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O fundo do poço não está distante

O fundo do poço não está distante

23/08/2016 Benedicto Ismael Camargo Dutra

No século 21 vemos os efeitos das incoerências no preparo dos jovens.

Eles deveriam compreender a vida, o próprio corpo e o funcionamento do cérebro. O viver se tornou materialista. A tecnologia da informação criou uma falsa ideia de urgência induzindo os jovens a serem impacientes e a querer resultados imediatos com um click.

Tudo na vida tem de receber um perseverante preparo. Afastados do eu interior, muitos jovens se sentem esvaziados de conteúdo, não sabem o que querem, de onde vieram, para onde vão. Desiludidos com a vida, muitos caem no medo e ódio, nas drogas e revolta, na rebeldia radical.

Inconscientemente, sentem falta da consideração humana, uma atitude vinculada à humildade espiritual. Falta-lhes a compreensão do significado da vida. De onde ele vem o magnata Donald Trump, candidato a presidente dos Estados Unidos? Não faz parte do esquema? Moisés foi um líder espiritualista, mas atualmente os líderes são todos materialistas, o que eles poderão desencadear?

A humanidade foi jogada no poço da decadência e há pouco interesse em promover a elevação. Inércia e marasmo formaram-se com a desesperança das últimas décadas. Os palradores cativam a massa prometendo milagres irrealizáveis, pois a melhora depende do esforço sincero de cada um. A ciência do dinheiro tomou o lugar da economia política. O mercado financeiro distanciou-se da economia real. Abusos foram cometidos.

Como consertar? Juros baixos? Juros negativos? Flexibilidade monetária? E o câmbio, a produção, o emprego, o consumo, a educação, a qualidade de vida? São variáveis que precisam se fundir às novas teorias das finanças globais.

O câmbio não pode ser posto de lado, não pode ser algo favorecedor apenas das importações. O mundo carece de parâmetros estáveis, a moeda é um bem precioso e não pode ficar submetida aos caprichos da especulação oportunista.

No Brasil tudo tem sido mais difícil, pois só se pensa no curto prazo. A indústria não acompanhou a evolução, gosta de favores, não forçou o melhor preparo da população, e com isso enfrentamos o problema da falta de clareza mental e bom senso.

No entanto, pergunta-se, dá para competir com os asiáticos e com indústrias automatizadas? Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, “o País enfrenta a pior recessão desde que o PIB (Produto Interno Bruto) começou a ser medido, em 1901”.

As pessoas percebem que isso tudo é o resultado da imperícia dos gestores governamentais que gastam em função do imediatismo e deixam o passivo para a população; e também é consequência da falta de lideranças empresariais e de preparo da população para a vida.

Estamos em ano de eleições municipais. A figura de grande importância na administração pública é o prefeito, que deveria ser o administrador e o zelador da cidade. A maioria tem outros interesses e descuidam da população. O lixão a céu aberto é o grande resultado dessa incompetência e má fé.

Quem poderia listar essas prefeituras que não se esforçaram para resolver esse problema tão grave quanto o do saneamento? Cidades sujas e sem esgoto, desumanizando a paisagem. Multiplique a quantidade de pessoas pelo lixo e dejetos gerados, e veja se isso não é de extrema gravidade, requerendo soluções definitivas para o Brasil e para o planeta.

A natureza é sábia e ensina como arrancar o homem do fundo do poço. Pena que os homens estão surdos e cegos e não conseguem mais enxergar quanto se rebaixaram e quanto deveriam ter se elevado construindo de forma benéfica a paz e o progresso real com a força do espírito, do eu interior.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo.



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