Portal O Debate
Grupo WhatsApp

A pedra no sapato do Ensino Superior brasileiro

A pedra no sapato do Ensino Superior brasileiro

03/03/2020 Paulo Arns da Cunha

Para a maior parte da população jovem adulta, os estudos precisam ser conciliados com o trabalho.

A pedra no sapato do Ensino Superior brasileiro

Quando se fala em aumento dos investimentos no Ensino Superior como solução para a educação brasileira, me lembro da história do senhor que tomava analgésico constantemente para amenizar uma intensa dor no pé. Ora, o total investido no Ensino Superior no Brasil é quase quatro vezes maior que o dedicado ao Ensino Fundamental. Em percentual do PIB, esse valor já é relativamente alto, sendo superior ao mínimo constitucional e comparável ao de países com elevado nível educacional. No entanto, permanece o desafio de melhoria da qualidade da educação e um índice baixíssimo de brasileiros com Ensino Superior.

Não estou dizendo que sou a favor de cortes de investimentos nas universidades. Estou apenas sugerindo que, se o senhor da dor no pé tirasse a pedra de dentro do seu sapato, talvez não precisasse mais tomar analgésicos... a questão é atacar o problema pela raiz, encontrar os gargalos da educação brasileira, como a evasão universitária.

Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no documento "Education at a Glance 2019" dão conta de que apenas 33% dos estudantes brasileiros que ingressam numa Instituição de Ensino Superior se formam dentro da duração esperada do curso. Mas o que acontece com quase 70% dos alunos que foram selecionados em concursos, muitas vezes disputadíssimos, ocuparam a cadeira de outro estudante e desistiram no meio do caminho?

Os números são alarmantes. Mais da metade dos que ingressam nas universidades trocam de turma, curso ou instituição, ou simplesmente abandonam os estudos. Essas atitudes dão luz à problemas como a demora na qualificação profissional da população em condições de trabalhar; o desperdício de grande massa de força de trabalho, que fica desempregada ou subempregada, quando podia estar ajudando a produzir; o aumento dos gastos do governo com programas sociais e ajuda financeira aos desempregados; o baixo crescimento do Produto Interno Bruto; e o atraso na redução da pobreza.

Para as Instituições de Ensino Superior (IES), as consequências dessa alta evasão são desastrosas, pois os custos, tanto públicos quanto privados, se tornam muito elevados. A alta evasão faz com que o custo por aluno efetivamente formado seja bem maior que o custo por aluno matriculado. Assim, nas universidades públicas o gasto público acaba sendo bem maior – e as instituições privadas são forçadas a cobrar mensalidades mais altas para pagar a ociosidade de vagas, ociosidade de investimentos, perda de capacidade lucrativa e necessidade de reorganizar suas estruturas e cursos a serem ofertados.

Uma série de fatores leva esses estudantes a desistirem no meio do caminho. Uma parcela significativa dos universitários apresenta dificuldades nas matérias que exigem um maior aprofundamento, raciocínio ágil, capacidade crítica ou interpretativa, muitas vezes por conta da falta de preparo no Ensino Básico. Além disso, para a maior parte da população jovem adulta, os estudos precisam ser conciliados com o trabalho. No entanto, os modelos tradicionais de ensino exigem uma grande dedicação em horas de estudo, o que faz com que muitos alunos desistam dos estudos. Para esse problema, o aumento da qualidade dos cursos em EAD pode trazer excelentes resultados.

A taxa de evasão mais elevada no setor privado aponta para os custos com mensalidade, especialmente em épocas de crise. Mas a alta desistência no ensino público, que é gratuito e com um processo de entrada altamente seletivo, se deve a outros fatores, entre eles a falta de conhecimento dos alunos a respeito dos cursos. Uma pesquisa realizada com mais de 10 mil estudantes do Ensino Médio em agosto de 2019 pela Universidade Positivo revelou que 33% deles ainda estavam indecisos quanto à escolha do curso superior.

Ou seja, para facilitar o acesso do brasileiro ao Ensino Superior, não basta aumentar ou manter os investimentos. É preciso pensar em maneiras de deixar o aluno escolher a profissão um pouco mais tarde; aprimorar o processo de seleção nas universidades, levando em conta também habilidades sócio-emocionais; expandir o crédito universitário; melhorar a qualidade dos cursos de Educação a Distância; e, por fim, mas não menos importante, melhorar a qualidade da Educação Básica.

* Paulo Arns da Cunha é presidente da Divisão de Ensino da Positivo Educacional.

Fonte: Central Press



Os jovens e o trabalho

A responsabilidade de gerar filhos é algo muito sério porque pai e mãe possibilitam a encarnação de uma alma para evoluir no mundo material, o aquém.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra

Os jovens e o trabalho

O fim da geração nem-nem está na aprendizagem?

No labirinto complexo das políticas trabalhistas, há uma série de fatores que merecem nossa atenção.

Autor: Francisco de Assis Inocêncio

O fim da geração nem-nem está na aprendizagem?

A escola pública sob administração privada

O Estado do Paraná apresenta ao Brasil um novo formato de administração à rede escolar.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


O compromisso das escolas privadas na educação antirracista

Alcançar o sucesso demanda comprometimento de faculdades e universidades com a formação inicial de professores.

Autor: Luana Tolentino

O compromisso das escolas privadas na educação antirracista

Inscrições abertas para os cursos de condutores de caminhões

A Fabet São Paulo está com inscrições abertas para três cursos avançados voltados a formação e aperfeiçoamento de condutores de caminhões.

Autor: Marcos Villela Hochreiter


Exercitando a empatia

No meu último ano de sala de aula, tive uma turma de quarto ano que se tornou muito querida.

Autor: Vanessa Nascimento

Exercitando a empatia

Conhecimento é combustível para a motivação

Não são incomuns as histórias de profissionais que, voluntariamente, trocam de emprego para ganhar menos do que em suas posições anteriores.

Autor: Yuri Trafane

Conhecimento é combustível para a motivação

Violência escolar: qual a causa e como solucionar

Comportamentos violentos nas escolas se intensificam cada dia mais, ou pelo menos a sua relevância tem ficado mais clara.

Autor: Felipe Lemos

Violência escolar: qual a causa e como solucionar

Todo dia é Dia da Educação

“A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui.” Rousseau. “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Immanuel Kant.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra

Todo dia é Dia da Educação

A integração entre crianças no espaço escolar

A escola, mais do que um simples espaço de ensino, desempenha um papel essencial na formação social das crianças.

Autor: Michelle Norberto

A integração entre crianças no espaço escolar

Como dizer “oi em inglês” tem quase 50 mil buscas mensais no Brasil, segundo pesquisa

De acordo com levantamento da plataforma de idiomas Preply, expressões básicas como “oi”, “bom dia” e “boa noite” são as mais buscadas pelos brasileiros na tradução para o inglês.

Autor: Divulgação

Como dizer “oi em inglês” tem quase 50 mil buscas mensais no Brasil, segundo pesquisa

Educação especial e inclusiva: para onde avançar?

É preciso destacar que o Brasil avançou de forma muito significativa nas últimas décadas no que concerne a políticas de acesso.

Autor: Lucelmo Lacerda e Flávia Marçal

Educação especial e inclusiva: para onde avançar?