Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Potência da Causalidade: Fragilidade Humana

Potência da Causalidade: Fragilidade Humana

11/09/2014 Alexandra Martins

O ser humano tem como destino a morte, uma verdade absoluta em sua condição humana.

Em toda natureza humana, na evolução da espécie, na sua constituição como individuo, na historia conhecida dos seus antepassados, da visão do criador e da criatura, o ser humano tem como destino a morte, uma verdade absoluta em sua condição humana.

Porém mesmo sabendo dessa inexorável finitude, ficamos perplexos diante da morte do outro, que nos remete aos sentimentos de impotência, fragilidade e a possibilidade da própria morte, por isso tão difícil de suportar.

Sofremos quando perdemos quem amamos, pois todo investimento afetivo naquela existência individual não terá mais sentido, já que não estará mais entre nós. É um momento de dor emocional; ficamos assustados, impactados, inconformados, entristecidos, separados pela contingência da morte daqueles de quem amamos ou conhecíamos.

Seja de que forma for, a sua manifestação ou a nossa visão da vida, a morte nos apresenta um fim alheio a nossa vontade e que nos deixa inconsolados e perplexos diante da fragilidade da nossa própria existência.

Normalmente vivenciamos e compartilhamos esses sentimentos de luto em pequenos grupos, como a família, os amigos, mas, também, na sociedade contemporânea em seu auge do avanço tecnológico que nos oferece informações imediatas e em tempo real, sofremos a morte daqueles que são estranhos e, ao mesmo tempo, tão próximos, como as celebridades, os políticos, as vitimas de catástrofes, os mortos pela guerra, enfim, aqueles que não conhecemos pessoalmente, contudo entram em nossas vidas, estão em nossas casas através da mídia e cuja a sua morte nos impactam provocando sentimentos diversos e incompreensíveis, muitas vezes, desestabilizando o nosso instinto de autopreservação.

Compreender, aceitar e nomear esse ponto máximo, infalível e inafastável da natureza humana que é a morte, não é tarefa fácil, considerando que nesse processo há impactos emocionais naquele que permanece vivo, o que leva tempo para sua elaboração emocional.

Em manifestações de sofrimento, sentimentos de impotência ou onipotência, banalizamos a vida e a morte como mecanismos de defesa, negamos a própria ruina, fragilmente conectados a essa realidade da existência humana sofremos em excesso ou na tentativa de não sofrer, inventamos ou reinventamos formas reais e imaginárias de proteção; temos medo, receios diante das perdas irreparáveis da vida.

Assim, seguimos em nossa sobrevivência imaginando uma certa infinitude, absorvendo como verdade as promessas do mundo moderno de que a morte pode ser adiada ou evitada.

Essa potência da causalidade, a morte, de que forma for, trágica ou esperada apresenta a fragilidade dos nossos corpos, da nossa vida humana, por isso tão difícil entendê-la. Diante da vida nos resta vivê-la, diante da morte, parte também da existência humana, podemos inventar várias formas de absorvê-la e nos proteger do sofrimento, porém mesmo assim teremos algo diante de nós que não há como modificar: o nosso destino finito.

Texto: Alexandra Martins - psicóloga e coordenadora do serviço de psicologia do Biocor Instituto

 



Administração estratégica: desafios para o sucesso em seu escritório jurídico

Nos últimos 20 anos o mercado jurídico mudou significativamente.


Qual o melhor negócio: investir em ações ou abrir a própria empresa?

Ser um empresário ou empresária de sucesso é o sonho de muitas pessoas.


Intercooperação: qual sua importância no pós- pandemia?

Nos últimos dois anos, o mundo enfrentou a maior crise sanitária dos últimos 100 anos.


STF e a Espada de Dâmocles

O Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Investigativa são responsáveis pela persecução penal.


Lista tríplice, risco ao pacto federativo

Desde o tempo de Brasil-Colônia, a lista tríplice tem sido o instrumento para a nomeação de promotores e procuradores do Ministério Público.


ESG: prioridade da indústria e um mar de oportunidades

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo IBM Institute for Business Value mostra que a sustentabilidade tem ocupado um lugar diferenciado no ranking de prioridades de CEOs pelo mundo se comparado a levantamentos anteriores.


Como conciliar negócios e família?

“O segredo para vencer todas as metas e propostas é colocar a família em primeiro lugar.”, diz a co-fundadora da Minucci RP, Vivienne Ikeda.


O limite do assédio moral e suas consequências

De maneira geral, relacionamento interpessoal sempre foi um grande desafio para o mundo corporativo, sobretudo no que tange aos valores éticos e morais, uma vez que cada indivíduo traz consigo bagagens baseadas nas próprias experiências, emoções e no repertório cultural particular.


TSE, STF e a censura prévia

Sabe-se que a liberdade de expressão é um dos mais fortes pilares da democracia.


Sociedade civil e a defesa da democracia

As últimas aparições e discursos do presidente da República vêm provocando uma nova onda de empresários, instituições e figuras públicas em defesa da democracia e do sistema eleitoral no Brasil.


Para além do juramento de Hipócrates: a ética na prática médica

“Passarei a minha vida e praticarei a minha arte pura e santamente. Em quantas casas entrar, fá-lo-ei só para a utilidade dos doentes, abstendo-me de todo o mal voluntário e de toda voluntária maleficência e de qualquer outra ação corruptora, tanto em relação a mulheres quanto a jovens.” (Juramento de Hipócrates).


O sentido da educação

A educação requer uma formação pessoal, capaz de fazer cada ser humano estar aberto à vida, procurando compreender o seu significado, especialmente na relação com o próximo.