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Roubar pode; Amar não!

Roubar pode; Amar não!

18/01/2012 Helder Caldeira

Sistematicamente venho escrevendo que esse tal “politicamente correto”, que vige no Brasil dos anos 2000 pra cá, é um tragédia para nossa sociedade.

margin-right: 10px; margin-bottom: 10px;Os motivos são muitos, dentre fatores muito simples até complexidades das relações humanas. Nem é necessário me ater às profundezas para que possamos analisar a questão. Para ficar bem no raso, basta dizer que sua vigência por aqui nada mais é que um caminho esquivo tupiniquim, alimentado por uma turma que deseja ocultar sob esse tapete o que há de mais vergonhoso, mascarado e desprezível, contrariando o próprio sentido da expressão. Vejamos dois exemplos recentíssimos, partindo de legendas partidárias absolutamente diversas: um do Partido Socialista Brasileiro (PSB); e outro do Partido Verde (PV).

O primeiro está na crista da onda das denúncias, acusado de lotear e promover tráfico de influência no Ministério da Integração Nacional, que foi dado pela presidente petista Dilma Rousseff, de porteira fechada, ao político socialista pernambucano Fernando Bezerra. Dentre as muitas acusações, o ministro está envolvido em suspeitas de favorecimento ilícito ao seu estado; de nepotismo e tráfico de influência para beneficiar seu filho, o deputado Fernando Coelho (também do PSB/PE), que foi o único a ter todas as emendas orçamentárias destinadas à pasta liberadas; e agora surge a denúncia da Folha de São Paulo de que o ministro teria beneficiado a empresa de um amigo e aliado político em uma licitação de R$ 4,2 milhões na Codevasf, órgão administrado pelo seu ministério. Esse “socialismo fraternal” é algo extraordinário! E se chamar de ladrão, imediatamente vem a trupe do patrulhamento ideológico a bradar a ofensa ao tal “politicamente correto dos trópicos”. O outro triste exemplo foi protagonizado por uma vereadora do PV na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Durante todo primeiro semestre de 2011, o escritor e jornalista Waldir Leite atuou como assessor de imprensa de Sônia Rabello, parlamentar verde que outrora ocupara a Procuradoria-Geral do Município, na gestão do ex-prefeito democrata César Maia.

Segundo relato exclusivo do próprio Waldir Leite, ele foi imediata e sumariamente exonerado das funções tão logo foi anunciado o lançamento de seu livro “Amei Um Pitboy” (Editora Faces, 2011) em uma nota à coluna “Abalo” do jornal O Globo, assinada por Christovam Chevalier. Questionada pelo jornalista sobre os motivos de sua demissão sumária, a resposta da assessoria veio sem pestanejar: a publicação de seu livro com contos gays “era uma sacanagem com a vereadora Sônia Rabello”. Em suma, banhada pela imunidade parlamentar que as urnas lhe concederam, a vereadora carioca praticou um ato criminoso. Preconceito é crime! Ainda segundo Waldir Leite, as palavras finais de Rabello ao chancelar sua demissão foram: “não estou interessada em ficar lidando com temas polêmicos”. E dá-lhe o apequenado “politicamente correto” a servir de argumento condenável para humilhar, desrespeitar, censurar e macular o profissionalismo de um escritor, em pleno domínio de seus meios.

Tudo isso cingido pela sigla do PV, legenda que gosta de anunciar aos quatro ventos ser a porta-voz do que há de mais moderno e sem medo de colocarem debate o que há de mais polêmico no Brasil. Pura falácia partidária é o que se conclui. Esses são apenas dois exemplos recentes do maquiavélico “politicamente correto” praticado pelas autoridades brasileiras. No país onde a impunidade é a regra imperativa, você pode praticar qualquer tipo de crime, pois a punição raramente lhe alcançará. O massacre só acomete aqueles que, em nome da felicidade e para serem honestos e íntegros consigo e com os demais, praticam qualquer ato que venha ferir a suposta “retidão” dessa turma de aloprados pendurados nas mamatas e bravateiros do que há de mais retrógrado em termos de sociedade do século XXI. No Brasil do “politicamente correto”, roubar pode; amar não!

*Helder Caldeira (foto) é Escritor, Jornalista Político, Palestrante e Conferencista.



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