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Sobre os atos de profanação da parada gay realizada em São Paulo

Sobre os atos de profanação da parada gay realizada em São Paulo

17/06/2015 Catarina Rochamonte

O homossexualismo não diz respeito à esfera pública, não precisa levantar bandeiras e nem seria necessário militância partidária alguma ou mesmo agremiações em favor dessa causa caso fosse tratado como aquilo que efetivamente é: uma opção de exercício da sexualidade baseada em certas disposições orgânicas.

Nada é mais banal e corriqueiro do que o exercício, o desvio, a banalização, a censura e a deturpação de tudo aquilo que diz respeito à sexualidade humana, portanto não adianta proteger um determinado seguimento se o foco da questão permanece em aberto, qual seja, a manutenção na sociedade de uma mentalidade regrada e pautada pelo sexo, nutrida e inflamada pela pervertida visão que reconhece no homem um animal indômito, incapaz de sublimação, de aprimoramento de uma construção psíquica cuja base é a energia advinda da sexualidade.

Somos uma civilização afrodisíaca. Não tenho aqui pretensões de esgotar o tema, não quero arrastar para cima de mim a pendência de uma geração, apenas constato algo notável: o esquecimento gradual da capacidade de assenhoramento de si, de auto-controle, o que passa inevitavelmente pelo controle instintual e pelo respeito à construção moral de uma sociedade baseada em determinados valores que a sustém.

O problemático aqui é também a relação equivocada que tem se estabelecido entre o público e o privado. Que tenho eu a ver com a sexualidade alheia?

Por que o Estado, com o dinheiro dos meus impostos, precisa fomentar o show daqueles que resolveram colocar a sua sexualidade na vitrine?

Se a homossexualidade for, para determinada pessoa, a opção saudável, a opção correta, se representa para ele o ato de liberdade individual cuja execuação não violará o direito dos outros, então eu nada tenho contra ele e o respeito como respeito todos os demais; no entanto, se um indivíduo cuja opção sexual é marginalizada opta por favorecer a si próprio denegrindo o restante do mundo, então o meu respeito não será o mesmo, pois o que respeito é a soberania moral de cada um no exercício da sua liberdade, no âmbito doméstico e privado que lhe é próprio.

Fazer da homossexualidade uma bandeira é ultrapassar o âmbito da condução da própria subjetividade, é tentar impor uma aceitação e um respeito que se conquistam com a delicadeza e não com a imposição de ideias extravagantes à força de deboches, ofensas, sacrilégios e sarcasmos.

O sacerdote que esbraveja contra a concessão de direitos aos homossexuais é tão digno de pena quanto o homossexual que cospe no mundo ao invés de tentar obter o respeito e a admiração dos seus amigos, dos seus colegas de trabalho e de todos aqueles em cuja convivência harmônica será constatado que o exercicio de uma sexualidade heterodoxa não trará prejuízo algum ao semelhante nem afeta minimamente a nobreza de seu caráter e de suas ações.

O que o homossexualismo precisa, enquanto movimento social, é se dissolver, pois a sociedade já aceitou o homossexual há tempos e já não há nada para impor nessa luta a não ser a recusa ao outro que passa a ser aquele que permanece afeito a uma sexualidade regrada por certos limites já bem aceitos dentro da nossa civilização.

Não queremos, de fato, condenar ninguém, apenas recuperar uma noção perdida, tornada obsoleta, a noção do sagrado. O sagrado está no mundo como o sol que ilumina a terra: em cada mente aberta, em cada oração convicta, em cada ação generosa, em cada sentimento estético cujo conteúdo é mais alto do que aquele que o contempla, em cada sentimento religioso e em todas as religiões.

Profanar o sagrado só pode servir a uma causa de destruição, a uma mente doentia, a uma alma desamparada e aflita. Profanar o sagrado só pode testemunhar contra a saúde mental de quem profana e não pode, de forma alguma, servir de pretexto para o progresso, pois não há progresso quando o que há de mais elevado sob a terra, quando o sentido mais alto que o homem pode alcançar é banalizado e aviltado.

Para quem não compreendeu o que eu disse, serei mais clara: Cristo é o ponto culminante da nossa civilização. Ele é o ideal máximo que uma mente e um coração humano pode almejar. Não importa se você acredita nisso ou não, você compartilha comigo uma cultura sedimentada em valores de paz, de altruísmo e de moralidade que tiveram nele o seu ponto de difusão.

* Catarina Rochamonte é Doutoranda em Filosofia pela UFSCar, escritora, jornalista e Especialista do Instituto Liberal.



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