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Profissão político

Profissão político

03/11/2016 Luiz Carlos Borges da Silveira

É consenso nacional que a política brasileira tem baixo conceito e quase nenhuma credibilidade junto à sociedade.

Não precisa ser cientista político para perceber, basta ser um cidadão atento e razoavelmente informado. A questão é: por que isso é assim há tanto tempo e não muda? Acredito que em parte se deve à legislação (por isso a reforma política é pauta permanente) e também pela deterioração do sistema e do caráter da maioria que entra na vida pública.

Política, no Brasil, é sinônimo de carreirismo, de profissão. Disso decorre boa parte dos problemas que afetam a própria política e ricochetam no país, na população. A grande maioria dos políticos é formada de carreiristas de pouco espírito público e muito de interesse pessoal.

Quem entra prova o gosto do poder e das regalias e não sai mais. E para permanecer faz todos os esforços possíveis, até alguns nada decentes, como temos visto. Assim se formam os caciques, donos de partidos, influentes em qualquer governo.

Parlamentares que acumulam há décadas mandatos e montam esquemas tão duradouros e poderosos que se alguma liderança nova quiser enfrentá-los desiste. A força é desigual, os políticos profissionais sempre têm grandes recursos para gastar em uma eleição, mesmo que tal investimento nunca seja coberto com os subsídios recebidos durante o mandato, o que é no mínimo suspeito.

Então, essa situação prejudica e até impede a renovação. Portanto, política aqui é profissão, meio de vida, forma de enriquecer construir grandes patrimônios. Não deveria ser assim, deveria ser forma de servir ao país e ao povo, cumprir uma missão e depois voltar à profissão de origem, cuidar de seus negócios anteriores.

Todavia, na maioria das vezes os políticos brasileiros permanecem vitaliciamente na atividade e se saírem não saberão exercer a antiga profissão por estarem desatualizados e também não saberão gerir um negócio próprio na iniciativa privada.

E, como geralmente saem milionários da política nem precisam se preocupar. Gostei muito do que disse Eric Cantor na revista Veja: “Nos EUA, uma pessoa não entra na carreira pública para ficar rica. Se fizer isso, vai para a cadeia. Você tem de sair da vida pública para ganhar dinheiro. Deveria ser assim também no Brasil”.

Cantor foi líder da maioria republicana na Câmara dos Estados Unidos entre 2011 e 2014 e quando deixou o parlamento foi trabalhar como advogado de um grande banco de investimentos. Na entrevista ele fez outra observação: na Câmara Legislativa do estado da Virgínia os deputados recebem cerca de 17 mil dólares por ano.

“Ou seja, você precisa trabalhar, o Legislativo não basta. Todos têm um emprego.” Voltando ao Brasil, a pergunta é: por que os políticos se perpetuam nos governos ou nos legislativos? A resposta mais simples, e correta, é: 1) Nos governos, pela sedução que o poder exerce, altos salários, mordomias e o exercício da influência em proveito pessoal. Sempre que alguém é convidado para cargo executivo acaba transformando esse cargo em profissão, dificilmente o deixará; se muda o governo muda junto, se não puder continuar no federal vai para uma estatal ou para um governo estadual. Isso se não usar o cargo público como trampolim para se eleger deputado ou senador;

2) No legislativo (municipal, estadual e federal) há uma prerrogativa legal, o estatuto da reeleição, o parlamentar pode se reeleger quantas vezes quiser. Aí, caberia ao eleitor ter discernimento e capacidade de avaliar os candidatos, mas exigir isso seria exigir demais.

* Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi Ministro da Saúde e Deputado Federal.



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