combinado!

O Pedro então, puto da vida, colocou a Viola no saco e continuou no seu boteco e nunca mais quis fazer essa proposta pra mais ninguém. Mas os amigos continuaram se encontrando, matando galinhas e aprontando em ótimas galinhadas.

* Antônio Marcos Ferreira é engenheiro eletricista, aposentado da Cemig e vice-presidente da Fundação Sara.

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