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Brincar e aprender custa caro?

Brincar e aprender custa caro?

02/07/2019 Zeneide de Lima

É fundamental levar para as crianças brinquedos que possam direcionar sua aprendizagem com ações simples

Brincar e aprender custa caro?

Muitos ainda acreditam e relatam que brinquedos caros e bem elaborados são essenciais para o aprendizado. Não quero aqui simplesmente discordar, mas pretendo ampliar as possibilidades de reflexão sobre o brincar na primeira infância. Será que é realmente necessário investir em brinquedos estruturados para as crianças? Existem brinquedos específicos para cada idade?

Para trazer algumas respostas, quero antes propor uma retomada em nossas concepções sobre o processo de aprendizagem por meio do brincar. Sabemos que a criança, antes mesmo de seu nascimento, já está sujeita a múltiplos estímulos através dos circuitos neuronais e mecanismos biológicos, que após seu nascimento, vão afetar o desenvolvimento da aprendizagem. Uma boa nutrição e cuidados com a saúde nos primeiros anos também vão afetar esse processo, pois criam as fundações para as etapas posteriores, onde o brincar e a aprendizagem estão diretamente relacionados.

Uma dessas possibilidades é o brincar a partir de elementos da natureza, que são brinquedos de largo alcance e não-estruturados. São materiais que possibilitam ampliar as aprendizagens de maneira divertida e significativa, enchem os olhos e introduzem as crianças no mundo da imaginação, prazer e diversão. Outro benefício observado é que eles trazem recursos necessários para o aprimoramento das habilidades motoras, fundamentais para o processo de letramento e alfabetização.

Algumas crianças convivem com a natureza mais constantemente que outras. Para quem não tem essa oportunidade, ter em casa algo que possa as aproximar esses elementos é essencial para o aprendizado. Uma sugestão é construir um espaço de ateliê para armazenar pequenos troncos de madeira de variados tamanhos, areia mais grossa, argila, sementes, terra, folhas de árvores, dentre outros materiais. A aproximação com elementos da natureza traz a vivência dos doze sentidos (tato, olfato, paladar, visão, audição, equilíbrio, movimento, térmico, palavra, pensamento, vital, sentido do eu), o canal de construção dos saberes na primeira infância.

Um empecilho para muitas famílias aderirem aos materiais naturais é a sujeira que podem fazer em casa. Porém, mesmo essa questão é essencial para o desenvolvimento infantil, pois sabemos que o aprendizado pela experimentação é essencial, então sujeira significa aprendizado. É importante que a criança experimente, explore e se suje.

Os brinquedos estruturados continuam tendo um papel importante no aprendizado. A reflexão que trago sugere ir além deles, pois quando a criança monta o mesmo quebra-cabeças duas ou três vezes, por exemplo, já fica desmotivada, pois o brinquedo não a desafia mais, torna-se fácil. Neste momento, é indicado o contato com brinquedos que não determinam o brincar, que não trazem as regras prontas, que exigem autonomia, protagonismo e criatividade. Além daqueles brinquedos já citados, que criamos a partir da natureza, podemos propor outros, que são reutilizáveis e muito significativos como colheres de pau, tampas de panelas, tampinhas de garrafas, argolas de cortinas, blocos de madeiras, canos em PVC cortados em pedaços e pratos de argila.

Contudo, é importante esvaziar os espaços tão carregados de muitos brinquedos estruturados, afinal, ambientes repletos de informações atrapalham, distraem e geram ansiedade. Por outro lado, é fundamental trazer para o contato das crianças brinquedos que possam direcionar sua aprendizagem com ações simples que darão mais sentido e prazer ao brincar. Além de tudo, os brinquedos não-estruturados trazem os estímulos necessários para a primeira infância e também para a vida adulta por gerar consciência planetária e valorização da natureza.

Texto: Zeneide de Lima - especialista em Pedagogia, Psicopedagogia e orientadora educacional no Colégio Marista São Luis, em Jaraguá do Sul (SC).



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