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Lesões comuns entre os ciclistas

Lesões comuns entre os ciclistas

01/02/2019 Ana Paula Simões

Desde o século passado, quando as bicicletas passaram a forma que tem atualmente, o ciclismo tornou-se popular para recreação, exercício e esporte.

Lesões comuns entre os ciclistas

Hoje, existem cerca de 80 milhões de ciclistas nos Estados Unidos, por exemplo. Estudos estimam que grande parte desses ciclistas sofrem de problemas físicos: 48% no pescoço, 42% nos joelhos, 36 % na virilha e nádegas, 31% nas mãos e 30 % nas costas. Mas não importa o seu motivo, pedalar faz bem, mas podemos seguir alguns princípios básicos de segurança para evitar lesões comuns no ciclismo.

Confira quais são as lesões mais comuns no ciclismo e como elas podem ser prevenidas:

Dor no joelho

O joelho é o local mais comum para lesões por uso excessivo em ciclismo. Síndrome femoropatelar (joelho do ciclista), tendinite patelar, síndrome da plica medial e síndrome de fricção da banda iliotibial são algumas das lesões mais comuns do uso excessivo do joelho. As quatro primeiras lesões mencionadas envolvem dor ao redor da patela (rótula), enquanto a última condição resulta em dor externa no joelho. As palmilhas personalizadas nos calçados, as cunhas abaixo dos calçados e as posições dos grampos podem ajudar a evitar algumas lesões por uso excessivo. Fortalecimento específico dos músculos do joelho e correção da postura são fundamentais.

Ferimentos na cabeça

Uma das lesões mais comuns sofridas pelos ciclistas é a lesão na cabeça pós-queda, que pode ser qualquer coisa, desde um corte na bochecha até traumatismo crânio-encefálico. Usar um capacete pode reduzir o risco de lesões na cabeça em 85%. A maioria dos estados não tem leis que governam o uso de capacetes enquanto anda de bicicleta, mas capacetes estão prontamente disponíveis para compra, e existem opções de baixo custo.

Dor no pescoço

Ciclistas provavelmente experimentam dor no pescoço quando eles ficam em uma posição de equitação por muito tempo. Uma maneira fácil de evitar essa dor é fazendo alongamentos nos ombros e pescoço que ajudam a aliviar a tensão do pescoço antes, durante e pós-pedal. Postura imprópria também leva a lesões. Se o guiador estiver muito baixo, os ciclistas podem ter de arredondar as costas, colocando assim tensão no pescoço e nas costas. Encurtamento dos isquiotibiais e/ou músculos flexores do quadril também pode forçar os ciclistas para arredondar ou curvar-se mais, o que faz com que o pescoço hiperestenda. Alongar estes músculos em uma base regular criará a flexibilidade e será mais fácil manter a forma apropriada. Mudando a posição do guidão tira o estresse em excesso dos músculos cervicais utilizados e redistribui a pressão para diferentes regiões.

Dor ou entorpecimento do pulso/antebraço

Os ciclistas devem andar com os cotovelos ligeiramente dobrados (nunca com os braços trancados ou retos). Quando atingem solavancos e buracos na estrada, cotovelos curvados atuarão como amortecedores. É aqui também onde a mudança de posições das mãos vai ajudar a reduzir a dor ou dormência. Duas lesões de uso comum de pulso são a paralisia do ciclista e síndrome do túnel do carpo que podem ser evitadas alternando a pressão do interior para fora das palmas e certificando-se de que os pulsos não caem abaixo do guidão. Além disso, luvas acolchoadas e esticar/alongar as mãos e pulsos antes de andar de bike ajudará.

Problemas urogenitais

Uma queixa comum de ciclistas do sexo masculino que passam muito tempo pedalando é neuropatia pudendal, um entorpecimento ou dor na área genital ou retal. É tipicamente causada pela compressão do suprimento de sangue para a região genital. Um assento mais largo, com estofamento, um assento com parte do assento com reforço de amortecimento, mudar a inclinação do assento, ou usar shorts de ciclismo acolchoados, irão ajudar a aliviar a pressão na região.

Entorpecimento e formigamento dos pés

Formigamento e anestesia nos pés são queixas comuns, e sapatos que são muito apertados ou estreitos são muitas vezes a causa. Além disso, o entorpecimento no pé pode ser devido à síndrome do compartimento de esforço. Isso ocorre devido ao aumento da pressão na perna e à compressão dos nervos. O diagnóstico é feito por medições de pressão e é tratado com liberação cirúrgica. Isso acontece nos casos crônicos e sem cuidados.

Qualquer lesão que seja acompanhada por hemorragia, dor intensa, perda de sensação ou aumento da fraqueza deve ser observada por um médico especialista do esporte e com título da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBMEE). Outras dores devido ao uso excessivo ou lesões citadas acima desde que leves, podem ser tratadas com repouso e tomando as medidas de correções posturais e fortalecimento específicos. Inchaço e dor também podem ser tratados com gelo e, eventualmente, pomadas. Caso persista e diminua sua performance: procure um especialista! Bons treinos!

* Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Fonte: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 



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