Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Terapia de estimulação cerebral profunda pode reduzir até 80% dos tremores causados pelo Parkinson

Terapia de estimulação cerebral profunda pode reduzir até 80% dos tremores causados pelo Parkinson

30/04/2022 Marcelo Valadares

A cirurgia é um recurso muito importante e deve ser considerada para alguns pacientes.

Terapia de estimulação cerebral profunda pode reduzir até 80% dos tremores causados pelo Parkinson

Embora o Parkinson seja uma doença ainda sem cura, a ciência vem trabalhando continuamente em busca de tratamentos para estabilizar, atenuar ou até mesmo interromper a piora dos sintomas. Esta é a segunda condição neurodegenerativa mais incidente em pessoas acima dos 60 anos, atrás apenas do Alzheimer. Entre as muitas dúvidas, que vão além do diagnóstico, as formas de tratamento também deixam incertezas entre os pacientes. Será que a medicação é nossa única alternativa, ou existem outras opções?

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que aproximadamente 2% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a condição. Já no Brasil, estima-se que cerca de 200 mil pessoas sofram com ela. A origem do Parkinson está na perda de neurônios em um núcleo bem específico do cérebro chamado de Substância Negra (região onde os neurônios possuem um pigmento de cor muito escura, a neuromelanina), responsáveis pela produção de dopamina. Assim, os pacientes têm esses neurônios comprometidos, deixando de produzi-la. Os movimentos são afetados porque a dopamina, que ativa uma área do cérebro conhecida como corpo estriado, é uma das portas de entrada de um dos principais centros reguladores dos movimentos do corpo.

Entre os sintomas mais conhecidos da doença estão o tremor involuntário e a rigidez corporal que, normalmente, podem ser controlados com o uso da medicação adequada. Entretanto, com o passar dos anos, o remédio pode perder o efeito gradativamente ou ainda o paciente pode desenvolver efeitos colaterais pelo uso da medicação, causando transtornos ao parkinsoniano.

Embora ainda existam excelentes opções de medicamentos como a conhecida Levedopa, que revolucionou o tratamento e foi oficialmente aprovada em 1970, cerca de 20 a 30% dos pacientes podem ter efeitos adversos à terapia medicamentosa, principalmente, alguns anos após o uso, como movimentos involuntários, alucinação e delírios. Mesmo com o ajuste da dosagem, os sintomas podem atrapalhar a vida do paciente e o efeito dos fármacos fica cada vez mais curto.

Atualmente, uma das maiores esperanças da medicina em relação ao Parkinson é o aprimoramento da inovadora cirurgia intitulada DBS (do inglês, deep brain stimulation), que consiste na implantação cirúrgica de um dispositivo médico neuroestimulador, semelhante a um marca-passo cardíaco, auxiliando no controle dos principais sintomas da doença, que pode garantir a qualidade de vida dos pacientes.

A cirurgia é um recurso muito importante e deve ser considerada para alguns pacientes. Ela não é ainda a primeira linha de tratamento possível, mas é uma das melhores alternativas em casos de pacientes que passam a apresentar resistência às medicações já conhecidas, e pode reduzir os tremores em até 80%, além da rigidez e outros sintomas, quando bem indicada.

É importante lembrar que nem todos os pacientes com Parkinson apresentam os mesmos sinais. Entre os mais conhecidos, além do tremor involuntário e da rigidez corporal, estão: as dores musculares; a lentidão nos movimentos; a perda de expressões faciais; entre outros, como a constipação e a incontinência urinária. Alguns podem ter apenas um tremor leve e, outros, um pouco de rigidez no corpo. Uma minoria também pode apresentar alterações de memória e de comportamento, por exemplo.

Na última década, principalmente, a tecnologia foi capaz de proporcionar benefícios ao paciente sem precedentes de efeitos colaterais. Em meio a um momento de descobertas no campo das terapias gênicas, pesquisadores tem apresentado, com confiança, estudos que visam apresentar novidades.

Nestas pesquisas mais recentes, a proposta é autorregular a produção de dopamina, neurotransmissor responsável pela mensagem entre as células nervosas e que tem queda intensa na Doença de Parkinson.

Além disto, o momento é também de lançamento para novas medicações de tratamento não apenas do Parkinson, mas também de outras doenças neurológicas. Esperamos contar no Brasil, em breve, com o ultrassom focado guiado por ressonância, que é uma ferramenta útil para tratar pacientes com tremor essencial e, também, o tremor do Parkinson, de uma forma menos invasiva.

Neste momento de ansiedade, os pacientes que buscam consultar especialistas estão sempre ansiosos por novidades. Enquanto isso, trabalhamos diariamente para aprimorar as técnicas e, com base em avaliações clínicas, adaptar a terapia com mais precisão às necessidades de cada um.

* Marcelo Valadares é neurocirurgião, pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e médico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Para mais informações sobre Parkinson clique aqui...

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Fonte: BCW



O doce é o grande vilão do emagrecimento?

A grande maioria das pessoas considera que o doce é o grande vilão no processo de emagrecimento

O doce é o grande vilão do emagrecimento?

ANS inclui opções de quimioterapia oral em seu rol de procedimentos

Opções de tratamento trazem benefícios de sobrevida aos pacientes.

ANS inclui opções de quimioterapia oral em seu rol de procedimentos

Metade dos pacientes com covid têm sequelas que podem passar de um ano

Fadiga está entre as principais queixas, diz estudo da Fiocruz Minas.

Metade dos pacientes com covid têm sequelas que podem passar de um ano

Estudos comprovam que cigarro eletrônico causam danos à saúde

Entidades médicas esperam decisão da Anvisa sobre os dispositivos.

Estudos comprovam que cigarro eletrônico causam danos à saúde

Muito além do chip da beleza

Você, com certeza, nos últimos meses já ouviu falar do famoso “chip” da beleza.


Evolução da telessaúde

Maior segurança e respeito à autonomia de profissionais e pacientes.


Quais os sintomas da candidíase?

A candidíase é uma infecção causada por uma levedura (um tipo de fungo) chamada Candida albicans.


O Influenza também está no nosso foco

Falar em vacinação nos dias de hoje nos tende a remeter quase que exclusivamente ao combate à Covid-19.

O Influenza também está no nosso foco

A nova era da Telemedicina no Brasil

Alguns números atestam que as consultas virtuais estão sendo utilizadas cada vez mais no país.

A nova era da Telemedicina no Brasil

É inaceitável que pessoas ainda morram de malária

Esta semana, de 25 a 29 de abril, marca a luta mundial contra a malária.


Transtornos psiquiátricos catalisados pelo luto de vítimas de COVID-19

Médico psiquiatra comenta a situação exclusiva de pessoas que perderam parentes queridos durante a pandemia. A ansiedade e o transtorno de humor são os mais prevalentes nesses casos.

Transtornos psiquiátricos catalisados pelo luto de vítimas de COVID-19

Pesadelo na hora do sono: apneia atinge 70 milhões de brasileiros

Por muito tempo o hábito de roncar tem sido visto como motivo de chacota ou algo corriqueiro.

Pesadelo na hora do sono: apneia atinge 70 milhões de brasileiros