Portal O Debate
Grupo WhatsApp


Expectativas racionais, DI-Futuro e Taxa Selic

Expectativas racionais, DI-Futuro e Taxa Selic

20/10/2016 Pedro Raffy Vartanian

Na década de 1970, uma nova corrente de economistas ganhou espaço no campo da macroeconomia.

Os chamados economistas novo-clássicos adotaram o postulado de que os agentes da economia formavam “expectativas racionais” que neutralizavam as ações de política econômica do governo.

As expectativas racionais consistem na ideia de que a sociedade é capaz de reagir às políticas sistemáticas de administração da demanda total de uma economia.

Em outras palavras, se o governo tenta promover algum estímulo na economia por meio de aumento de gastos ou redução da taxa de juros, os agentes anteciparão os efeitos de tal política, como por exemplo o aumento da inflação no futuro, e passarão a exigir salários cada vez maiores, que por sua vez fará com que os efeitos da política econômica sejam nulos sobre o PIB – Produto Interno Bruto.

Nesse contexto, a política resultará apenas em mais inflação sem que o nível de produção ou emprego aumente. Observa-se, portanto, que a reação dos agentes em relação à política implementada neutraliza os efeitos das políticas econômicas.

Adicionalmente, a visão novo-clássica destaca que os agentes utilizam todas as informações relevantes para prever o comportamento das variáveis macroeconômicas e que erros no processo de formação de expectativas podem ocorrer.

Quando os agentes cometem erros de previsão, poderão ocorrer crises de queda no PIB de um país com consequente aumento do desemprego. A corrente novo-clássica, ou escola das expectativas racionais, ganhou espaço no debate econômico e foi motivo de inúmeras controvérsias, com destaque para o fato de considerar os agentes econômicos previsores sofisticados e, portanto, com grande capacidade de prever o futuro da economia.

Apesar de inúmeras críticas com relação a essa visão, observa-se, especialmente nos mercados financeiros, o funcionamento do postulado novo-clássico no comportamento de muitos ativos e derivativos financeiros. Esta apresentação da visão novo-clássica é bastante oportuna no atual momento na economia brasileira especialmente quando se observa o comportamento do mercado futuro de juros.

Enquanto a taxa Selic atual é de 14,25% ao ano, o mercado futuro de juros já antecipa uma queda da taxa de juros para 2017, com o contrato de DI-futuro (contrato futuro de juros) para janeiro de 2017 sendo negociado em torno de 13,70%, o que significa que os agentes estão “antecipando” uma provável queda de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic ainda em 2016.

Para o início de 2018, os agentes já antecipam uma taxa Selic de 12% ao ano. Esse mesmo comportamento pode ser observado no início do ciclo de alta da Taxa Selic, de 7,25% para 7,5% em abril de 2013. Assim que o Banco Central do Brasil resolveu abandonar a postura leniente com a inflação, os agentes rapidamente incorporaram nas expectativas que a Taxa Selic subiria muito mais e o DI-futuro passou a ser negociado rapidamente em patamares superiores a 10%.

Pouco tempo depois, o mercado futuro já precificava uma Taxa Selic em torno de 14,25% ao ano antes mesmo de a Taxa Selic ter apontado este nível. Assim, é possível observar que de fato há um comportamento, pelo menos em alguns mercados, de agentes da economia como previsores sofisticados.

Adicionalmente, e como vem ocorrendo de forma recorrente, tal “antecipação” sugere um otimismo na medida que prevê o início do ciclo de baixa da taxa de juros no fim de 2016 com reflexos positivos para a retomada do crescimento econômico em 2017.

* Pedro Raffy Vartanian é Professor do Mestrado Profissional em Economia e Mercados da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.



Luto e perdas na pandemia: o que estamos vivendo?

Temos presenciado uma batalha dolorosa em todo o mundo com o novo coronavírus (COVID-19).


Encare a realidade da forma correta

Em algum momento todos nós vamos precisar dessa mensagem.


Contraponto a manifestação do Jornalista Lucas Lanna

Inicialmente gostaria de parabenizar o jovem e competente jornalista Lucas Lanna Resende, agradecendo a forma respeitosa que diverge da matéria por mim assinada e intitulada “O Brasil deve um almoço a Roberto Jefferson”.


O Brasil deve um almoço a Roberto Jefferson?

Nos últimos dias, um artigo intitulado O Brasil deve um almoço a Roberto Jefferson, do advogado e ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Bady Curi, foi publicado neste espaço


O Brasil deve um almoço a Roberto Jefferson

A esquerda diz temer pela Democracia em razão de alguns pronunciamentos do Presidente Bolsonaro.


O Brasil, a logística e os “voos de galinha”

Parcerias público-privadas, com base no tripé da sustentabilidade podem proporcionar excelentes projetos para a logística no Brasil.


Eça e a famosa estatueta

Nos derradeiros anos do século transacto, tive a oportunidade de conhecer e entrevistar, D. Emília Eça de Queiroz.


Roda de histórias

Meu avô paterno, Seu Dito, era um bom contador de histórias. Contava com a mesma ênfase, fatos e ficções.


Infodemia: a pandemia de desinformação

Todos os dias em nossos smartphones, computadores e TVs, temos uma verdadeira chuva de informações, e nem sempre é possível conferir a veracidade delas.


O problema não é a Cloroquina

Estamos diante de uma doença ameaçadora, nunca antes vivida por nossa geração.


Liderança: Arte e Ciência

O que faz uma pessoa aceitar e reconhecer a liderança de outra?


Reflexões éticas em tempos de Coronavírus

Atualmente, vivemos num cenário de turbulências e preocupações com os impactos sociais e econômicos atuais que virão em decorrência da pandemia do vírus Covid-19.