Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Rio Grande do Sul, a Gotham City brasileira

Rio Grande do Sul, a Gotham City brasileira

08/10/2016 Marco Antônio Barbosa

Uma facção criminosa soltou um manifesto pedindo limites para a violência que toma conta do Rio Grande do Sul.

A carta aberta, assinada por presos de dentro de três presídios diferentes do estado, mostra preocupação com o rumo que a disputa de grupos rivais por espaço está tomando.

Este posicionamento da criminalidade - que parece mais saído de um filme - é a triste e preocupante realidade vivida pela população gaúcha. A ausência do Estado é a oportunidade para o crime se instalar e disseminar a sensação de poder e de impunidade.

Os governantes estão de mãos atadas devido a crise financeira que afeta a administração pública há décadas e que agora reflete na segurança. Sem dinheiro para pagar servidores públicos e contratar efetivo e estrutura para as polícias do estado, a violência explode.

Segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE), o Produto Interno Bruto do Rio Grande do Sul recuou 4,3% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, a Secretaria de Segurança Pública divulgou que os homicídios aumentaram 6% e os de latrocínios (roubo seguido de morte) cresceram 34% no primeiro semestre de 2016.

Esta escalada da criminalidade também cria sensação de abandono, que transforma o estado em ‘terra sem lei’ e, neste caso, cada um tem a sua própria justiça. Um suspeito de roubo ter a mão cortada pela população, como foi noticiado amplamente, é a demonstração clara de que os justiceiros também ganham força com a ausência do Estado.

A barbárie é tanta que até o crime organizado pediu um ‘basta’ por meio de manifesto. Este cenário lembra Gotham City, a cidade fictícia dos quadrinhos e filmes do Batman. Esqueça toda a parte surreal da ficção e vamos para a discussão tratada na história.

No momento em que o governo não consegue conter mais a máfia local, surgem justiceiros, de todos os lados. Coringa ou Batman. Todos surgem da ausência do Estado, que não consegue manter a ordem. Eles fazem suas próprias leis, julgando criminosos ou vítimas da maneira que bem entendem.

Mesmo com a vitória constante do Batman – protagonista da trama - o estado continua fraco e os grupos de criminosos mudam somente de nome. Vence a batalha, mas nunca a guerra. Voltemos ao mundo real, pois nem nos quadrinhos os papéis foram tão invertidos como no Rio Grande do Sul, onde o estado assiste atônito, enquanto o crime organizado tenta frear a violência.

A lei e as forças policiais existem para fazer com que a sociedade viva em paz, com cada cidadão respeitando a liberdade do outro. A legislação é um consenso e um padrão de convívio para a sociedade. Sem lei, sem limites. Se um acha que matar alguém por ser contrariado é o correto, quem dirá que não é? Quem impedirá? Em curto prazo, o que poderia ser feito, foi.

A Força Nacional foi chamada para aumentar as ações e impedir o avanço da criminalidade. Mas isso é apenas um paliativo e precisa vir acompanhado de planejamento. Assim como as finanças de uma casa, é preciso alinhar as contas, gastar menos do que entra.

Não adianta aumentar taxas e impostos sem planejamento. É exatamente o que vem sendo feito nas últimas décadas e não surtiu efeito algum. A conta precisa fechar no fim do mês e é preciso economizar para ter como investir em infraestrutura e inteligência para polícia, fortalecer a legislação vigente e, especialmente educar a população.

Quanto mais educação, mais oportunidades de emprego, mais instrução do certo ou errado e mais o Estado se fará presente. Não existe um Batman que irá surgir e resolver o problema da criminalidade. A situação chegou ao que está hoje por muitos anos de má administração e não existe uma fórmula mágica que consertará tudo da noite para o dia. Nem em Gotham isso funcionou.

É preciso muito trabalho para que no futuro não recebamos mais cartas improváveis que parecem mais saídas de um filme hollywoodiano.

* Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.



A desconstrução do mundo

Quando saí do Brasil para morar no exterior, eu sabia que muita coisa iria mudar: mais uma língua, outros costumes, novas paisagens.

Autor: João Filipe da Mata


Por nova (e justa) distribuição tributária

Do bolo dos impostos arrecadados no País, 68% vão para a União, 24% para os Estados e apenas 18% para os municípios.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Um debate desastroso e a dúvida Biden

Com a proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para novembro deste ano, realizou-se, na última semana, o primeiro debate entre os pleiteantes de 2024 à Casa Branca: Donald Trump e Joe Biden.

Autor: João Alfredo Lopes Nyegray


Aquiles e seu calcanhar

O mito do herói grego Aquiles adentrou nosso imaginário e nossa nomenclatura médica: o tendão que se insere em nosso calcanhar foi chamado de tendão de Aquiles em homenagem a esse herói.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Falta aos brasileiros a sede de verdade

Sigmund Freud (1856-1939), o famoso psicanalista austríaco, escreveu: “As massas nunca tiveram sede de verdade. Elas querem ilusões e nem sabem viver sem elas”.

Autor: Samuel Hanan


Uma batalha política como a de Caim e Abel

Em meio ao turbilhão global, o caos e a desordem só aumentam, e o Juiz Universal está preparando o lançamento da grande colheita da humanidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


De olho na alta e/ou criação de impostos

Trava-se, no Congresso Nacional, a grande batalha tributária, embutida na reforma que realinhou, deu nova nomenclatura aos impostos e agora busca enquadrar os produtos ao apetite do fisco e do governo.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


O Pronto Atendimento e o desafio do acolhimento na saúde

O trabalho dentro de um hospital é complexo devido a diversas camadas de atendimento que são necessárias para abranger as necessidades de todos os pacientes.

Autor: José Arthur Brasil


Como melhorar a segurança na movimentação de cargas na construção civil?

O setor da construção civil é um dos mais importantes para a economia do país e tem impacto direto na geração de empregos.

Autor: Fernando Fuertes


As restrições eleitorais contra uso da máquina pública

Estamos em contagem regressiva. As eleições municipais de 2024 ocorrerão no dia 6 de outubro, em todas as cidades do país.

Autor: Wilson Pedroso


Filosofia na calçada

As cidades do interior de Minas, e penso que de outros estados também, nos proporcionam oportunidades de conviver com as pessoas em muitas situações comuns que, no entanto, revelam suas características e personalidades.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Onde começam os juros abusivos?

A imagem do brasileiro se sustenta em valores positivos, mas, infelizmente, também negativos.

Autor: Matheus Bessa