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Economia e Academia na Amazônia

Economia e Academia na Amazônia

15/08/2016 Wilson Périco

Empreendedores e cientistas precisam amiudar sua conversa e objetos de interesse.

Além da logística e da vontade política de sua representação parlamentar, empreender de forma competitiva na Amazônia exige estreita aproximação entre o setor produtivo e os órgãos de pesquisa, economia e academia.

Empreendedores e cientistas precisam amiudar sua conversa e objetos de interesse. Por isso, foi gratificante – e não deve parar por aí – o encontro entre o GEEA (Grupo de Estudos Estratégicos da Amazônia), o CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e os pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), para debater exatamente a intersecção fecunda entre o conhecimento e o empreendimento.

O modelo industrial existente precisa agregar valor e insumos locais no desafio de ampliar sua planta manufatureira na direção da bioeconomia. E bioeconomia, na Amazônia, com 20% dos princípios ativos de todo o planeta, é o melhor caminho, para não dizer o mais inteligente.

As indústrias do fazer e do conhecer devem estar integradas. Afinal, a demanda mundial por produtos de beleza, da dermocosmética, da nutrição orgânica e harmônica do ponto de vista do sabor e da saúde, bate à porta das novas oportunidades.

E o que dizer da farmacopeia, após a conquista do projeto genoma, que dará longevidade ao ser humano na medida em que passa a entender a sequência bioquímica de evolução ou finitude da vida. Esta é a percepção das entidades da indústria, comércio e agricultura, a Ação Empresarial do Estado do Amazonas.

Desarticulação inaceitável

Há mais de seis décadas, o INPA fincou pé nesta Amazônia que o mundo inteiro cobiça desde a chegada europeia. E é gratificante perceber esta interação do instituto com a sociedade, que lhe dá sustento e lhe fornece os insumos da pesquisa dos seus acervos e inventários.

É gratificante verificar as Forças Armadas abrirem espaço em seus pelotões de fronteira, para pesquisadores criarem opções de pesquisa e desenvolvimento nestes rincões da imensa Amazônia. Não faz sentido vê-la tão empobrecida em seus indicadores de desenvolvimento humano, por viver sobre tesouros inestimáveis da biodiversidade e da geodiversidade que o mundo precisa.

O Tribunal de Contas da União, depois de 10 anos de exaustivos levantamentos, com todos os atores públicos e privados da gestão da Amazônia, acionou o Ministério Público Federal, seção Amazonas, para promover uma revisão das políticas públicas federais na região.

Recursos são desperdiçados por conta da desarticulação e da ausência de planejamento conjunto e de longo prazo. O TCU também aponta que os recursos destinados à pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura são contingenciados em frontal desrespeito às leis que os criaram.

O texto do Acórdão, firmado com o MPF-AM em abril, está no portal www.cieam.com.br, e se refere exatamente às verbas de P&D e taxas da Suframa, recolhidas pelas empresas da Zona Franca de Manaus, e 80% confiscadas pela União para outros fins.

As novas trilhas

A atividade industrial de Manaus tem orgulho de manter integralmente a UEA (Universidade do Estado do Amazonas), presente em todos os 62 municípios de um estado que é maior, territorialmente, do que todo o Nordeste e toda a Europa Ocidental.

Além do orgulho, temos, sobretudo, a expectativa de debater com esta academia, e demais estudiosos das vocações de negócios sustentáveis da região, os novos caminhos que diversifiquem e interiorizem a economia. Por tudo isso, é promissor o debate entre cientistas e empresários, e os atores federais presentes no Amazonas.

Hoje, com a ajuda do INPA e da Embrapa, produzimos 30 toneladas de proteína de peixe por hectare em Rondônia, que abastece Manaus. No Centro-Oeste, apenas 300 quilos de proteína são extraídos da pecuária bovina. Já temos as lições de como propagar em laboratório as espécies da flora com alto valor comercial, e não mais derrubar o pau-rosa para a indústria de perfumaria francesa.

A indústria financiou o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia), que a União só agora começa a perceber seu papel. Precisamos de mais conversas, mais infraestrutura, mais vontade política. A prosperidade, que daí advém, a gente sabe produzir.

* Wilson Périco é presidente do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas).



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