Portal O Debate
Grupo WhatsApp


2018 será o ano da autoaprendizagem das máquinas

2018 será o ano da autoaprendizagem das máquinas

06/02/2018 Rodrigo Lobato

Em 2017 a inteligência artificial foi o centro das atenções na indústria programática.

2018 será o ano da autoaprendizagem das máquinas

Mas estamos apenas no início da revolução. Olhando para o futuro, 2018 será o ano do desenvolvimento e do aprofundamento das tecnologias de inteligência artificial disponíveis. E este é um fato particularmente importante para a indústria da publicidade digital e programática.

De um modo geral, o objetivo da inteligência artificial é tornar os computadores inteligentes, dando-lhes habilidades de pensamento e raciocínio semelhantes ou ainda melhores do que as do ser humano.

Curiosamente, abordagens avançadas começaram a proliferar em 2017, como o deep learning – um método que imita o trabalho cognitivo do cérebro humano no processamento de dados e na criação de padrões de tomada de decisão.

Esta tornou-se uma tecnologia imprescindível em muitas áreas, como saúde e automotiva, e do ponto de vista dos comerciantes, também teve um enorme impacto no setor publicitário.

Recentemente a RTB House analisou conjuntos de dados maciços para mostrar que uma abordagem baseada em inteligência artificial pode levar a uma taxa de conversão 35% melhor do que quando nos baseamos apenas nos instintos humanos.

Mas os algoritmos de deep learning podem ir além, gerando resultados 29% melhores do que as tecnologias de IA tradicionais. Isso porque a metodologia tornou possível obter descrições ultraprecisas de usuários, além de informações mais ricas e facilmente interpretáveis pela máquina sobre o potencial de compra dos consumidores.

O resultado são anúncios profundamente segmentados e processos livres de interferência humana. Mas após todo esse progresso, o que podemos esperar no campo da IA em 2018?

Máquinas que aprendem por si só

Em 2017 vimos a evolução do chamado "aprendizado supervisionado", uma abordagem padrão onde o computador apende a partir de instruções humanas, levando em consideração padrões de exemplos, conjuntos de dados e respostas pré-existentes.

Em 2018, a inteligência artificial nos permitirá mergulhar em áreas mais sofisticadas, como a "transferência de aprendizagem", que permite ao computador tomar decisões, tirar conclusões ou fazer analogias e deduções lógicas por si só. Esta é uma forma de deep learning onde a máquina aprende a tomar decisões usando o conhecimento adquirido a partir de muitas simulações, ao invés de dados reais.

Uma segunda possível abordagem é a “aprendizagem reforçada”, cujo objetivo é fazer com que o computador tome as melhores decisões com base em comentários recebidos do meio ambiente e a partir de suas ações. Ambos os modelos tornam o processo de aprendizado da máquina muito mais fácil, rápido e barato.

E como isso vai impactar os anunciantes, na prática? Basta pensarmos, por exemplo, nos complexos sistemas de leilão para compra de anúncios. Mesmo os especialistas muitas vezes têm problemas para determinar a taxa ideal de investimento que lhes permitirá atingir os resultados desejados com o menor custo.

No entanto, ao contrário de um ser humano, a máquina pode funcionar 24 horas por dia em um ambiente de simulação e aprender muito mais rápido. Com isso, ela é capaz de otimizar os investimentos já num curto prazo.

Novos empregos e tarefas

Os algoritmos de deep learning aprendem da mesma maneira que as pessoas fazem, mas numa velocidade extremamente maior, sendo ainda capazes de analisar quantidades inimagináveis de dados. Eles também não ficam com sono e não cometem erros. De uma forma muito simples, a IA vai superar as pessoas em todas as áreas possíveis.

Mas isso significa que as máquinas também assumirão seus empregos? Não exatamente. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças que entram na escola primária hoje acabarão em empregos que atualmente não existem.

A taxa atual de desenvolvimento da IA permite que mais empresas busquem mais especialistas em TI, analistas de dados e programadores, por exemplo. No próximo ano provavelmente teremos um boom de novas ofertas de emprego para cargos como cientistas de dados.

As inovações de 2017 serão aprimoradas em 2018


O objetivo do deep learning é facilitar nossas vidas e tornar o nosso trabalho mais efetivo. Portanto, o uso da IA não é mais uma tendência, mas sim uma necessidade para as empresas que desejam ser competitivas em um mercado global.

As empresas agora têm uma quantidade tão grande de dados para analisar que a capacidade de processamento torna-se uma barreira. Isso afeta diretamente as decisões tomadas por seus funcionários e, consequentemente, os resultados financeiros. Por isso, os especialistas em coleta e análise de dados terão um papel cada vez mais importante.

No campo da publicidade, a inteligência artificial será a chave para sugerir ofertas assertivas aos clientes, recomendar termos de busca para fornecedores e até para instruir os funcionários sobre o que dizer e fazer nos atendimentos em tempo real.

Também podemos presumir que muitas novas startups surgirão em breve, oferecendo soluções baseadas em algoritmos de autoaprendizagem, já que esta metodologia se espalhará.

Definitivamente, nos próximos anos veremos o desenvolvimento de tecnologias que irão substituir os seres humanos em muitas tarefas difíceis, tornando as nossas vidas mais fáceis. Mas ainda há muito trabalho pela frente.

* Rodrigo Lobato é country manager Brasil da RTB House, uma empresa de tecnologia europeia focada em oferecer um serviço completo e personalizado de retargeting baseado em algoritmos de deep learning.



O Papa e a homossexualidade

O Papa Francisco declarou que as uniões homossexuais devem ser legalmente reconhecidas.


O PIB e os processos migratórios do ensino superior

As vidas de Alexandre e Letícia se encontraram quando se conheceram em uma grande universidade particular da capital paranaense – ela cursava Comunicação e ele, Engenharia.


Falsos profetas da renda variável

Os juros sempre foram altos no Brasil.


Mutilações Subjetivas: Holocausto Escolar

Indignar-se! Envergonhar-se! Esperançar-se! Já dizia o poeta Walter Franco, “viver é afinar o instrumento (que somos nós!), de dentro pra fora, de fora pra dentro”.


Longevidade e perspectivas na oncologia

As campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul têm o papel essencial de alertar a população para as doenças oncológicas.


Um verdadeiro estadista

Agora, aos 85 anos, completados em maio, a pandemia fez com que Mujica decidisse pela renúncia a um cargo que, como explicou, exige muito contato com a população.


A participação política dos profissionais da educação

Precisamos ser voz daqueles que não tem voz, usar nossa influência para que os parlamentares saibam que sem o voto, eles não podem continuar na vida pública.


O Líder da Consciência Empresarial Humanizada

Iniciei este trabalho sem muita clareza sobre o tema “Quem são os nossos líderes no mundo novo?”.


Aprender português com o Eça

Não sou filólogo nem purista, nem sequer escritor. Limito-me a ser modesto cronista, e deixo fugir – para minha vergonha, – calinadas, que muito me desgostam.


Uma paz ruim é melhor do que uma boa guerra

Em uma edição recente de um jornal, o Embaixador do Azerbaijão fez um esforço para justificar a agressão de seu país – a guerra mais feroz por enquanto do século XXI – contra Nagorno-Karabakh.


O stress e a inadimplência

O cenário econômico brasileiro não é dos melhores.


Fatos, opiniões e a sorte da Democracia

Comecemos com uma afirmação: “verdade é aquilo que não podemos modificar”.