Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Isolamento social revela equívocos e atrasos do ensino a distância no Brasil

Isolamento social revela equívocos e atrasos do ensino a distância no Brasil

21/04/2020 Cesar Silva

A quarentena imposta para evitar a propagação do Covid-19 mudou todos os segmentos de negócios que agora precisam se reinventar e se reposicionar tornando essencial o uso dos recursos digitais.

No comércio, redes varejistas estão trabalhando com portais e apps para assegurar descontos e fretes gratuitos nas entregas.

Os restaurantes reforçaram o sistema de delivery, ampliando o número de canais de pedidos, via web, WhatsApp e até com mais números de linhas telefônicas.

Não muito diferente, o setor educacional também teve que se posicionar. Mas ao fazer isso descortinou uma série de atrasos naquilo que um olhar distraído parecia ser um grande sinal de modernidade.

O tradicionalismo retrógrado aplicado no segmento da educação, que afasta o EaD como se fosse uma praga, agora se vê obrigado a recorrer a esta modalidade para reduzir a perda de conteúdo dos alunos em tempos de confinamento. Mas, o movimento esbarra em alguns problemas de ordem estrutural.

Agora, algo que deveria ser natural por conta das tecnologias disponíveis para o EaD, está se mostrando um verdadeiro desafio diante da falta de uma real visão de como fazer o uso de tecnologia e de metodologias diferentes no ensino.

A miopia ronda desde os órgãos reguladores que, por força de manutenção de um modelo centrado no professor, limitam a porcentagens muito pequenas o ensino à distância tanto nos currículos da educação básica quanto da educação superior, até os mantenedores e gestores das unidades de negócios do segmento, as escolas.

O grande problema é que a proposta reguladora existente que abomina o EaD dentro dos Conselhos Estaduais de Educação, nas Diretorias de Ensino e até em órgãos vinculados ao MEC faz com que as escolas não tenham estímulo a se modernizarem e buscarem metodologias de ensino aprendizagem que utilizem recursos tecnológicos enfronhados em diversos outros segmentos.

Como consequência, neste momento da história do homem, a educação, em todos os níveis, ainda está na pré-história.

Assim, os grupos educacionais de educação básica preferem ofertar período de férias aos alunos, que recém iniciaram o semestre para decidir como vão ofertar conteúdos para os alunos em suas casas.

A educação básica, infantil e fundamental, são as mais críticas, na visão destes gestores, pois eles correram por anos da implantação de atividades lúdicas com recursos tecnológicos.

Na verdade, era mais econômico contratar estagiários de pedagogia para cuidar das crianças sem a preocupação real de as pré-alfabetizar, inclusive tecnologicamente. Quem nunca ouviu a máxima de que as crianças nascem sabendo usar tablets, iphones, computadores?

A falta de uso de recursos tecnológicos não está na dificuldade da geração alpha em se adaptar às tecnologias; e sim nas dificuldades dos mantenedores de se atualizarem à realidade e dos docentes contratados de buscarem diferentes estratégias lúdicas e motivadoras.

No caso dos sistemas de ensino, que vendem, ou melhor, alugam seus conteúdos para as escolas se diferenciarem das concorrentes, associando suas marcas às das  grifes destes sistemas de ensino, percebe-se não se prepararam para contribuir no desenho de trilhas formativas destas escolas e só oferecem os mesmos conteúdos das apostilas em plataformas digitais (chamados de ambientes virtuais de aprendizagem).

Desta forma, as escolas não conseguem se diferenciar, pois todas são obrigadas a aplicar o mesmo conteúdo, da mesma forma postada no ambiente virtual de aprendizagem.

Portanto, não haveria motivo de diferença de mensalidades. Ao disponibilizarem os conteúdos de uma só vez, as aulas à distância demonstrariam que as propostas pedagógicas diferenciadas são frágeis e desfariam a ilusão dos pais.

Quando se trata da educação superior, onde o EAD é mais trivial, pois a oferta de qualquer curso presencial pode ter 40% de sua carga horária na modalidade online, percebe-se que as Instituições de Ensino Superior (IESs) não fizeram a lição de casa correta na migração para esta modalidade. Na realidade a grande maioria das IESs replica na carga horária EAD a sua forma de ensino presencial.

Neste sentido, o aluno tem que fazer uma atividade ou uma lista de exercícios, sem uso de qualquer recurso tecnológico mais rico e diferenciado.

Se não fosse assim, hoje os milhares de docentes do ensino superior não estariam construindo aulas com powerpoints, com vídeos caseiros produzidos sem qualquer metodologia ou até tendo que usar salas de reuniões gratuitas virtuais como o Google Meeting ou Hangout para lecionar por 2 a 3 horas falando para os seus alunos como se todos estivessem na mesma sala de aula física.

O modelo está centrado no docente, onde ele tem o saber supremo e as suas palavras trarão a solução de todos os problemas da vida profissional.

A forma tradicional repetida em outro ambiente faz com que os alunos queiram cada vez menos continuar a estudar. O que se vê é uma mistura dos modelos dos centenários Instituto Monitor ou Aladim sendo aplicados via web.

Se o MEC precisou publicar duas portarias em menos de 48 horas para regular a liberdade de oferta na modalidade EAD pelas IESs neste período de decisões rápidas e eficientes, imagine como está enferrujado o setor educacional.

Essa ineficiência constituída e cheia de raízes certamente cobrará um preço alto, mas a atenção que o assunto ganhará com este período de isolamento poderá ter um efeito colateral positivo para iniciarmos o quanto antes a recuperação do tempo perdido.

* César Silva é diretor Presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT) e docente da Faculdade de Tecnologia de São Paulo – FATEC-SP há mais de 30 anos.

Fonte: Compliance Comunicação



Os jovens e o trabalho

A responsabilidade de gerar filhos é algo muito sério porque pai e mãe possibilitam a encarnação de uma alma para evoluir no mundo material, o aquém.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra

Os jovens e o trabalho

O fim da geração nem-nem está na aprendizagem?

No labirinto complexo das políticas trabalhistas, há uma série de fatores que merecem nossa atenção.

Autor: Francisco de Assis Inocêncio

O fim da geração nem-nem está na aprendizagem?

A escola pública sob administração privada

O Estado do Paraná apresenta ao Brasil um novo formato de administração à rede escolar.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


O compromisso das escolas privadas na educação antirracista

Alcançar o sucesso demanda comprometimento de faculdades e universidades com a formação inicial de professores.

Autor: Luana Tolentino

O compromisso das escolas privadas na educação antirracista

Inscrições abertas para os cursos de condutores de caminhões

A Fabet São Paulo está com inscrições abertas para três cursos avançados voltados a formação e aperfeiçoamento de condutores de caminhões.

Autor: Marcos Villela Hochreiter


Exercitando a empatia

No meu último ano de sala de aula, tive uma turma de quarto ano que se tornou muito querida.

Autor: Vanessa Nascimento

Exercitando a empatia

Conhecimento é combustível para a motivação

Não são incomuns as histórias de profissionais que, voluntariamente, trocam de emprego para ganhar menos do que em suas posições anteriores.

Autor: Yuri Trafane

Conhecimento é combustível para a motivação

Violência escolar: qual a causa e como solucionar

Comportamentos violentos nas escolas se intensificam cada dia mais, ou pelo menos a sua relevância tem ficado mais clara.

Autor: Felipe Lemos

Violência escolar: qual a causa e como solucionar

Todo dia é Dia da Educação

“A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui.” Rousseau. “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Immanuel Kant.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra

Todo dia é Dia da Educação

A integração entre crianças no espaço escolar

A escola, mais do que um simples espaço de ensino, desempenha um papel essencial na formação social das crianças.

Autor: Michelle Norberto

A integração entre crianças no espaço escolar

Como dizer “oi em inglês” tem quase 50 mil buscas mensais no Brasil, segundo pesquisa

De acordo com levantamento da plataforma de idiomas Preply, expressões básicas como “oi”, “bom dia” e “boa noite” são as mais buscadas pelos brasileiros na tradução para o inglês.

Autor: Divulgação

Como dizer “oi em inglês” tem quase 50 mil buscas mensais no Brasil, segundo pesquisa

Educação especial e inclusiva: para onde avançar?

É preciso destacar que o Brasil avançou de forma muito significativa nas últimas décadas no que concerne a políticas de acesso.

Autor: Lucelmo Lacerda e Flávia Marçal

Educação especial e inclusiva: para onde avançar?