Portal O Debate
Grupo WhatsApp


A imagem do caos

A imagem do caos

06/11/2016 Benedicto Ismael Camargo Dutra

O que acontece no Brasil também acontece no mundo.

No entanto, aqui a situação é mais sensível ainda porque sempre estivemos por baixo, sem que a elite dirigente se dispusesse a governar com justiça e seriedade. Cresce a insatisfação com a precarização geral.

O Brasil vive o apocalipse econômico porque os governantes não administraram os recursos de forma competente, pois o país está endividado e falta tudo, a começar pela saúde, educação e saneamento. As obras tiveram preços bem superiores aos aceitáveis.

Os encargos financeiros sufocam. Lamentável que tenha chegado ao extremo de, para conter a desfaçatez nos gastos, ser necessária uma PEC do teto. Se desde sempre os gestores tivessem pautado os gastos com parcimônia, de forma cuidadosa e eficiente, respeitando os limites das receitas, estaríamos muito à frente, sem dívidas e com estabilidade.

Orçamentos são elaborados, pois o papel tudo aceita, mas no final as dívidas e despesas financeiras aumentam. Não basta o controle das contas internas; para ser bem-sucedido o Brasil precisa organizar e equilibrar também as contas externas.

O descontrole leva ao atraso e caos. Fala-se em educar crianças para as finanças, mas os gestores públicos têm sido irresponsáveis na administração do erário. É preciso exigir eficiência nos gastos da união, estados e municípios.

O projeto da PEC deriva da necessidade de gerar sobras, pois se continuar de forma deficitária o país corre o risco de cair no endividamento incontrolável e no consequente desgoverno. O Brasil tem de sair do marasmo e ser uma pátria de seres humanos livres.

Até agora estamos em grande atraso. No caso do Haiti, a situação já era caótica antes mesmo de o país ser atingido por terremoto e furacão, devido ao desgoverno secular a que vem sendo submetido e que descuidou do preparo da população desesperançada, que não percebe bom futuro pela frente.

Falta tudo, a começar pela alimentação. O Haiti surgiu como um produtor escravagista para a Europa. Em 1804 declarou independência e concordou em assinar um tratado pelo qual pagaria à França a quantia de 150 milhões de francos a título de indenização.|

A dívida foi reduzida para 90 milhões, mas exauriu a economia do país. Tropas dos Estados Unidos ocuparam o Haiti entre 1915 e 1934 para proteger os interesses norte-americanos no país. O ditador Papa Doc, apoiado pelos Estados Unidos, aterrorizou a população.

Caos, decadência e degradação. Sem liberdade plena, o povo se fragilizou, ficando sem chances de evoluir. Quanto ao Brasil, é preciso cautela e atenção para não cair nessa rota destrutiva que acaba com o país. Governo e empresários precisam se encontrar para pôr a produção e o comércio em movimento através de empregos, educação e saúde, e organizar o equilíbrio das contas externas, juros e câmbio.

O nosso desenvolvimento está congelado desde os anos 1980 devido à crise da dívida externa. Até agora o equilíbrio não foi restabelecido. Enquanto os gastos e as dívidas aumentavam, a educação foi piorando, as indústrias perdendo força.

Estamos com poucas atividades remuneradas para jovens e adultos. O país se acha em dormência por falta de estadistas sérios. Na verdade, o mundo todo vive uma fase de acontecimentos inesperados que escapam ao controle.

São os chamados “cisnes negros” que representam a colheita do que foi semeado pela humanidade. No fundo são as ameaças decorrentes da superpopulação e seu rápido crescimento, e a decadência progressiva do materialismo, de esquerda ou direita, sem visão mais elevada, que vai deixando as novas gerações resvalarem para as sombras da vida vazia de propósitos e felicidade.

Como preparar os jovens para que surjam seres humanos de qualidade, espiritualmente fortes e responsáveis, benéficos a si mesmos e ao planeta?

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo.



Os desafios de tornar a tecnologia acessível à população

Vivemos uma realidade em que os avanços tecnológicos passaram a pautar nosso comportamento e nossa sociedade.


O uso do celular, até para telefonar

Setenta e sete por cento dos brasileiros utilizam o smartphone para pagar contas, transferir dinheiro e outros serviços bancários.


Canto para uma cidade surda

O Minas Tênis Clube deu ao Pacífico Mascarenhas o que a cidade de Belo Horizonte deve ao Clube da Esquina; um cantinho construído pelo respeito, gratidão, admiração, reconhecimento, apreço e amor.


Como acaso tornou famoso notável compositor

Antes de alcançar a celebridade, e a enorme fortuna, Verdi, passou muitas dificuldades financeiras.


Gugu e a fragilidade da vida

A sabedoria aconselha foco no equilíbrio emocional e espiritual diante da fragilidade e fugacidade da vida.


Quando o muro caiu

O Brasil se preparava para o segundo turno das eleições presidenciais, entre o metalúrgico socialista Luís Inácio Lula da Silva e a incógnita liberal salvacionista Fernando Collor de Melo, quando a televisão anunciou a queda do muro de Berlim.


Identidade pessoal e identidade familiar

Cada família gesta a sua identidade, ainda que algumas vezes, de forma inconsciente.


Desprezo e ingratidão

Não sei o que dói mais: se a ingratidão se o desprezo.


A classe esquecida pelo governo

O fato é que a classe média acaba por ser a classe esquecida pelo governo.


O STF em defesa de quem?

A UIF, antigo COAF, foi criada como uma unidade do Ministério da Justiça (hoje, no BACEN) para fazer uma coisa muito simples: receber dos bancos notificações de que alguém teria realizado uma transação suspeita, anormal.


O prazer da leitura

Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.


Desmoralização do SFT

A moralidade e a segurança jurídica justificam a continuidade da prisão em segunda instância. A mudança desta postura favorece a impunidade dos poderosos e endinheirados.