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Woody Allen e Dylan Farrow

Woody Allen e Dylan Farrow

18/09/2019 Dr. Elie Cheniaux

A possível síndrome de falsas memórias.

Mais uma vez, a acusação de abuso sexual contra Woody Allen veio a público. Em 6 de agosto de 1992, Mia Farrow, ex-esposa de Allen, o acusou de ter molestado sexualmente a filha adotiva de ambos, Dylan, que tinha sete anos de idade.

A denúncia levou a uma investigação criminal por parte da polícia de Connecticut, nos Estados Unidos, e de uma equipe do Hospital Yale New Haven, especializada em abusos sexuais de crianças.

Em abril de 1993, esta equipe apresentou um relatório com a conclusão de que a menina não havia sido molestada. De acordo com os investigadores, o depoimento de Dylan apresentava muitas inconsistências e contradições, e parecia ter sido ensaiado.

Na época, o chefe da equipe, Dr. John M. Leventhal, fez o seguinte pronunciamento: “Tínhamos duas hipóteses: uma, que eram declarações feitas por uma criança emocionalmente perturbada e depois fixadas em sua mente. E a outra hipótese era a de ter sido influenciada por sua mãe. Não chegamos a uma conclusão firme. Achamos que provavelmente foi uma combinação”.

Portanto, Allen foi considerado inocente. A possível armação poderia se justificar com a separação de Woody Allen e Mia Farrow e o envolvimento dele com Soon-Yi, caso que se tornou um escândalo no mundo todo.

Em 2014, Dylan, já com 28 anos, publicou uma carta no jornal The New York Times relatando os supostos abusos sexuais por parte de Allen e, em 2018, concedeu uma entrevista para a TV sobre a mesma questão.

Satchel – cujo nome foi mudado para Ronan –, por sua vez, nos últimos anos tem reiteradamente se manifestado contra Allen.

No mesmo ano, em 2014, Moses, outro filho adotivo de Mia Farrow e Woody Allen, de 36 anos, saiu em defesa do pai. Afirmou que ele não tinha molestado sua irmã e acusou a mãe de “envenenar” os filhos contra Allen e fazer “lavagem cerebral” nas crianças.

Será Dylan Farrow vítima da síndrome de falsas memórias?

O fato de Dylan acreditar que foi abusada pelo pai não significa que o ato tenha mesmo ocorrido. Ao contrário do que indica o senso comum, as nossas lembranças não representam um registro fiel do passado, e mesmo pessoas normais do ponto de vista psiquiátrico podem apresentar falsas memórias.

Algumas vezes, falsas memórias chegam a ser mais ricas em detalhes e mais vívidas do que memórias verdadeiras. Elas surgem espontaneamente ou são o resultado de influência externa.

Alguns estudos científicos, como os conduzidos pela psicóloga cognitiva americana, Elizabeth Loftus, demonstram que falsas memórias podem ser criadas por sugestão.

Em um deles, os pesquisadores tentaram sugestionar um grupo de voluntários adultos sobre o fato de terem visto o coelho Pernalonga em uma viagem à Disney, na infância.

Curiosamente, diversos voluntários começaram a se lembrar de terem encontrado o personagem, descrevendo vários detalhes sobre o encontro. Entretanto, esse encontro não aconteceu, já que o Pernalonga é da Warner, e não da Disney.

Crianças pequenas são especialmente suscetíveis ao desenvolvimento de falsas memórias, pois são mais sugestionáveis do que crianças mais velhas, adolescentes ou adultos.

Elas tendem a aceitar como verdade o que dizem os adultos e têm dificuldade de distinguir o que realmente vivenciaram do que apenas ouviram falar.

Diversas formas de manipulação – exercidas por pais, psicoterapeutas ou outros – podem fazer com que sejam implantadas falsas memórias até mesmo de eventos traumáticos, como a de ter sofrido abuso sexual, por exemplo.

No início da década de 1990, nos Estados Unidos, muitas pessoas adultas processaram seus pais acusando-os de tê-las molestado sexualmente na infância.

Em grande parte desses casos, contudo, comprovou-se que nenhum abuso havia ocorrido e que, portanto, as acusações tiveram como origem falsas memórias, as quais não raramente haviam surgido no curso de um tratamento psicoterápico.

Alguns autores chamam esse fenômeno de “síndrome de falsas memórias” que, com frequência, está associada a situações de divórcio dos pais e disputa de custódia. Muito provavelmente, Dylan é vítima dessa síndrome.

Apesar de nunca provadas, as acusações contra Allen fizeram com que, em 2018, ele se tornasse alvo dos movimentos #MeToo e Time’s Up, que combatem e denunciam casos de assédio sexual sofridos por mulheres.

Nesse contexto, alguns atores e atrizes que trabalharam com o cineasta declararam que jamais voltariam a fazê-lo, sendo que Timothée Chalamet e Rebecca Hall doaram os salários que receberam por suas participações em “A Rainy Day In New York”, o mais recente filme de Woody.

Além disso, a Amazon, produtora e distribuidora deste filme, temendo prejuízos financeiros, cancelou o seu lançamento.

No entanto, a Imagem Filmes anunciou recentemente que irá distribuir “A Rainy Day In New York” nos cinemas brasileiros, em outubro, ainda sem data específica.

* Dr. Elie Cheniaux é psiquiatra, escritor, mestre e doutor em psiquiatria, psicanálise e saúde mental pela UFRJ.

Fonte: Flávia Vargas Ghiurghi



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