Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Como a quarentena provocou o êxodo urbano para cidades que oferecem mais qualidade de vida

Como a quarentena provocou o êxodo urbano para cidades que oferecem mais qualidade de vida

18/09/2020 Bruno Gama

A pandemia e as medidas de isolamento social fizeram com que as pessoas precisassem adaptar a rotina de trabalho, estudos, lazer e até de saúde, trazendo estas atividades para dentro de casa.

Com o tempo, o espaço doméstico precisou ser multifuncional, tendo a capacidade de atender todas essas demandas ao mesmo tempo, sem abrir mão do conforto. 

Mas muitas famílias, principalmente aquelas que moram em locais mais urbanos e populosos como as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, perceberam que o espaço de suas casas não era suficiente para dar conta de tantas mudanças.

E para quem tem filhos pequenos a dificuldade é ainda maior, já que as crianças precisam de um ambiente que garanta a mesma liberdade e diversão que tinham quando podiam sair antes da pandemia.

Mesmo com a reabertura de parques, shoppings e lojas, o local mais seguro é a casa, enquanto ainda não existe uma vacina.

Com o início do período de isolamento social, os moradores das capitais que possuíam casas de campo ou na praia tiveram a opção de escolher passar os dias de confinamento nestes locais, como uma forma de refúgio.

Mas uma boa parte daqueles que não tinham essa condição repensou a qualidade de vida nas capitais.

A necessidade de conforto e funcionalidade têm forçado um movimento de “êxodo” para cidades de interior ou litoral, locais que tradicionalmente oferecem melhores condições de vida, além de possibilitar o equilíbrio com um custo mais acessível.

O preço de imóveis em locais mais urbanos é mais elevado do que costuma ser em cidades no interior.

No caso de São Paulo, o custo do metro quadrado leva em conta a região em que o empreendimento está localizado, o fácil acesso a serviços de transporte e também o estado do imóvel.

Tudo isso é analisado antes e é determinante na hora da decisão de comprar uma casa. Entretanto, um imóvel na faixa de R$ 200 mil na capital paulista é completamente diferente de um pelo mesmo preço no interior.

Na capital, uma parcela considerável das pessoas  mora em apartamentos que costumam ter espaços com 45m² e 65m², considerando esta faixa de preço.

Com a possibilidade de trabalho remoto, muitos têm refletido se vale a pena ou não morar na capital com essas condições.

A pandemia gerou um efeito interessante “no morar” das pessoas e também existe ainda o movimento de remodelar o ambiente doméstico, isso para quem não abre mão de morar nas cidades urbanas ou não tem opção de trocar de casa, por diversos motivos.

E com isso vem também uma necessidade de reformular este ambiente e prepará-lo para estar o mais confortável possível para passar esse tempo, seja aumentando os cômodos ou criando um espaço dedicado aos estudos e home office.

Outro fator que possibilitou a chance de mudar de vida e de casa foi a queda de juros. A queda da taxa básica, a Selic, que no último corte chegou ao patamar de 2%, influenciou na redução do custo de aquisição para o financiamento de um imóvel.

E isso não só atingiu quem já tinha casa nas capitais, mas também aqueles que estavam na busca pelo imóvel próprio e que agora passaram a considerar morar em uma cidade mais tranquila, em uma casa com mais espaço, visto que este planejamento é pensado a longo prazo.

Esse movimento de “êxodo” urbano não é uma novidade só do Brasil. Outros países viram isso acontecer durante a pandemia, como Reino Unido que passou por alterações no mercado imobiliário devido à migração das pessoas que decidiram sair de Londres para morarem em cidades mais baratas e com mais qualidade e custo de vida menor.

Não é possível afirmar ainda se o êxodo vai acontecer de forma massiva e se as capitais vão se esvaziar depois da pandemia, mas é fato que ela foi determinante para mudar a forma de pensar das pessoas.

A quarentena fez com que nós passássemos um volume de tempo em casa que nunca tínhamos passado antes na vida, com raras exceções de quem já trabalhava em casa e isso nos fez valorizar mais ainda a nossa moradia.

* Bruno Gama é Engenheiro de Produção formado pela Escola Politécnica da USP, com pós-graduação e mestrado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e cursos de extensão em Berkeley, MIT e Esade (Espanha).

Fonte: Ana Carolina Barbosa



Gestão empresarial e perspectivas para 2022

Após mais um ano de pandemia, a alta administração das empresas priorizou a sobrevivência enquanto teve de lidar com expectativas frustradas.


O que a pandemia nos ensinou sobre fortalecer nossas parcerias

A pandemia da COVID-19 forçou mudanças significativas na operação de muitas empresas.


O barulho em torno do criado-mudo

Se você entrar agora no site da Amazon e escrever (ou digitar) “criado-mudo”, vai aparecer uma resposta automática dizendo que você não deve usar essa expressão porque ela é racista.


Reputação digital: é possível se proteger contra conteúdos negativos

O ano é 2022 e há quem pense que a internet ainda é uma terra sem lei. A verdade é que a sociedade avançou e o mundo virtual também.


Questão de saúde pública, hanseníase ainda é causa de preconceito e discriminação

Desde 2016, o Ministério da Saúde realiza a campanha Janeiro Roxo, de conscientização sobre a hanseníase.


Desafios para o Brasil retomar o rumo

A tragédia brasileira está em cartaz há décadas.


Mortes e lama: até quando, Minas?

Tragédias no Brasil são quase sempre pré-anunciadas. É como se pertencessem e integrassem a política de cotas. Sim, há cotas também para o barro e a lama. Cota para a dor.


Proteção de dados de sucesso

Pessoas certas, processos corretos e tecnologia adequada.


Perspectivas e desafios do varejo em 2022

Como o varejo lida com pessoas, a sua dinâmica é fascinante. A inclusão de novos elementos é constante, tais como o “live commerce” e a “entrega super rápida”.


Geração millenials, distintas facetas

A crise mundial – econômica, social e política – produzida pela transformação sem precedentes da Economia 4.0 coloca, de forma dramática, a questão do emprego para os jovens que ascendem ao mercado de trabalho.


Por que ESG e LGPD são tão importantes para as empresas?

ESG e LGPD ganham cada vez mais espaço no mundo corporativo por definirem novos valores apresentados pelas empresas, que procuram melhor colocação no mercado, mais investimentos e consumidores satisfeitos.


O Paradoxo de Fermi e as pandemias

Em uma descontraída conversa entre amigos, o físico italiano Enrico Fermi (1901-1954) perguntou “Onde está todo mundo?” ao analisarem uma caricatura de revista que retratava alienígenas, em seus discos voadores, roubando o lixo de Nova Iorque.