Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Empreendedor, o herói necessário

Empreendedor, o herói necessário

20/05/2020 José Pio Martins

A recessão econômica que iniciada neste primeiro semestre de 2020 será uma das mais graves dos últimos tempos.

Empreendedor, o herói necessário

Primeiro, porque a queda do produto interno deste ano será brutal, em torno de 5% em relação a 2019. Em todos os países que foram afetados e tiveram que fazer isolamento social, o produto também caiu e seguirá caindo em relação aos anos anteriores. A redução do produto de um país exacerba vários flagelos sociais graves: aumenta o desemprego, reduz os salários médios, fecha fábricas, quebra lojas comerciais, gera perda de renda dos autônomos, aumenta a pobreza e a miséria, fomenta doenças psicológicas e perturbação social.

Ninguém sabe bem como será a reorganização da economia e a retomada da produção, da renda e do emprego. Porém, é certo que a recuperação não se dará na mesma velocidade da retração imposta pela crise. Gosto de usar esta metáfora: imagine uma pista de ciclismo com subida íngreme. O tempo gasto pelo ciclista para ir do início ao fim (a subida) é muito menor que o tempo gasto para voltar (a descida). Na economia, também é assim. O produto interno bruto (conceito mais técnico para o produto da nação) leva bem mais tempo para crescer do que o tempo que leva para cair.

O Brasil está diante de um desafio imenso, representado pela tentativa de sair da devastação econômica o mais rápido possível, na qual três atores serão especialmente essenciais: trabalhadores, empresários e governantes. Todos têm sua importância, porém, o empreendedor terá um papel mais relevante. Roberto Campos, com sua ironia fina de sempre, dizia que entre os muitos “ários” que há por aí, o mais importante é o empresário.

Operário, dizia ele, todos podemos ser. Funcionário (público), todos queremos ser, pois o emprego é estável e a aposentadoria é generosa. Missionário, é fácil ser, pois a mercadoria (a salvação da alma) é entregue na outra vida. Empresário, esse é difícil ser, e sua missão é descobrir oportunidades, investir, gerar emprego, produto e renda, e pagar impostos. A disposição e a capacidade para abrir um negócio, fazer investimentos, disputar mercados, enfrentar a concorrência e correr riscos é o que faz do empreendedor um animal raro e rigorosamente necessário.

O Brasil criou certa cultura antiempresarial e antilucro, nociva ao desenvolvimento. O empreendedor é um instrumento da produção, e a ele cabe acumular capital (bens de produção), zelar por sua conservação e expansão. Ilude-se quem crê que o dono do capital é livre para fazer o que bem quiser. O empresário detém a propriedade condicionado a satisfazer o consumidor, e deve ajustar suas ações aos interesses do mercado, sob o risco de ser superado pela concorrência e ter de fechar seu negócio. Se for eficiente, o lucro é o prêmio. Se for ineficiente, o prejuízo é o castigo, geralmente terminado em falência.

Quando a pandemia acabar e a normalidade for restabelecida, grande parte do empresariado retomará as atividades com suas empresas debilitadas, queda nas vendas, prejuízos acumulados, dívidas não pagas e o fluxo de caixa abalado. Reconstruir os negócios, reorganizar e reequilibrar as finanças serão tarefas árduas. Muitas empresas retornarão menores, com menos empregados e atividade encolhida. Mas outras novas surgirão.

Para os profissionais autônomos (médico, dentista, psicólogo, fisioterapeuta, cabeleireiro, professor particular e outros que perderam toda ou parte de sua renda), o problema é o mesmo. Eles se assemelham aos empreendedores, têm custos empresariais como aluguel, material, salário de auxiliares, também precisam conquistar clientes e terão de extrair de si o melhor como empreendedores e gestores de sua atividade.

A decisão de empreender e não depender de um emprego assalariado não deve ser tomada apenas em função desta crise, mas em função da realidade global. O mundo está mudando e recessões têm se repetido. Em 2007-2008, o mundo foi ferido pela crise financeira. No período 2014-2016, o Brasil inventou sua própria recessão. Agora, é a recessão do coronavírus. E outras recessões virão, agravadas pelo fato de a revolução tecnológica estar engolindo empregos.

O cenário econômico pós-pandemia será caracterizado por elevado desemprego, subemprego, governos imprimindo dinheiro, trilhões em dívidas individuais e governamentais, programas sociais subfinanciados, aumento da mentalidade assistencialista, milhões de jovens sem trabalho e com dívidas estudantis, robôs tomando vagas de humanos e demorada recuperação. Procurar trabalho assalariado será o caminho da maioria das pessoas, e é uma luta nobre. O problema é que muitos não encontrarão.

Haverá espaço para trabalhar por conta própria como autônomo ou abrir um negócio. Empreender, porém, exige aprendizado. É preciso se preparar. Mesmo quem tenha espírito de iniciativa e tino para os negócios deve entender que o assalariado não se transmuta automaticamente em empreendedor. Embora o mundo vá continuar necessitando de empregados, mais empreendedores serão necessários, pois são eles que criam empresas e vagas de emprego, e a lei deve vir para estimular, não para inibir, o espírito de iniciativa. Esse é o desafio!

* José Pio Martins, economista, reitor da Universidade Positivo.

Fonte: Central Press



Percentuais de endividados e inadimplentes são os maiores em 12 anos

Índice de endividados chegou a 77,7% em abril. O cartão de crédito é o principal motivo das dívidas.

Percentuais de endividados e inadimplentes são os maiores em 12 anos

Financiar carro vale a pena?

Especialista em análise de crédito esclarece os principais mitos dessa alternativa.

Financiar carro vale a pena?

Você e seu time estão progredindo?

Em qualquer empreitada, pessoal, profissional ou de times, medir resultados é crucial.


A governança de riscos e gestão em fintechs

Em complemento às soluções e instituições financeiras já existentes, o mercado de crédito ficou muito mais democrático com a expansão das fintechs.


Kanban ainda é pouco explorado, mas pode revolucionar o cotidiano das empresas

Como trazer soluções efetivas em condições de fluxo de atividade em escala?

Kanban ainda é pouco explorado, mas pode revolucionar o cotidiano das empresas

Investimentos registram captação de R$ 46 bi no primeiro trimestre

O segmento de fundos de investimentos fechou o primeiro trimestre de 2022 com absorção líquida de R$ 46,1 bilhões, movimentação de 56,9% menor do que o observado no mesmo período de 2021.


Cadastro Positivo insere mais de 464 mil mineiros no mercado de crédito

Dados divulgados pela ANBC demonstram contingente da população mineira que se beneficiou da primeira consulta de crédito após a implantação do Cadastro Positivo com adesão automática.

Cadastro Positivo insere mais de 464 mil mineiros no mercado de crédito

Conheça cinco vantagens do Pix para empresas

MEIs e PMEs podem economizar cerca de R$ 2.000 em serviços e produtos bancários por ano.

Conheça cinco vantagens do Pix para empresas

Sete em cada 10 pequenos negócios mineiros pretendem investir em 2022

Mais de um terço dos empresários do segmento planeja expandir ou melhorar as atividades entre abril e junho.

Sete em cada 10 pequenos negócios mineiros pretendem investir em 2022

Entender os números será requisito do mercado de trabalho

Trabalhar numa empresa e conhecer os seus setores faz parte da rotina de qualquer colaborador.

Entender os números será requisito do mercado de trabalho

Confiança do comércio volta a crescer após dois meses

Índice que mais tem concentrado a queda da confiança, Condições Atuais do Empresário do Comércio, surpreende, apresentando maior crescimento mensal.

Confiança do comércio volta a crescer após dois meses

Gastos com alimentação fora de casa somaram R$ 164,4 bilhões em 2021

Pesquisa mostra que cada brasileiro gastou em média R$ 16,21 por refeição, significando uma alta de 12% em relação a 2020.

Gastos com alimentação fora de casa somaram R$ 164,4 bilhões em 2021