Portal O Debate
Grupo WhatsApp

O preocupante fenômeno do “copia e cola” na cultura escolar

O preocupante fenômeno do “copia e cola” na cultura escolar

30/08/2019 Janaína Spolidorio

A preocupação com a qualidade dos trabalhos e pesquisas escolares vem aumentando a cada dia.

Antigamente, quando o professor pedia um trabalho ou uma pesquisa o aluno ia até uma biblioteca, aprendia a buscar entre as prateleiras o assunto pedido, lia livros sobre o tema e, embora muitas vezes copiasse a informação de algum lugar, o trabalho era feito em uma folha e o texto era escrito de próprio punho, pelo aluno. De certa forma, embora ele apenas copiasse, ao fazê-lo estava lendo as informações e o fato de ter de escrever o que lia ajudava na aprendizagem.

Nas últimas duas décadas e meia, com a evolução tecnológica e especialmente da internet, é cada vez mais frequente o fenômeno “copia e cola” para dar conta dos trabalhos pedidos pelos professores.

 Quando um professor pede uma pesquisa, quer que seu aluno estude para fazer o trabalho requisitado. No início deste “problema”, os professores costumavam pedir o trabalho escrito “à mão”, porque embora o aluno pudesse buscar a informação na internet, iria copiá-la e, portanto, ter que ler as informações, como antes era feito com os livros.

Com o tempo, contudo, tudo se complicou. O “copia e cola” ficou frequente e totalmente normal. O pior panorama é o fato de que o aluno pode até copiar “à mão”, mas nem prestar atenção, é quase como se estivesse desenhando as letras num papel como terapia. Cumpre o que o professor quer ver, mas não resolve a questão da aprendizagem.

O que não se percebeu ainda é que na verdade a internet facilitou o acesso à pesquisa e isso é ótimo. O ponto negativo é que foram criadas prevenções para não usar textos em modelo “copia e cola”, mas na maioria das vezes a escola não se preocupa com o mais importante, que é modificar a forma como avalia a situação toda.

Veja a seguir pontos importantes a considerar sobre a facilidade de encontrar informações na internet:

A fonte: quando se pesquisa em livros, eles têm todo um processo para serem escritos e trazem fontes de pesquisa verificadas e confiáveis. Na internet nem sempre a fonte é confiável. A escola deve se preocupar em ensinar os alunos a notarem se a fonte da notícia, informação ou outro tipo de texto é confiável. É preciso criar atividades e situações em aula que possam criar a criticidade necessária tanto para o aluno poder valorizar fontes confiáveis quanto para já educa-lo contra a pirataria e plágio e para a valorização daqueles que se dedicam à escrita comprometida de determinado assunto.

A facilidade: o fato de facilitar o acesso é maravilhoso... e perigoso. É preciso que a escola tenha consciência desta questão e possa trabalhar isso com seus alunos. Mostrar o quanto é fácil aprender é fantástico, mas mostrar os perigos desta facilidade é também vital. A facilidade pode levar ao comodismo, por exemplo, e o comodismo não estimula a aprendizagem. Um outro ponto é de novo a confiança. Será que o site pesquisado tem um texto que realmente traz informações verdadeiras?

A tarefa: o modo como a tarefa é pedida talvez seja a questão mais delicada e essencial a se considerar. Muitas escolas se rendem ao comodismo e simplesmente pedem uma pesquisa sobre o tema X, mas será que só “jogar” esse tipo de tarefa não é o que prejudica o processo? E se o professor der uma tarefa mais elabora e, em lugar de pedir um texto corrido, sem instruções, pedir itens específicos na pesquisa, que o aluno não conseguirá retirar de um mesmo lugar? E se incrementar e pedir em um formato diferente, no qual o aluno terá que ler sobre o assunto e remontar tudo?

Não é preciso muito para evitar situações de “copie e cole”, mas pode-se afirmar que o mais urgente é que as escolas percebam que restringir nunca foi e nunca será a solução.

Para novas respostas é preciso novas perguntas. Questionar de forma diferente deveria ser a primeira ação escolar em relação às pesquisas.

É fato que o Brasil enfrenta uma grande crise educacional e parece que não tem rumo para suas lacunas de aprendizagem, que aparecem escancaradas nas inúmeras avaliações que nossos alunos fazem. A interpretação é uma das questões que precisam mudar com urgência e para isso é preciso uma porção de ações, entre elas a mudança de postura em relação aos trabalhos que pedimos aos nossos alunos.

Pedir pesquisa para preencher espaços, dizer que pediu ou trazer quantidade de trabalho para aluno e professor não dá certo! Devemos nos voltar agora para novas questões, novas abordagens e novas tarefas.

Sua tarefa ao final deste artigo, portanto, é refletir sobre a forma como pesquisa ou sobre a forma como pede uma pesquisa aos seus alunos. Como você estimular seu filho a fazer pesquisas também é relevante. O que dá certo e o que pode ser melhorado?

Por meio da reflexão sobre soluções é que conseguiremos avançar em qualidade! Pesquise o novo, estimule a aprendizagem.

* Especialista em educação, Janaína Spolidorio é formada em Letras, com pós-graduação em consciência fonológica e tecnologias aplicadas à educação e MBA em Marketing Digital. Ela atua no segmento educacional há mais de 20 anos e atualmente desenvolve materiais pedagógicos digitais que complementam o ensino dos professores em sala de aula, proporcionando uma melhor aprendizagem por parte dos alunos e atua como influenciadora digital na formação dos profissionais ligados à área de educação.

Fonte: EVCOM



Como as competições podem melhorar o desempenho dos alunos

O Brasil é um dos países que menos investe em educação básica no mundo, segundo a OCDE.

Autor: Divulgação

Como as competições podem melhorar o desempenho dos alunos

Volta às aulas: como evitar o estresse e a ansiedade?

Milhares de crianças e adolescentes estão de volta às salas de aula.

Autor: Divulgação

Volta às aulas: como evitar o estresse e a ansiedade?

Educação para autistas: se não agora, quando?

Nos últimos 10 anos muitas foram as conquistas alcançadas pelas pessoas com autismo, fruto de suas lutas e de suas famílias.

Autor: Lucelmo Lacerda e Flávia Marçal

Educação para autistas: se não agora, quando?

Readaptação das crianças ao ambiente escolar na volta às aulas

O início do ano letivo se aproxima e com ele muitas expectativas, o período de volta às aulas é um momento de novos desafios e oportunidades.

Autor: Divulgação

Readaptação das crianças ao ambiente escolar na volta às aulas

O direito de estudar também vale para pessoas com autismo

Pautado na perspectiva de um direito humano e fartamente fundamentado nas legislações, o parecer orientador fura a bolha da invisibilidade.

Autor: Lucelmo Lacerda

O direito de estudar também vale para pessoas com autismo

Precisamos ajudar os jovens na conquista de uma autonomia saudável

Criar autonomia não significa agir sem orientação, e é nesse contexto que destaco a importância de auxiliar os jovens em suas escolhas.

Autor: Rafaelle Benevides

Precisamos ajudar os jovens na conquista de uma autonomia saudável

Inovação na educação: o impacto transformador das telas interativas

As telas interativas têm emergido como catalisadoras de mudanças significativas no cenário educacional.

Autor: Severino Sanches

Inovação na educação: o impacto transformador das telas interativas

Revolução educacional e estudantes com autismo: o impacto do CNE

A cada 36 crianças, uma é diagnosticada com autismo. E a garantia do direito à educação desses estudantes se apresenta como tema de interesse público nacional.

Autor: Lucelmo Lacerda e Flávia Marçal

Revolução educacional e estudantes com autismo: o impacto do CNE

Caneta, régua, borracha e apontador são os materiais escolares mais tributados

Pesquisa realizada pela Sovos aponta que tributos incidentes sobre os principais itens escolares podem chegar a 50% do preço final repassado ao consumidor.

Autor: Divulgação

Caneta, régua, borracha e apontador são os materiais escolares mais tributados

Adaptação da criança na escola é momento crítico para pais e educadores

Especialistas dão dicas de como lidar com esse momento de choradeira e inseguranças.

Autor: Divulgação

Adaptação da criança na escola é momento crítico para pais e educadores

Estudantes brasileiros rejeitam FIES como forma de financiamento

30% dos entrevistados não aceitariam de forma alguma o financiamento ou preferem outras formas de pagamento, mesmo se houvesse vaga disponível.

Autor: Divulgação

Estudantes brasileiros rejeitam FIES como forma de financiamento

Estratégias para poupar na compra de material escolar

Dicas sobre como se organizar para que o retorno às aulas não cause um grande impacto financeiro.

Autor: Divulgação

Estratégias para poupar na compra de material escolar