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O micro-organismo que afeta o comportamento e a saúde emocional

O micro-organismo que afeta o comportamento e a saúde emocional

25/03/2020 Sonia Pittigliani

Seja no jornal, nos noticiários da TV ou nos sites de notícias, o tema é monotemático: coronavírus (Covid-19).

Não importa para onde você tente fugir, esse assunto estará presente. Essa pandemia tomou conta do mundo e irá demorar até que mudem o foco.

Escolas, empresas, museus, teatros, competições esportivas e fronteiras, ou estão fechadas ou estão tentando encontrar saídas para o enfrentamento desse micro-organismo, que está fazendo o mundo se curvar.

Os órgãos internacionais e nacionais tentam estabelecer uma estratégia de contenção de riscos para evitar o desespero generalizado.

A tática adotada pretende munir a todos, indistintamente, com as informações mais próximas da realidade, sem criar um momento de convulsão comportamental e emocional. "Não entrem em pânico" é uma frase repetida à exaustão.

Realmente, temos que tomar muito cuidado com a excessiva "sugestionabilidade" do comportamento coletivo, mas não podemos ignorar a ansiedade frente aos medos do desconhecido, a depressão pelo isolamento e as incertezas do futuro.

Nesse sentido, é importante ressaltar que os estados emocionais do complexo comportamento humano sofrem com uma desmedida dor que pode desencadear reações em série. Por isso, a situação atual é preocupante.

Estamos lidando com diversos componentes que complicam essa situação e agravam o nosso estado emocional.

Acompanhar a progressão geométrica do Covid-19 nos indivíduos infectados, ver pessoas com máscaras (sem real necessidade) e presenciar prateleiras de supermercados vazias somente intensificam o sentido de desespero.

Dessa forma, fica difícil entender quais comportamentos são racionais e quais são as consequências emocionais que tudo isso vai provocar, transformando-se em mais uma incógnita a ser resolvida.

Nesse momento, devemos lembrar que o sistema imunológico reage a todas essas emoções que estamos vivenciando.

O estresse, o medo, a ansiedade, a depressão e a angústia das incertezas contribuem para a vulnerabilidade e a queda de defesas do organismo, abrindo um caminho de possibilidades para o adoecimento.

Os profissionais da saúde estão totalmente mobilizados nessa guerra. Vemos constantemente médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, laboratórios, hospitais, unidades básicas de saúde empenhados nessa luta diária para combater o Covid-19. Mas, onde estão os psicólogos nisso?

Por dever ético humano e pelo senso de coletividade, também cabe a nós, psicólogos, o ato de cuidar. Temos que nos fazer presentes nesse contexto, sendo lembrados enquanto profissionais de saúde e tendo atitudes e ações pertinentes.

Precisamos tratar da saúde emocional dos pacientes, de seus familiares e das equipes clínicas que estão na linha de frente. Somos todos cuidadores.

Enquanto profissionais do comportamento humano, individual e coletivo, temos que nos mobilizar, ajudando em todas as frentes de saúde.

Sendo assim, é fundamental acolher os pacientes, familiares e cuidadores com uma escuta qualificada para conter os medos e os pensamentos infundados, defendendo a cautela e o bom senso, objetivando o equilíbrio no comportamento.

O trabalho dos profissionais de psicologia é essencial em tempos de pandemia. São diversas as formas de atuação que podem beneficiar a sociedade.

É importante colher, orientar, informar, apontar as emoções envolvidas e tratar dos casos necessários de forma pontual, ensinar que todas essas emoções e sentimentos são compatíveis com o comportamento humano e são passageiras, mostrando saídas para o período de maior estresse, ansiedade e medo.

É imprescindível ainda transformar essa experiência em aprendizado positivo e fonte de crescimento e autoconhecimento, explicar que não há razão para atos discriminatórios ou preconceito por medo de contaminação das pessoas e evitar, na medida do possível, o bombardeio de informações, que elevam a ansiedade e geram preocupação e estresse.

Por isso, devemos apontar e pesquisar fontes confiáveis, orientar as crianças a lidar com as emoções desconhecidas e a perda das atividades rotineiras, recomendar paciência com os idosos e que os pacientes não deixem de tomar os remédios para as doenças de base e tomar cuidado para não se automedicar, intensificando as informações sobre as práticas de higiene e a etiqueta.

Ainda, é válido ressaltar que o atendimento psicoterapêutico online já é uma realidade. Então, se tiver necessidade de atendimento pontual para suporte ou melhor compreensão das informações e sentimentos, a Telavita está presente para o que for preciso.

* Sonia Pittigliani é psicóloga da Telavita, plataforma de psicoterapia online.

Fonte: PiaR Comunicação



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