Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Desafios e oportunidades para o crescimento da indústria ferroviária brasileira

Desafios e oportunidades para o crescimento da indústria ferroviária brasileira

25/05/2021 Vicente Abate

Temas latentes que precisam ser resolvidos em curto prazo permitirão que o progresso do transporte ferroviário nacional alcance competitividade mundial e gere emprego e renda para os cidadãos.

A indústria ferroviária brasileira capacitou-se, ao longo dos últimos anos, para melhor atender às concessionárias de transporte ferroviário de carga e de passageiros, do Brasil e do exterior, após investimentos significativos na construção de novas fábricas, modernização das instalações já existentes, aplicação de novas tecnologias e qualificação de sua mão de obra.

Os investimentos continuam, para oferecer, sempre, produtos e serviços inovadores da mais alta qualidade e de forma competitiva.

Foram vários os desenvolvimentos realizados pelos engenheiros brasileiros das empresas fabricantes de equipamentos, sistemas e componentes, e das prestadoras de serviços, que proporcionaram maior produtividade às concessionárias e a seus clientes, permitindo-lhes melhorar sua competitividade e obter retorno financeiro em suas operações.

Vagões de carga cada vez mais capazes e rápidos, na carga e na descarga, destinados a todos os produtos transportáveis sobre trilhos, como minérios, grãos e derivados, celulose, combustíveis e contêineres, dentre outros.

Locomotivas potentes, eficientes energeticamente e com elevada tecnologia embarcada, que proporcionam controle da operação em tempo real e redução de custos, principalmente do combustível, item prioritário das ferrovias.

Nesse sentido, a indústria nacional desenvolveu e já entregou ao mercado brasileiro, em setembro passado, a primeira locomotiva de manobra elétrica, 100% a bateria, que será exportada para os Estados Unidos este ano.

Trens de passageiros, dos mais diversos tipos, como trens de superfície, metrô, veículos leves sobre trilhos, monotrilhos e aeromóveis, que oferecem segurança, conforto e rapidez no transporte de nossa gente, com sensível economia de energia elétrica para as concessionárias.

Uma cadeia produtiva abastece todos esses veículos e fornece componentes de reposição às concessionárias, além de materiais para via permanente e sistemas de sinalização.

Com todo esse cabedal de conhecimento e de capacidade instalada, o que falta para a indústria ferroviária brasileira deslanchar?

Faltam, principalmente, previsibilidade e regularidade nas encomendas pelas concessionárias, que poderão se utilizar dos fatores a seguir elencados e possibilitar um novo patamar à nossa indústria.

É premente expandir nossa malha. São vários os projetos de carga, a começar pela ferrovia Norte-Sul, leiloada em 2019, que incorporará 1.537 quilômetros à malha atual, a partir de julho deste ano.

A seguir virá a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol 1), com 537 quilômetros, de Caetité (BA) a Ilhéus (BA), que será leiloada na B3, em 8 de abril. Depois virá a Ferrogrão, com 933 quilômetros, de Sinop (MT) a Miritituba (PA), que deverá ir a leilão ainda neste ano.

Outros projetos estão em andamento, como a Fiol 2, de Caetité (BA) a Barreiras (BA), com cerca de 500 quilômetros, em fase de construção pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, com a participação do Exército Brasileiro.

Com previsão de início de construção ainda neste primeiro semestre, teremos a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), de Água Boa (MT) a Mara Rosa (GO), com cerca de 400 quilômetros, produto do investimento cruzado da renovação antecipada da concessão da Companhia Vale.

A Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste) está em processo de privatização, que contempla sua extensão até Maracaju (MS). A Rumo Malha Norte prevê estender sua ferrovia, de Rondonópolis (MT) à região de Lucas do Rio Verde (MT), agregando cerca de 600 quilômetros à nossa malha.

São muitos também os projetos na área de passageiros, principalmente em São Paulo, como a construção das linhas 6 e 17 do Metrô, e a expansão das linhas 2 e 15 também do Metrô, da linha 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista.

Além da construção do trem intercidades, entre São Paulo e Campinas, e do people mover do aeroporto de Guarulhos.

Há vários outros projetos pelo Brasil como a concessão à iniciativa privada das linhas 8 e 9 da CPTM e de outros sistemas, como o de Brasília, da Companhia Brasileira de Trens urbanos (CBTU) e da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb).

1 – A renovação antecipada da concessão de seis malhas de carga, em vários estágios de execução no momento, deverá também alavancar a indústria ferroviária, com investimentos vultosos pelas concessionárias, que ultrapassam R$ 40 bilhões, e que proporcionarão também um novo patamar de qualidade nos serviços de transporte aos usuários das ferrovias.

2 – A renovação da frota de material rodante com mais de 40 anos de idade é um outro fator de impulso à indústria. Espera-se que as concessionárias e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) iniciem, com urgência, o “desfazimento” desta frota, preconizado por decreto presidencial, para que seja reposta a capacidade recebida pelas concessionárias há mais de 20 anos.

Com isso, vagões e locomotivas obsoletos, que operam com baixa eficiência e em condições precárias de segurança, serão sucateados.

3 – Por último, mas não menos importantes, a prorrogação do Reporto e a instituição do Projeto de Lei do Senado (PLS)261, o novo Marco Regulatório das Ferrovias, estão em vias de ser votados pelo Senado Federal.

São todos temas latentes, que precisarão ser resolvidos em curto prazo, permitindo o progresso do transporte ferro-viário nacional e, por extensão, da indústria ferroviária brasileira, garantindo assim a competitividade mundial de nossas commodities e gerando emprego e renda para nossos cidadãos.

Perseguir essas oportunidades, com a resiliência natural dos ferroviários, é o nosso desafio!

* Vicente Abate é Presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER).

Para mais informações sobre indústria ferroviária clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Fonte: ABIFER



Indulto x Interferência de Poderes

As leis, como de corriqueira sabença, obedecem a uma ordem hierárquica, assim escalonadas: – Norma fundamental; – Constituição Federal; – Lei; (Lei Complementar, Lei Ordinária, Lei Delegada, Medida Provisória, Decreto Legislativo e Resolução).


Você e seu time estão progredindo?

Em qualquer empreitada, pessoal, profissional ou de times, medir resultados é crucial.


Propaganda eleitoral antecipada

A propaganda para as eleições neste ano só é permitida a partir do dia 16 de agosto.


Amar a si mesmo como próximo

No documentário “Heal” (em Português, “Cura”), disponível no Amazon Prime, há um depoimento lancinante de Anita Moorjani, que, em Fevereiro de 2006 chegou ao final de uma luta de quatro anos contra o câncer.


O peso da improbidade no destino das pessoas

O homem já em tempos pré-históricos se reunia em volta das fogueiras onde foi aperfeiçoada a linguagem humana.


Mercado imobiliário: muito ainda para crescer

Em muitos países, a participação do mercado imobiliário no Produto Interno Bruto (PIB) está acima de 50%, enquanto no Brasil estamos com algo em torno de 10%.


Entender os números será requisito do mercado de trabalho

Trabalhar numa empresa e conhecer os seus setores faz parte da rotina de qualquer colaborador. Mas num futuro breve esse conhecimento será apenas parte dos requisitos.


Quais os sintomas da candidíase?

A candidíase é uma infecção causada por uma levedura (um tipo de fungo) chamada Candida albicans.


Entenda o visto humanitário para ucranianos

A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em 24 de fevereiro, já levou mais de 4 milhões de ucranianos a deixarem seu país em busca de um lugar seguro.


Exigência de vacina não é motivo para rescisão indireta por motivo ideológico

Não se discute mais que cabe ao empregador, no exercício de seu poder diretivo e disciplinar, zelar pelo meio ambiente de trabalho saudável.


A governança de riscos e gestão em fintechs

Em complemento às soluções e instituições financeiras já existentes, o mercado de crédito ficou muito mais democrático com a expansão das fintechs.


6 passos para evitar e mitigar os danos de ataques cibernéticos à sua empresa

Ao longo de 2021 o Brasil sofreu mais de 88,5 bilhões (sim, bilhões) de tentativas de ataques digitais, o que corresponde a um aumento de 950% em relação a 2020, segundo um levantamento da Fortinet.